29 de agosto de 2011

Mais leitura de Verão

Recomecei a ler as Notes from a Small Island do Bill Bryson e nunca me fizeram tanto sentido. Dou por mim de caneta e marcador na mão a sublinhar e comentar o livro e as passagens dos sítios por onde ele andou e por onde eu já andei também.
Adoro a escrita dele. Quando fui à Austrália, o livro que li no avião foi o Down Under. De outra vez, em Creta, li o Neither Here nor There, que continuo a achar o seu melhor livro de viagens e que é o seu périplo pela Europa (adoro, sobretudo, a parte alemã no que tem de irresistivelmente cómico). Na cama em Casa li o Mother Tongue que, não sendo um livro de viagens, acaba por ser a grande viagem da diáspora da língua inglesa pela História e pelo mundo. E comprei agora o mais recente, At Home, uma viagem pelos utensílios e coisas que têm feito o quotidiano da vida humana. Ou seja, basicamente tudo o que ele escreve eu adoro devorar.
Não sei porquê, mas há algo na escrita de viagens em Inglês que empresta a este género literário um carácter especial que não encontro em mais nenhuma literatura de viagens noutras línguas. E gosto, sobretudo, de quem escreve a viagem de forma despretenciosa, como um hábito e não como um luxo na arrogância de "eu viajo e tu lês o que eu escrevo sobre onde eu estive e tu não". Detesto o viajante soberbo. O viajante que não vê o detalhe, que vê o sítio como um ponto que existe só para: estive aqui.
Há uma máxima que diz: "to travel is to kill places". Concordo porque vejo as pessoas que viajam na voracidade da fotografia. Vão e já está. O Bryson é tão nada disso...

3 comentários:

João Afonso Machado disse...

Ramalho Ortigão, Ramalho Ortigão...

magiztik disse...

Nunca fui grande leitor de livros, de cadernos de viagem, de roteiros gastronómicos e tutti quanti… também nunca fui lá muito com o Homero, com o Gulliver, nem com o marco Paulo (não estou me referindo ao pimbalhão) :p


Por acaso li (mais por insistência e porque me emprestaram que por vontade) neither here nor there: travels in Europa e “a short history of nearly everything “.

O primeiro é uma plêiade, para não dizer uma diarreia, de estereótipos, de clichés baseados em lendas e de mitos urbanos. O humor não apaga a pacóvia e a incultura. Na boa, levo mais de duas décadas viajando pelo mundo... Sai do meu norte natal enganchado às traseiras de um camião com um saco cama na mochila. Da fome à opulência... dos InterRail aos charters e às first class... dos bancos públicos aos king size bed... o gajo não sabe do que fala... e como sempre só os idiotas vendem bem.. :))

O segundo, ora pois, num sou cientista :)... Bem, fiquei a saber que quando a elite feminina aspirja Chanel n°5 espalha sobre a pele remanescentes indigestes... o âmbar cinza é concreção que se encontra nos intestinos do cachalote... rejeitada da coco chanel... amazing :) Também fiquei a saber que o peso de um travesseiro velho de 5 ou 6 anos é composto por metade de peles mortas, de ácaros e das suas dejecções... digno de um premio nobel de biologia com a antiga quarta classe :)

Bom, o gajo fala do que quer e como quer... Freedom of speech...Usa o sarcasmo, o humor para se dar uma de superior… na realidade in my opinion não passa de palhaço ignorante... ainda bem que não gastei os meus tostões.

antonio ganhão disse...

"...uma viagem pelos utensílios e coisas que têm feito o quotidiano da vida humana..." Blonde, descobrindo os afazeres quotidianos de uma dona de casa. Certos livros precisam da nossa maturidade para serem lidos.