8 de outubro de 2008

Obama/McCain


Ou as coisas vão levar uma reviravolta histórica ou o sucessor de Bush será um certo Senador proveniente das “hurdled masses” afro-americanas. A julgar pelo debate de ontem, o patriotismo militar de McCain, que proferiu a palavra “América” 63 vezes face às parcas 19 do seu rival, não conseguiu apagar o lustro de Obama. Já era tempo de alguém das muito denominadas e muito problemáticas “minorias étnicas” num país em que, afinal, a espécie em extinção é WASP, tomar assento na Casa Branca.
Ao plasmar o discurso da Srª. Clinton, dizendo que tem um “record” para mostrar e para provar a sua credibilidade, McCain não esteve nada inventivo. Também acho que, ao não conseguir dar prioridade a nenhuma das grandes questões fracturantes: saúde, energia e sistema de pensões, deu o ar de querer agradar a todos à força toda e não ter um esquema definido. É pena. Porque entre as suas políticas energéticas e as de Obama, as suas parecem-me muito mais lógicas e em conformidade com os tempos que correm. É preciso o nuclear, por muito que isso nos custe a deglutir. McCain quer o nuclear. Obama quer mais perfuração petrolífera e quer usar compulsivamente os territórios todos que estão adjudicados à exploração de petróleo sob pena de retirar as licenças às companhias inoperantes. No meio lá diz que quer um “mix” entre petróleo, energias renováveis e nuclear (desde que seja limpo?!). Não percebi nada. Tirando isto, estou como o resto dos americanos, num debate de 90 minutos, a malta desiste ao fim de 45, mas o Senador Obama lá leva a vantagem.

13 comentários:

António de Almeida disse...

McCain deu um tiro no pé ao escolher Sarah Palin como runmate. A princípio surpreendeu, mas depois as gafes, aliadas a concepções radicais deitaram tudo a perder. Aí começou a derrota Repúblicana, e ainda bem, porque dos Republicanos que sempre apoiei, desde Reagan, excepção a 2004 quando não apoiei W.Bush, ficando neutro, as pessoas esperam outras políticas, que não a intervenção e regulação. Julgo que o GOP precisa de se redifinir a si próprio, pelo que 4 anos (no mínimo) de oposição, lhe farão muito bem. Mais, em caso de vitória de McCain, daqui a 4 anos teriamos uma corrida Palin vs Clinton (medo).

Ferreira-Pinto disse...

Lido atentamente o post, percebi tudo, assino praticamente por baixo tudo mas fiquei com uma dúvida: "quando referes 45, são minutos ou segundos?"

É que a serem 45 minutos, então a menina é uma estóica!

Entre McCain e Obama, penso que não se hesita. No entanto, nunca vi alguém a ser tão levado ao colo como o senador mais recente, mais novo, nada WASP, tudo "new" sem até ao momento lhe ter vislumbrado um lance de génio.

McCain perdeu a sua época após dois mandatos de Bush filho e tudo agravou com a escolha de Palin.
Embora a escolha de Sarah tenha pretendido, num lance só, cobrir o flanco ultraconservador e ir buscar o hipotético descontentamento do eleitorado feminino por causa de Hillary, a escolha revelou-se desastrosa.

Persisto na mais absoluta incapacidade de entender porque é que alguns vêem medo em Hillary!
Mais vale um Clinton que deixou um superavit fenomenal que um qualquer republicano cujos parcos conhecimentos geográficos o levam a invadir o Iraque quando o país certo eram o Afeganistão e Paquistão!

Ferreira-Pinto disse...

By the way, I'm happy to see your back!

joshua disse...

Pensa num indivíduo danadinho, cara de Charlie Chaplin, sempre ao ataque! McCain é um espírito anacrónio, apoiado em bordões que já faliram. Palin, como escreve o António, é um susto que mostrou amadorismo e leviandade em doses letais. Aparentemente nada travará Obama de triunfar. Mas, e daí, everything is possible in America.

PALAVROSSAVRVS REX

PRD disse...

