21 de novembro de 2012

Ainda o (des)Acordo

Congratulo-me que haja gente com voz pública contra o Novo Acordo Ortográfico. Louvo o Vasco Graça Moura, o Miguel Sousa Tavares, o António Feijó e os outros e outras que lhe resistem. Não é que eu seja contra só por embirrar com a mudança. É, pura e simplesmente, porque acho uma palhaçada a imposição formal e legislada de mudanças numa língua. Onde já se viu que o Inglês se vá harmonizar, logo o Inglês que tem dezenas de variantes? Quem, no seu juízo, se lembraria de acabar com o Caribbean English, o Australian English ou mesmo as variantes mais exóticas do Spanglish e Chinglish e assim perder a riqueza que emprestam à Língua Inglesa no seu todo? Porque é que nós temos de dar uma marretada numa língua milenar que, mesmo sem Novos Acordos, acabaria, e acabará sempre, por evoluir por processos naturais? Porque é que precisamos desta palermice enjeitada e disforme?
Pasmo com os cérebros da língua portuguesa como pasmo com os cérebros da política à portuguesa que permitem semelhante barbaridade. Quem é esta gente face à Língua que estropiam tão impunemente? Mas quem se julgam perante os falantes de Português?
Subscrevo o que o Vasco Graça Moura escreve hoje no Diário de Notícias: "estão a ser aplicadas não uma, mas três grafias da língua portuguesa. A correcta, em países como Angola e Moçambique, a brasileira (no Brasil) e a pateta (em Portugal e não se sabe em que outras paragens)." E dou-me por feliz que a minha escrita académica, o que escrevo e publico, seja feito em inglês. Já publiquei em American English, já publiquei em British English e até já publiquei em Australian English e nunca me incomodou dar atenção a uma ou outra grafias. Não senti jamais uma qualquer irritante necessidade de homogeneidade dessa língua que falo no meu quotidiano. Porque é que tem de ser assim com a língua que eu tive de aprender aos seis anos para me socializar neste país e que, entretanto, aprendi a amar e a compreender na sua grandiosidade? O que é que de tão errado tem esta Língua que precise de génios iluminados a esquartejá-la e a forçá-la àquilo que não é? E se dissessem ao Eça, ou pior, ao Ramalho, para escreverem com o Novo Acordo? E se dissessem ao Machado de Assis ou ao Jorge Amado para escreverem à portuguesa?
Pasmo... E irrito-me.
A crónica de Vasco Graça Moura aqui

3 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

O Acordo Ortográfico é, em minha opinião, apensa mais uma imbecilidade de quem decide os nossos destinos.
Poucos serão o que o cumprem, para além daqueles que são obrigados a fazê-lo- os funcionários públicos- e os que o apoiam veementemente.
Reconheço, no entanto, que já começo a omitir os c e p mudos, por imposição do Word...

Rafeiro Perfumado disse...

Serei sempre um resistente a este acordo, pois a língua deve evoluir de dentro para fora, não de fora para dentro. Estou destinado a ser visto como alguém que escreve com erros, mas que se lixe. Beijoca!

Ana, Playground Love disse...

Subscrevo por completo! É bom saber que há mais quem pense desta formo. Eu ainda sou das pessoas que escreve da tal forma "correcta", que agora até é considera errada por muitos. Acho que não tarda tudo isto volta atrás e sinceramente é pura e simplesmente ridículo ver que certas pessoas aceitaram inclusive o novo acordo e o utilizam no seu dia-a-dia. Tantas vezes se fala de tomar uma posição, manif's para aqui e para ali; esta é a posição mais fácil e simples de tomar: simplesmente não o utilizem. It's that simple.