4 de junho de 2010

Anel de Descasamento


Andava eu à procura da notícia absurda de os alunos do 8º ano poderem transitar directamente para o 10º caso tenham 15 anos, quando me surgiu uma outra muito interessante, justo agora por estes dias em que divórcio e o quanto me vai custar (além do que já me custou) é o que eu mais penso.
Como há que descomprimir e fazer um certo comic relief das agruras da vida, lá deixei o absurdo das ideias absurdas em matéria de educação em Portugal e fui espreitar as novas tendências em joalharia para divorciados (logo eu uma impenitente jewelaholic).
Então a tendência mais actual, hiper, mega é reciclar as alianças de casamento (cruzes credo que eu digo casamento e encho-me de urticária no cérebro). Pois a minha até era toda gira (comme moi, há que dizê-lo) e está-me cá a parecer que lhe vou dar uma volta bestial. Já a bandeja de prata, ao estilo de Salomé, só que a cabeça era a minha, vai ao ourives apagar a gravação idiota e levar uma com a futura data do divórcio (que esperemos não seja para daqui a dez anos) e mais qualquer coisa muito Hollywood a modos que "Independence Day" ou "V for Victory", até podia ser "D-Day", mas eu já tenho uma salva com "Dia D" que me deram quando defendi o doutoramento (D-Doutoramento, estão a ver, não é?) e, convenhamos, imaginação é coisa que não me falta (a dar crédito à contestação à petição inicial do meu futuro-em-parte-incerta-ex-marido).
Portantinho, vou inventar um desenho bem à la Blonde, dar um rumo à aliança e continuar a ser uma trendsetter blondelíssima na vanguarda da moda. Quem sabe se não tenho um futuro promissor na alta-joalharia? (Bem, talvez seja melhor não, senão vem o futuro-ex a dizer que se não fosse ele eu não me tinha divorciado, logo não tinha feito uma aliança de descasamento e ainda me pedia uma parte dos lucros "derivado" à ideia ter a ver com ele, cruzes!!! Lagarto, lagarto!!!)

10 comentários:

António de Almeida disse...

Sem dar conta, o tempo passa realmente, nem dei conta que está prestes a fazer um ano...

Abobrinha disse...

Se a vida te dá limões, faz limonada! Ficas a saber que um dai destes no Project Runway Canada fez-se isso, mas com vestidos: do vestido de casamento de divorciadas fez-se outros vestidos. Alguns ficaram giros, outros nem por isso, mas estou certa de que o anel vai ficar o máximo!

Daniel Santos disse...

temos então o inicio de uma bela carreira.

antonio - o implume disse...

É por isso que eu não me divorcio da senhora casada que mora cá em casa. Nunca nos vemos livres delas! Estamos sempre presentes nas suas vidas... nunca nos libertamos. Ser "ex" é tão penalizante como ser o de serviço. Sem o sabermos, estamos sempre na mira das suas recriminações... livra!

A.B. disse...

Blonde, você não vai esperar onze anos por um divórcio; ao fim de três, desde que prove que não tem vida em comum com a outra parte, pede um divórcio litigioso, e disso fica livre.
Mas você casou no regime de Comunhão de Adquiridos, e durante o casamento adquiriu, digamos, um prato.
Você comprou o prato nos 300, portanto faz as contas com o seu advogado, e deduzem que a outra parte tem a receber, quanto muito, 150. Mas a outra parte diz que não, que o prato vale 150 mil. Dado que por acaso a Blonde até tem a factura do prato, pensa que tem o caso resolvido. Não tem.
A outra parte não aceita os 150, e mais; diz que até havia outros pratos lá em casa. Seria de esperar que a outra parte tivesse que provar isso, mas não tem. Basta que apresente ao Tribunal testemunhas que afirmem que estiveram lá em casa, e viram outros pratos. Não sabem de quem eram, presumem que eram de ambos.
A Blonde diz que já eram seus antes de se casar, tem mesmo facturas que o provam, mas o Tribunal ordena que um escrivão vá a sua casa e inventarie tudo o que está no aparador.
A Blonde fica proíbida de usar qualquer prato que tenha em casa, proíbida de abrir o aparador, responsável pela integridade dos pratos, e, como entretanto devolveu um prato que lhe tinham emprestado, é acusada de querer fugir com a loiça, fica com um termo de residência, e da próxima vez que quiser dar uma conferência em Las Vegas, ou ir de férias para o Algarve, tem que informar o DIAP.
Como as partes não se entendem acerca do valor do prato, o processo segue, lentamente, para uma espécie de leilão feito perante o Juíz, no qual o prato será licitado pelas partes, leilão esse que muito boa gente pensa ser o final de um penoso processo cheio de certidões, audiências, fotocópias, adiamentos, emolumentos e vexames.
Chega o leilão e a Blonde aí pensa que a sorte se virou. O prato custou 300, a outra parte avaliou-o em 150 mil, você diz-lhe que sim, dá-lhe o prato e recebe 75 mil. Um bom negócio para si, e faz-se justiça.
Não faz.
Quando o Juíz pergunta se as partes estão prontas para começar a licitação, a outra parte, evidentemente, diz que não está pronta (ou teria que pagar mesmo o prato).
O Juíz prega uma valente descompostura à outra parte, mas não tem mais remédio que tornar a colocar o processo no fundo da pilha, e recomeça tudo.
Ora os processos de partilhas são Cíveis, não prescrevem. Se fosse um processo Criminal, se a Blonde tivesse assassinado alguém, o tempo jogava a seu favor, assim não.
Provavelmente, daqui a uns sete anos, farta de comer no chão enquanto toma conta duma pilha de pratos que não pode usar, a Blonde vai achar que dar 75 mil por um prato de 300 é uma opção tentadora.
Se a outra parte estiver de má fé, é isto que a espera. Mais a conta do seu advogado, claro.
Desejo-lhe mesmo muita sorte. Sinceramente.

Turmalina disse...

Blondinha...juro que quando terminei de digitar aquela exata frase sobre a liberdade, pensei em você...coisas desse estranho mundo virtual...
Vamos nos afeiçoando e quando menos esperamos estamos torcendo pelo outro :o)

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Já agora, seguindo a tendência, podia dedicar-se à nova tendência, organizando as festas de divórcio, muito em voga nos States

Claudia Sousa Dias disse...

Resposta ao coment do A.B.: QUE NOJO!!!!!

agora estou plenamente convencida de que nunca me casarei.

e se um dia ficar transtornada a ponto de o fazer é conservar todos os meus bens na casa dos meus pais...


csd

zana dias disse...

Pega mas é no anel e quando fores a conduzir em plena auto-estrada, manda-o com força pela janela fora!!(Desculpa, é só a minha mania de dar conselhos a quem não mos pediu!)

A.B. disse...

Ó Cláudia, mas case! Faça é uma Convenção Antenupcial, vulgo "separação de bens". E guarde as facturas de TUDO o que lhe interessa na casa dos seus pais.