14 de novembro de 2011

Ela

Vejo-a chegar e reparo-lhe os movimentos. Mecânicos de quem já ali chegou milhões de vezes. Perguntam-lhe o motivo da ausência. Responde que foi à guerra. Sorri sem ser um sorriso. Presumo que sim, que foi à guerra.
No gesto mecânico pesa-se. Vejo 48 na balança e visualizo-a apenas um traço fino escrito no mundo. Pergunto-me como é que um risco daqueles pode ir à guerra.
Entra na sala do ginásio. Tem a cara fechada na concentração que a escuda do resto do mundo. Reflecte-se no espelho e vejo-a nos movimentos leves e ritmados que já fez vezes sem conta. Não se engana. Parece mesmo um risco: solto e leve, pronto a voar a qualquer momento.
Foi à guerra e regressou. Eu vejo-a e só posso imaginar.

5 comentários:

João Azevedo disse...

Eu também fui à guerra e fiquei desmanchadinho de lol

Daniel Santos disse...

muito bom.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Quem vai à guerra...
Obrigado pelo incentivo lá no CR

Ältere Leute disse...

Guerras há muitas, não é?...Preciso é vencê-las uma a uma!

mfc disse...

A vida é uma guerra contínua... e não há ginásio de reabilitação!