1 de dezembro de 2009

Tratado de Lisboa


Isto pode até parecer crítica gratuita, falar por falar só para não estar calada e talvez até seja. Estive a embrulhar presentes de Natal com a televisão ligada, alheada de que hoje entra em vigor o Tratado de Lisboa. Deixei estar no canal que transmitia o directo da cerimónia oficial por preguiça de mexer no comando. Por entre laços, fita-cola e tesouradas no papel de embrulho lá fui ouvindo os discursos da praxe enquanto, na perplexidade, dava conta de que se fazia o countdown para o momento exacto em que o dito tratado entrava realmente em efeito. Que dizer? Que achei uma fantochada? Sim! Que achei que os discursos dos nossos altos responsáveis políticos foram uma xaropada, a começar pelo do António Costa que, pasmei incrédula, até meteu o encómio da gastronomia deste país que, claramente, já se sabe e em metendo bacalhau à brás tem tudo a ver com o europeísmo? Sim!
E sabem o que mais me enfastia? Que o registo cerimonial deste país bata sempre na tecla passadista de que demos mundos ao mundo. Será que não mudámos já, ou ainda? Oiço estes discursos e só me lembro da Nau Catrineta que, coitada, resistindo ao caruncho das eras, ainda por cá vai navegando à bolina. Não acho lamentável este registo, acho, apenas, entediante...

9 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Demos mundos ao mundo? É verdade, mas felizmente eles não segiram as nossas práticas e conselhos e ultrapassaram-nos num ápice.

Goldfish disse...

Parece-me que estamos sempre a repetir o mesmos erros: ensinamos uma história do país que mete dó de tão mal dada e contada e, ao mesmo tempo, repetimos chavões passadistas que já nada significam.

António de Almeida disse...

Eu fui mudando de canal sempre que aparecia uma reportagem ou directo do malfadado Tratado, por vezes tive de me refugiar no Discovery, História ou N. Geographic. Assinalar a data em que os nossos antepassados restauraram a independência nacional cedendo soberania ao cartel de Bruxelas, diz bem da estirpe dos nossos governantes.

zana dias disse...

"Demos novos mundos ao mundo" : eu cá acho não só entidiante, mas inclusivé lamentável dizer isto, porque o que nós e nuestros hermanos fizemos foi mesmo EXPLORAR E DESTRUIR OUTROS MUNDOS DESSE MUNDO DE ENTÃO.
Que mérito foi esse para o repetirmos ainda hoje?

Ferreira-Pinto disse...

Ora bem ou isto lá entre os laços, fita-cola e tesouradas há qualquer coisita aqui para o moço, ou na próxima comes mesmo uma travessa de bacalhau à brás que é para aprenderes!

Abobrinha disse...

Certo, tudo bem, mas... e tens uma prenda para mim?

Eu Mesma! disse...

sicneramente na fase do dia que hoje estou nem sei o que te diga...

bluegift disse...

Deixa lá estar a calçada que é bonita e recomenda-se. Bem melhor que as placas de cimento, feias e excelentes para escorregar quando chove!

Daniel Santos disse...

A celebração de um Tratado feito por cima de tudo e de todos.