"If I don't laugh of me, somebody else will! (So, I might as well laugh!)" - de vez em quando ponho esta como inspiração no messenger. E sempre que vejo debates políticos, vá lá saber-se porquê, lembro-me da frase...

antonio - o implume disse...

Podemos discutir futebol?

João Castanhinha disse...

Continuo a ter sérias duvidas quanto ao desfecho destas eleições, mesmo que Obama (nada genial como já aqui foi dito) chegue perfeitamente para McCain como ontem foi assim mais ou menos demonstrado(cain, cain...).

Minha duvida é só uma, terão os U S of A (como diz o Uzbeque) e os seus cidadãos realmente mudado nos ultimos 4 anos tanto que vindo do nada se tornem depois de renovarem o mandato ao arbusto de direita conservador depois do primeiro desastroso mandato, tão liberais ao ponto de elegerem um Afro-Americano, de Esquerda e sem experiência governativa de relevo?

Nenhuma sociedade muda tanto em 4 anos, mas vamos ver.

ps. Quanto ao drilling everywhere do Obama só me lembrei do Àrctico...negro:(.

Blondewithaphd disse...

People, isto hoje é mesmo p'ró telegráfico.

António,
O McCain apenas quis o vector feminino. Deu-se mal, coitado!

Ferreia,
My man, estavas inspirado. Ai não se hesita? Eu cá hesito! Nem sequer referi que a política para o Iraque do McCain tem os seus pontos fortes!
And... two more weeks and I'll be back to usual.

Josh,
Tudo é possível na América. Concordo. Mas desta vez, o Sen. McCain não tem um irmão chamado Jeb Bush a governar a Florida...

PRD,
Copyright, please que essa tem direitos de autor, perdão autora!

Implume,
Futebol? Ok! que tal os desaires do Borussia Mönchengladbach que só me dá desgostos? :)

John,
Grande jogo man com essa do "cain, cain"!!! :)
Nem me digas nada, foi mesmo o Ártico que me veio à cabeça e só te digo que é medonho. Cain, cain!

Ferreira-Pinto disse...

Miss Blonde, conforme é público eu até pensava que McCain podia ser mais uma surpresa.

Mas depois das suas inflexões e derivas criacionistas e escolha de uma Vice que, quando não tem as notas à frente, é aquilo que se vê, presumo que o mal menor seja escolher Obama.

Isto digo eu que nem sou americano.

Ali o John Castanhinha levanta uma questão muito interessante, da qual também comungo e que uma amiga (WASP e residente em Chicago) também me confidenciou ... fosse Hillary versus McCain, aquela terá de arrostar com o facto de ser mulher e Clinton; sendo Obama versus McCain, aquele seria insuficientemente preto para uns e preto para outros.

Mas estes cenários foram antes da Palin e da crise.

Manuel Rocha disse...

Do que aqui foi dito, e muito bem, ficou-me uma afirmação que adorava ver aprofundada: a certeza de que "é preciso o nuclear".

Posso aguardar pelo desenvolvimento do tema ?

Atenciosamente,

MR

;)

Joaninha disse...

Tu viste o debate TODO??

És maluca mulher. (bem eu jáa sabia, mas enfim, confirma-se)

beijos

Peter disse...

Todos nós queremos que ganhe o Obama, até porque económica e financeiramente seria melhor para nós.
Os americanos, segundo as sondagens, também querem. Mas existe um "monstro" adormecido, a América profunda, profundamente anti-sondagens, profundamente conservadora, profundamente religiosa e profundamente anti-negros.
Não seria a 1ª vez que um negro, considerado como favorito para um alto cargo da governação, era preterido à boca das urnas (houve um governador estadual a quem aconteceu).

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Apesar das sondagens indicarem Obama como vencedor, não me admirarei nada se no dia 5 de Novembro acordarmos a saber que Mc Cain será o novo presidente dos USA. O povo amricano continua a ser racista e pefere um branco que o atire definiivamente para a cova, do que eleger um afro.
Espero estar enganado, mas...