19 de maio de 2009

De regresso...


... e tantas coisas para dizer.
É bom partir, antecipar o que está por acontecer quando queremos que aconteça. Sou uma mulher de partidas, vivo as antecipações da Viagem na vertigem do desconhecido: o que é que os meus olhos vão ver?, quem vou encontrar no percurso?, a realidade estará ao nível da expectativa? Prefiro fazer malas a desfazê-las. Pouco me importam fusos horários, gentes e línguas estranhas. Também não me incomoda a solidão da viagem quando parto sozinha. Gosto de me encontrar a sós comigo em sítios estranhos. É uma libertação enorme de mim ou, talvez, o oposto: o forçar do encontro comigo. Surpreendo-me muitas vezes com esse encontro, com essa pessoa que me acompanha, que segue e fala comigo.
Desta vez, porém, dei comigo a antecipar o regresso e, nesta fase nova, regressar à minha casa vazia, ao meu cão, aos meus espaços fez-me pensar que o regresso era uma viagem a um sítio exótico. Não um sítio novo, mas um lugar diferente porque está diferente, porque a vida se modificou no entretanto. Curioso como me apercebi do cheiro da minha casa: cheira a madeira doce. O som das rodas do meu trolley na tijoleira do corredor que quebrava o silêncio de uma casa adormecida há duas semanas. O correio amontoado, abandonado como se não tivesse destinatário, esquecido. A penumbra imposta pelas persianas cerradas. Estava tão calma a minha casa quando cheguei...
Pensava vir para aqui falar da viagem, de como foi absolutamente maravilhosa, de como me sinto privilegiada por ter esta profissão, de como me diverti a ouvir quem me editou no estrangeiro a dizer que a minha foto tinha de ter "more hair, give her more hair" (just the blonde with the phd), de como tenho a alegria de conhecer gente maravilhosa e trabalhar com gente mais maravilhosa ainda, de como as conferências foram espaços e tempos de convívio, de aprendizagem, de estímulo intelectual, de reencontros e encontros ou de como estive só e acompanhada. Pensava..., falo noutro dia. A Blonde viajante está a reencontrar a Blonde que aqui vive. Vou pô-las a dormir e a falar uma com a outra. Outro dia, com calma, venho aqui com conversas de viagem.
P.S. - Nas solidões de aeroportos ou nos breves tempos mortos foi bom vir aqui (não gostei muito da história triste do Benfica, mas foi bom). Obrigada.

8 comentários:

ferreira-pinto disse...

Vái lá "nanar" ... a malta espera pelo teu regresso em cheio!

ferreira-pinto disse...

Hum ... your house was empty? For real?

antonio - o implume disse...

A idade nota-se com a nostalgia do regresso, quando se é jovem tem-se o sabor amargo de uma viagem que termina, com a idade cresce a expectativa do regresso!

Não será bem o teu caso, pois tu ainda és muito jovem!

Abobrinha disse...

Dá gosto ver esse gosto que ganhaste em redescobrir a Blonde.

Benvinda a casa...

(O Benfica é que é sempre a mesma porcaria do costume. Deixa lá!)

mdsol disse...

Que bom. Como entendo o que tu dizes. E sabes? Tambem sou de ir. Ir. Como dizia o poeta: navegar é preciso, viver não é preciso!
Mas agora que voltaste, fica muito bem! Linda menina!
:))

Eu Mesma! disse...

welcome back!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Também gostei sempre de viajar sozinho, para ter tempo para estar só comigo. É também a melhor maneira de conhecer gente. Com idade, o regresso a casa comça a ser encarado com alguma ansiedade e até prazer. A minha vantagem é que nunca sei, ao certo se a casa a que regresso é a minha verdadeira morada.
Seja bem regressada.

PRD disse...

Bem vinda! Já tinha saudades, mesmo que virtuais, de te ter por perto...