6 de abril de 2009

Trauma de fim-de-semana



Confesso a minha ignorância suprema no tocante à vida de Che Guevara que, para mim, não passa de uma figura icónica que se vende em barda nestes nossos tempos de cultura pop globalizada. Sempre tive pouca pachorra para as personagens idealistas, rebeldes de causas, muitas vezes, perdidas, guerrilheiros solitários contra o mundo e o status quo. Parto do pressuposto, suponho que errado, de que se trata de pessoas que, tomando ferreamente os seus ideais, se tornam fundamentalistas e é a univocidade dos fundamentalismos que me perturba, irrita e me cria preconceitos que são, por sua vez, pensamentos enviesados, eu sei.

Isto tudo para dizer que, à falta de melhor, lá dei uma de intelectual que quer saber umas coisas e fui ver a última cinebiografia de Che Guevara. Soderbergh até é um realizador capaz e o Benício del Toro um excelente actor. Pois... Saí da sala com uma sensação de desperdício: desperdício de tempo, desperdício de guião, desperdício de interpretação e, sobretudo, desperdício de vida, no caso da do próprio Che. Fiquei com os mesmos preconceitos com que entrei, a mesma ideia de que os fundamentalismos são causas fracassadas e de que os guerrilheiros sós contra o mundo são figuras de dó na sua pouca maleabilidade de visão e de entendimento.

Sinceramente? Há muito tempo que um filme não me era tão desagradável.

11 comentários:

Carol disse...

Por acaso, já não estava com chorra para o ver. Agora, depois de te ler, perdi a pouca pica que tinha...

antonio - o implume disse...

Percebi. O idealismo não é o teu forte. Nas nem tudo na vida nos pode ser servido na comodidade do nosso sofá e partir da segurança das nossas convicções!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Está na minha lista prioritária de filmes em atraso. Só tenho ouvido dizer mal, mas mesmo assim irei ver. Quanto mais não fosse, porque foi garças ao Che que conheci a América Latina em todo o seu esplendor paisagístico e vivencial. Fiz uma viagem por percursos muito próximos dos que ele encetou. No final, a minha vida tinha mudado. Para sempre!

Eu mesma! disse...

mas explica-me lá porque é que eu nao recebo as actualizações do teu blogue??????

não percebo.....

Carol disse...

Olha, eu vinha apresentar uma reclamação, mas a Eu mesma antecipou-se!!

Blondewithaphd disse...

Eu mesma! e Carol,
ladies, I have no idea! Juro que não mexi em nada!

Eu mesma! disse...

mas não recebo....
.....

nunca sei quando actualizas o teu blogue.... :(

Abobrinha disse...

Ora porra! Estava eu toda lançada para ver os filmes e dizes-me tu uma destas!

Bah, acho que vou na mesma! Mais que não seja pelo Benício, que é um bom pedaço de mau caminho!

Também não tenho pachorra para radicalismos. Mas de parte nenhuma, por isso acabo por ser pouco paciente. Mas gosto de idealismos... pena não funcionarem e haver resistência a ver porquê. Mesmo só porque a ideia é doce demais.

Sabes quem foi um dos amores (ao que tudo indica, platónicos) do Che? Annie (ou Ana Maria) Silva Pais... a filha única do último director da PIDE. Abandonou o marido (um diplomata suiço), o país e restante família para abraçar a revolução cubana. Era daquelas coisas que se fosse ficção seria rebuscado demais. Mas foi mesmo verdade!

Rafeiro Perfumado disse...

Vê, se conseguires um tempinho, "O Diário de Che Guevara". Não sou um doidinho pelo Che, mas esse filme impressionou-me, e permite ver as bases da sua revolta.

Se também este achares uma perda de tempo, podes dar-me com o jornal.

Beijoca!

António de Almeida disse...

Não vi, e dificilmente irei ver. Por Che tenho desprezo e repulsa, igual à que sinto por outros assassinos. Mas Hollywood sente um certo fascínio por canalhas desde que sejam de esquerda, exemplos não faltam para além de Che, Lenine, Ho Chi Min, Mao Tzé Tung...

Chinook disse...

Pois que o filme é mesmo mauzito. Nem o Manuel de Oliveira conseguia fazer um filme tão parado.

Em relação ao Che foi uma personagem necessária no seu tempo e contexto. Não se esqueçam que para fazer revoluções é necessária fome e na altura, por Cuba havia e muita.

Em relação aos criminosos não esqueçamos que as histórias, em cada situação, são contadas por quem vence, o que não abona nada em relação à realidade histórica de cada situação. Assim assassinos podemos juntar os de direita...