29 de novembro de 2010

O pão nosso de cada dia



Venho de Lisboa, onde dormi. É Domingo cedo de manhã e não há ninguém na estrada. Penso que tenho de ir ao supermercado às compras de essenciais e não quero deixar passar o fim-de-semana do Banco Alimentar. Faço uma lista mental do que preciso. Pouca coisa: uns legumes, uns camarões e coisas para o Banco. A Paula deixou-me maçãs, romãs e dióspiros quando cá esteve no Sábado e, por isso, não preciso de fruta. Hesito se trago pão. Não. Tenho um resto que é preciso acabar, é pão velho mas paciência.
Depois de chegar a casa, a Paula telefona:
- Blondinha, tenho aqui muito pão que me deram. Vou-te aí levar.
E traz. Muito pão, ao qual eu não consigo dar vencimento e, portanto, congelo mas não sem antes me deliciar no pequeno prazer simples de pão fresco com manteiga (ainda que seja de soja). O meu resto tornou-se abundante como numa qualquer multiplicação perante a multidão bíblica. Mas não é isso que me impressiona, o que me despoleta o pensamento é que na nossa generosidade, haverá sempre quem seja generoso connosco. Pensei isto apenas porque foi fim-de-semana do Banco Alimentar. Pensei isto porque aqui no campo ainda há esta coisa da partilha. Pensei isto porque vem aí uma crise pior do que um céu carregado e é, afinal, é a sociedade civil que se solidariza num ano em que a recolha do Banco Alimentar Contra a Fome superou recordes de generosidade. Pensei isto porque graves espectros se levantam e eu ainda acredito na bondade imanente.

8 comentários:

antonio - o implume disse...

O Belmiro também ficou contente com esta onda de solidariedade e, pelo caminho, ficou ainda mais rico.

Daniel Santos disse...

já somos dois.

Turmalina disse...

E que bom que a bondade existe!!!
Minha mãe costuma dizer que a pessoa realmente generosa não é aquela que dá o que lhe sobra e sim a que divide o que tem. E eu gosto disso!
Bjos

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

É isso mesmo...

Ältere Leute disse...

Pior é quando os Belmiros ficam mais ricos sem que nada chegue aos mais desfavorecidos...
Ainda está para chegar o dia da "egualização"! "Amanhãs que cantam" ? Os conhecidos deram no que deram. Até aos próximos, vamos acabar com os donativos... para não enriquecer mais os Belmiros?

Eu Mesma! disse...

Mesmo que o Belmiro neste fim semana do ano fique mais rico...

alguém no mundo fica mais alimentado.. e só por isso... faz toda a diferença...

Olá Amor disse...

Pese embora toda a generosidade e solidariedade que são de louvar por parte dos milhares de pessoas que contribuem nestas causas, é de salientar que quem ajuda são sempre os mesmos. Numa altura de crise instalada e que vai cá ficar muitos anos, tem de ser o povo a ajudar o povo. Todos os dias são cometidos roubos e atropelos contra o povo, mas este continua sempre a pagar. Paga as crises impostas pelos barões que passam incólumes e ainda têm de ser eles a pagar para que quem menos tem tenha um pouco mais. É de enaltecer este espírito de entre-ajuda, mas fosse o povo unido na causa maior que urge para este país, que é limpar do poder esta gentinha que nos (des) governa, e certamente não estaríamos tão mal assim. Mas fora isso, ainda bem que somos um povo generoso e solidário.

George Sand disse...

Todos os Belmiros do mundo são bem vindos nesta altura:criam riqueza e postos de trabalho.
A ideia do Banco Alimentar é uma ideia de solidariedade feliz:~prncípalmente para quem recebe, que não o faz envergonhado.