25 de fevereiro de 2013

Pobres de nós (todos)

A edição impressa de O Público de hoje refere que o ensino superior já perdeu mil professores desde o ano passado. Mil professores! Mil num universo que é um centésimo dos professores dos outros níveis. Conheço-os, os que saem. Quem pode pede reformas antecipadas sem se preocupar se fica a perder rendimentos ou não. Quem pode emigra, sobretudo para o Brasil. E quem ainda não saiu considera a hipótese. E não se pense que quem está a sair são só os professores mais velhos em fim de carreira ou os mais jovens em início. Quem está a emigrar são os professores no auge das carreiras, a mais-valia que sustenta a investigação e a leccionação nas universidades: o músculo.
Se me admiro: não. Se me preocupo: imenso. Penso na desagregação social que se vai processando neste país. Penso no desmantelamento das instituições, no futuro arrestado. Penso em notícias como as do Expresso dando conta de que os únicos salários que têm descido neste país são os dos licenciados. Penso na lata que devo ter quando tenho alunos que vão ser esses tais licenciados. E depois penso que ninguém percebe ou quer perceber estas coisas.
Pobre país que acha que a educação é um luxo...

1 comentário:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Diria mesmo mais, Blonde. Pobre país cujos governantes se licenciaram sem por os pés na Universidade e pensam que comer duas refeições por dia é um luxo.