16 de março de 2012

Um bocadinho como a Karen Blixen

Quando chegou a África, sem experiência agrícola nenhuma, a Karen Blixen deparou-se com uma sucessão infinda de maus anos agrícolas, más decisões e as consequências óbvias da sua impreparação. Eu sinto-me um pouquinho assim neste meu primeiro ano agrícola.
A falta de chuva não deixou semear nada, agora chove mas não é suficiente para repor humidade nos solos ressequidos e duros. Vai ser preciso lavrar tudo outra vez porque, à conta desta água, vão brotar mais ervas daninhas do que se possa contar. Não sei o que se possa semear nesta altura do ano. Não faço a mínima de nada. Nem sei mesmo se ainda se vai a tempo de se fazer qualquer coisa.
Isto da agricultura tem muito que se lhe diga: se não é o tempo, é a conjuntura, se não é a conjuntura, é o tempo e assim sucessivamente e eu só me admiro que ainda haja gente disposta a enfrentar semelhante desafio.

7 comentários:

Turista disse...

Querida Blonde, ainda vamos a tempo de semear as ervilhas e feijão! Para a semana, vamos começar a nossa lida, também.:)

mfc disse...

SE comprares, em qualquer quiosque, o "Borda D'Água"(ou o "Seringueiro"), vêm lá todas as dicas necessárias.

zana dias disse...

Alguém tem de o fazer.De correr o risco.Afinal, é o nosso sustento.

zana dias disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Peter disse...

"Isto da agricultura tem muito que se lhe diga: se não é o tempo, é a conjuntura, se não é a conjuntura, é o tempo e assim sucessivamente e eu só me admiro que ainda haja gente disposta a enfrentar semelhante desafio."

Tens razão, mas se não o fazemos e se não há dinheiro para importarmos o que comemos, como vai ser?

Bom fds

A.B. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
A.B. disse...

Lol. Eu desisti. Demorei 30 anos, mas desisti. Há modos menos masoquistas de perder dinheiro. E tempo.
Tanto quanto sei, a agricultura já só é eficiente em duas situações: muito pequeno, e frequentemente no mercado paralelo (do tipo só a família e zero empregados), ou conglomerados como a Unilever, geridos de tal modo que quase dispensam mão-de-obra.
Pelo que tenho lido neste blog, não sei se a Blonde terá paciência para aturar um "Engenheiro Agrónomo" dizer-lhe que vai ser penalizada em toda a área semeada, por ter ultrapassado o número máximo de árvores por Ha numa parcela.
A parcela tinha, e acho que continua a ter, 30 metros quadrados, e segundo as contas do ministério e seus doutos funcionários, albergava - segure-se - 130 azinheiras ADULTAS.
Estou a dizer-lhe isto porque eu, "acabou-se-me" a paciência para explicar a um imbecil - com poder para me acabar com o negócio - que em tal área nem caberiam dignamente 130 COUVES : )
Dou-lhe uma sugestão; se não percebe patavina do que está a fazer, faça um contrato de arrendamento aí por uns 3 anos com algum lavrador competente, e veja o que ele faz.