30 de agosto de 2010

Porque vi o Forrest Gump


Lembrei-me do meu epitáfio. Lembrei-me que talvez todos deixemos os mesmos epitáfios, os mesmos da Jenny do filme: "Wife, Mother, Friend". Lembrei-me que, no fim, talvez todos queiramos ou procuremos deixar os mesmos epitáfios. Até a Jenny, que levou uma vida de tribulações e não-conformações, acabou por ter um epitáfio consonante às normas femininas de uma sociedade que ainda espera que sejamos mães e mulheres. Pensei em mim e como uma frame insignificante me disse tanto no silêncio do pensamento por detrás dos olhos que viam. Se eu fosse a Jenny morta o que diria de mim o meu epitáfio? "Nobody's Wife, Nobody's Mother, Friend". O que é que um espectador pensaria do meu papel incompleto na vida? Será que o meu seria mesmo um papel incompleto?
Não sei. Sei que me deu para pensar, não na minha mortalidade, mas na minha imortalidade, naquilo que as minhas cinzas dirão de mim e desta vida que por neste Aqui passou. Porque, ao fim e ao cabo, todos queremos que o nosso pó não se dissipe ao infinito da nossa insignificância e eu não serei assim tão diferente...

8 comentários:

Eu Mesma! disse...

Adorei este texto :)

antonio - o implume disse...

Realmente um bom epitáfio é o melhor consolo para o nosso sono eterno.

Daniel Santos disse...

significativo, gostei.

Ältere Leute disse...

Considera-se "já" tão acabada, young lady?

Blondewithaphd disse...

Absolut nicht! Aber manchmal denkt Mann, oder? (Na ja, Frauen und "young ladies" auch:))

Joaninha disse...

Loirinha,

Tanta coisa que terá de dizer o teu epitáfio...Não são a maternidade e o casamento que fazem uma pessoa.

beijos

André Couto disse...

Blondie,
não é aquilo que fazemos, mas o que somos, o que nos define. Poder-se-á pensar que uma e outra coisa são a mesma, mas na verdade não é assim.
Não devemos viver a vida preocupados com o que pensam de nós, (olha para o que digo, não para o que faço, sim, eu sei...)quanto mais ter a aungústia de saber o motivo pelo qual somos recordados.
Estou certo que, para aqueles que gostam de nós, é sempre fácil encontrarem um bom motivo para nos recordar. Aos que não gostam , a esses, não vale a pena tentar agradar porque o esforço nunca é suficiente.

Beijo.

Salvador disse...

Será que a Escritora deste espaço julga estar a dar muito à carreira, em sacrificio da sua vida pessoal?
Os apelos de Mulher surgirão naturalmente e conciliar o lado profissional com o pessoal é sempre possivel. (e se achar que o comentário não tem nada a ver com nada, não publique, sff)