13 de outubro de 2011

Outra vez os mesmos

João Confraria tem razão: os melhores da Função Pública vão ir embora, o que vai acontecer depois? Eu acrescento: quando os bons médicos, os bons professores, os magistrados, os quadros intermédios migrarem para o privado ou emigrarem para outras economias, o que vai acontecer ao país? Que tipo de Estado vai ser o Estado Português?
Como meio-alemã, assombram-me frequentemente fantasmas históricos com os quais cresci em receios de bicho-papão. Temo-os no presente e temo-os neste país. Em sociedades garroteadas o caminho totalitário desimpede-se.
Como funcionária pública sinto-me hoje culpabilizada pela crise, bode expiatório de uma sociedade que respira de alívio por haver funcionalismo público que aguente o embate. Pergunto-me o sentido do que faço numa sociedade que talvez não queira o que faço.
Como cidadã surpreendo-me a pensar onde andarão os responsáveis políticos que aqui nos trouxeram, o que pensarão das suas acções e penso na sorte que têm ser portugueses numa terra de brandos costumes e amplas impunidades.
Como portuguesa... como portuguesa envergonho-me pelo dia de hoje e preocupo-me por mim e por todos nós na faixa denominada média da sociedade.
Sei que não vou conciliar o sono hoje e em muitos dias por vir.

9 comentários:

André Couto disse...

Não vim cá para contrariar, apenas para partilhar as minhas opiniões.
Afinal não é para isso que cá estamos?
Sejamos sinceros. Estávamos à espera de quê? Figos?
Confesso que admiro a honestidade de me olhar nos olhos enquanto me apertam um testículo.
É de Homem.

O estado do Estado é calamitoso, podemos afirmar que o sabemos, ainda que por apenas no-lo terem dito. Estamos falidos. O empréstimo que pedimos chega em controladas fatias e só se nos portarmos bem.

Qual seria a alternativa? Uma solução exequível, entendamo-nos?

Há pouco tempo os media ejaculavam tumultos e revoluções, greves e procissões, o rebentamento do dique que contém os vândalos e cabrões.
Nada disso, para já, acontecerá.

O Povo português é extremamente singular. Tem características únicas moldadas pela sua História. Sim, o fado. Sim um trauma carneirista fascizóide,pois claro. No entanto somos um povo determinado. Encornado, se quiserem. Não vamos para onde os outros querem, não seguimos, muitas vezes, pelo caminho que só a nós mesmos beneficiaria seguir. Não somos muito espertos. Mas somos teimosos. Encornamos.

Nas passadas eleições o memorando de entendimento com a troika foi subscrito por todos os eleitores, não tenhamos a mais pequena dúvida. Se PS, PSD e CDS firmaram, com tinta, o documento, no último acto eleitoral o Povo de Portugal rubricou esse mesmo tratado, não com tinta, mas com o seu sangue. Os Partidos que escolheram a errada estratégia de se porem de parte na negociação com o triunvirato foram, sem o esperar, postos de parte nos votos dos eleitores.
Sim temos os votos no PCP, mas esses sempre os mesmos. (Não critico, notem bem, apenas o constato.)

Por tudo o que expusemos até ao momento a conclusão a retirar é por demais evidente:
A margem de manobra deste Governo é total. Não tenho medo de o afirmar. Reitero-o, pois!
Estamos, enquanto nação, dispostos a sangrar por este país.
Não haverá tumultos, a não ser os politicamente organizados.
Não haverá pilhagens e anarquia. Portugal está encornado em seguir o rumo que a maioria diz ser o único.

Até ao último limite.
A crença.
Quando e se os portugueses entenderem que tanto sacrifício não serve para resolver o problema, meus amigos, a reação será explosiva e incontrolável. Não haverá cacete capaz de segurar um luso enrabado e sem esperança.
Como diria o Bush (pai ou filho, é indiferente):
Make no mistake.

Fernando Lopes disse...

Os funcionários públicos são os bodes expiatórios. Mas acho que PPC quando falava em "tumultos" já tinha isto na manga, o que só o descredibiliza ainda mais.

Abobrinha disse...

Blonde, a culpa não é dos funcionários públicos em si. Isto é como ter um patrão que, durante anos e anos, geriu mal a empresa. Os funcionários deram o que tinham para dar (uns melhor, outros pior), mas todos apanham por tabela porque há que reduzir despesas.

É disso que se trata: reduzir despesas. A culpa está em quem contratou demais, pagou o que não podia e cuidou em geral mal da empresa. Mesmo assim, a "vossa" empresa não fecha. Ou pelo menos, esperemos que não.

Uma coisa é certa: não creio que alguém anunciasse uma bomba destas sem que fosse mesmo necessário. E, francamente, não me custa acreditar nos buracos que encontraram. Qual Madeira, qual saúde? Basta olhar aqui para o burgo e para os desmandos com o dinheiro que se cometeram. E, ainda assim, tenho a perfeita consciência que não somos (de longe!) os piores...

Goldfish disse...

Blonde, nem sei por onde começar. Por isso digo que o André Couto diz umas boas e grandes verdades.

De resto, os bons profissionais irão para o estrangeiro (se o amor cego a esta pátria o permitir) porque no privado não há quase nada, e menos irá haver. O Estado será o que sempre foi desde ...(e estou aqui indecisa entre que reizinho nomear como começo do descalabro). E "em sociedades garroteadas o caminho totalitário desimpede-se". E eu temo, tal como temo uma guerra.

Não te sintas culpabilizada, a não ser que aches que não fazes o melhor que podes na tua posição. E, acredita, não estão a ser só os funcionários públicos a aguentar o embate. Já seria mau de mais se fosse, sendo que somos muitos mais, temo (outra vez a palavra) que PT páre.

Os responsáveis políticos estão todos onde sempre estiveram: em mais um poleiro. E esta expressão pode ser popularucha mas é a mais pura das verdades. Vê onde estão Cavaco, Jardim, Isaltino, os Soares e, daqui a uns tempos, o Sócrates.

E bem que nos podemos preocupar todos por esta "faixa denominada média da sociedade" e pela baixa que vive do suor do seu trabalho.

Boa sorte, já que nada mais parece poder ser de utilidade.

antonio ganhão disse...

Mas, não sentem o país a erguer-se?

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Os funcionários públicos são os bombos da festa e fazem parte da estratégia de PPC de destruir o EStado, colocando os cidadãos na dependência do sector privado.
PPC apenas está a cumprir a estratégia do seu mentor, Ângelo Correia

António de Almeida disse...

Prefiro menos Estado, pagando um valor justo aos funcionários públicos, mas apenas aos que forem estritamente necessários, a manter metade da população a viver directa ou indirectamente na sombra do Estado, pagando cada vez menos a todos eles...

A.B. disse...

Estamos a entrar na demagogia com uma facilidade assustadora.
A culpa é dos funcionários públicos? Claro que não, há bons e maus. A culpa foi do crédito? Claro que não, foi do mau crédito. A culpa foi dos políticos? Só dos maus.
Mas agora, neste estado a que chegámos, é tudo nivelado por igual. A culpa é dos patrões, dos empregados, do Estado, dos privados, dos votantes, dos não-votantes. Ninguém viu e ninguém vê. E há sempre quem saiba aproveitar a cegueira.
É muito perigoso.

João Azevedo disse...

Os mesmos? Não agora é outro. Ritinha desmanchadinha de lol