26 de abril de 2013

O meu 25 de Abril

Nunca comemorei o 25 de Abril. Em primeiro lugar porque não considero que se deva comemorar algo que são direitos inalienáveis dos povos: liberdade e democracia. É inato à condição humana e ponto final. Em segundo lugar, porque o 25 de Abril me lembra os abusos cometidos em nome da liberdade, a liberdade que não reconhece que a minha pára onde a do Outro começa, a que a minha família se viu sujeita nos dias tumultuosos que se lhe seguiram e de que nunca ninguém fala. A casa vandalizada. O carro do Pai vandalizado. Escreveram-lhe "fascista" na pintura e atiraram-lhe um tijolo aos vidros quando ele teve o azar de ir a uma reunião aos Estaleiros de Sines. Tempos duros.
Ontem, não foi excepção. Não comemorei nada. Trabalhei até às quatro e meia da tarde. Depois fui caminhar por estes campos. A estação mudou e há mantos relvados e flores bravias em cada nesga de chão. Vento ameno de sol morno. Esse foi o meu 25 de Abril. E essa, entendo, é a minha suprema liberdade: poder fazer da vida o que me apetece.
Porém, ontem pensei na data. Vejo a democracia e a liberdade a escoarem-se por entre uma sociedade definhante e esboroada. Palavras vãs, todas. Cravos encarnados como meras decorações obrigatórias de lapelas. Aceitamos políticas não sufragadas. Vivemos sob a canga como em outros tempos. A Europa manda. A Economia manda. O baronato financeiro manda. Mas o povo, não o povo do conceito esquerdista, mas nós, uma nação de gente que se perde na História e criou um país, não manda nada na nação que ergueu contra Mouros e Castelhanos, contra ditaduras e crises sem fim. Nós estamos perdidos em parte incerta. Talvez precisemos mesmo de um novo 25 de Abril e ontem não foi nada que até a memória do 25 de Abril já perdeu a força.

2 comentários:

Cristina Torrão disse...

Pois, esse é o outro lado do 25 de Abril de que também se devia falar.

Antonio Correia disse...

Bom texto

a data que falas talvez seja o 25 de novembro.

a data que para o bem ou para o mal deu a este país a Liberdade. Liberdade para cometer todas as asneiras, mas em Liberdade.

Nem fascismos nem comunismos. Somos livres de traçar o nosso caminho !

Este é o meu lema !