13 de novembro de 2008

Paupérrima Academia














Mais um ano académico que se inicia e, novamente, as queixas do costume sobre os inúmeros desconfortos na/da Universidade: a crise de financiamento, a nada pacífica transição para os planos curriculares de Bolonha, o novo ECDU (Estatuto da Carreira Docente Universitária). Enfim, uma série infinda de problemas que afectam o sistema de ensino superior, as instituições em particular, corpos docente e discente e o difícil relacionamento com um ministério menos visível do que o da educação, mas igualmente autista e burocrático.

De facto, a força dos números tem que se lhe diga. Os professores do ensino elementar e secundário saem à rua e a coisa ganha dimensões titânicas e toda a gente sabe dos problemas e incertezas com que se confrontam. Nós, pelo contrário, não temos a dimensão numérica a nosso favor. Ademais, em termos sociais, somos considerados uma classe de gente privilegiada pelo que, dificilmente, conseguiríamos a empatia da sociedade envolvente quanto mais a sua atenção.

Gosto particularmente das tomadas de posição públicas do Reitor da Universidade de Lisboa. Já o ano passado lhe elogiei aqui o discurso de abertura do ano académico. Este ano louvo-lhe a demissão (que já desencadeou a do Reitor da Universidade Nova de Lisboa). É pena que o ensino superior e os seus dilemas não tenham air play. Valham os actos simbólicos que, pelo menos, e sem mudarem panoramas, têm o mérito das boas intenções.
Pobre academia num país com 10 milhões de almas que mal pode competir no exterior, que mal sobrevive intramuros.

7 comentários:

antonio - o implume disse...

Trata-se de regular o mercado, nivelar a universidade pública pela privada... viabilizando o mercado livre da concorrência... são as dores de parto.

Manuel Rocha disse...

Estive há dias em terras gaulesas e achei curioso que as academias daquelas bandas queixam-se basicamente do mesmo. Falando com colegas italianos ou espanhóis, o panorama fica ainda mais negro: todos se queixam da massificação, dos custos de expansão, da concorrência, das dificuldades de gestão corrente face à escalada dos custos de manutenção do fixo e por aí adiante. Para tentar resolver isso as academias espanholas vendem mestrados como quem vende pipocas, e por aqui conheço mestrandos que não sei se seriam competentes para as vender, mas como pagaram...

Será que também neste sector não estaremos a sentir os problemas tipicos das grandes escalas e dos limites do crescimento ?

Ferreira-Pinto disse...

É verdade o que aqui se assinala dos docentes universitários não terem o tal "air play" que outras classes parecem ter, e não só pelo peso numérico, e que os tempos parecem não correr de feição.
E não sei se é só em termos orçamentais ...

Contudo, e como diz o Manuel Rocha acima, ainda há dias na Alemanha eram os alunos que protestavam, pasme-se, por um ensino de qualidade.

Vai-se a ver, anda tudo perdido! Tudo! A fundo como o Titanic, esse mítico navio que era infundável.

António de Almeida disse...

-Muitos dos problemas do ensino superior decorrem de problemas de financiamento. O valor das propinas é rídiculo, os casos de alunos socialmente desfavorecidos resolvem-se com apoios sociais, mas não faz qualquer sentido que os alunos que a breve prazo serão dos profissionais mas bem pagos do país sejam financiados pelo contribuinte.

Joaninha disse...

Nem te digo nem te conto...

Pois eu como aluna primeiro do de uma instituição publica e agora de uma privada digo só uma coisa.

200 e muito euros pago eu por mês na actual instituição que frequento, pois ficas a saber que o professor que é também o presidente da instituição, e também é politico, das 64 horas que devia ter lecionado este dois meses deve ter dado certa de 32, mas eu continuo a pagar os mesmos 200 e muito euros por mês...Confesso que me sinto roubada.

Na instituição publica onde andei antes e onde tirei o primeiro curso, nunca mas nunca isto aconteceu, e foram 6 anos que por lá passei (sim que eu era calona e chumbei uma ou outra vez ;)

Mas regra geral compreendo bem o problema com que alguns porfessores do ensino superior se debatem...Os bons professores, aqueles que não estão ali para fazer cobres extra :)


beijos

Carol disse...

Pois... Eu já não me lembro qual o valor das minhas propinas, mas agora pagam-se 900€ e, ao que sei, os problemos continuam os mesmos. O António acha estes valores irrisórios, mas quando se tem professores como o que a Joaninha referiu ou como alguns que eu tive que faziam apostas entre si para ver quantos alunos conseguiam fazer desistir, as coisas mudam de figura.
Posso-te dizer que, durante um ano, tive duas professoras, ambas inglesas, cujas aulas consistiam no seguinte: ler jornais ingleses e resumir notícias e falar mal da cultura e mentalidade portuguesa, exacerbando a britânica. Ambas as disciplinas eram de Cultura Inglesa e Língua Inglesa.
Daí que não me espante que muita gente olho para esta classe docente com desconforto e desconfiança...

joshua disse...

Não se resignem ao estatuto privilegiado e à invisibilidade perante a opinião pública. Reajam. Juntem as vozes. Demitam-se em bloco. Combatam. Greve de fome. Greve de zelo. Percam a pose. Tudo é possível 'aristocrítica'.