20 de dezembro de 2016

Dia 9: a Estrada para Chaco

Se o Novo México tem três denominações de Património Mundial UNESCO, quero ir a todas. Já estive nas impressionantes Carlsbad Caverns, levei um balde de água gélida pela espinha abaixo em Taos Pueblo. Resta-me ir ao sítio arqueológico da Cultura Chaco, uma daquelas civilizações antigas e misteriosas que desapareceram sem que se saiba porquê. Estou curiosa, muito. E empolgada porque ruínas arqueológicas e mistério convoca em mim a menina das trancinhas louras que deixei na infância mas que trago sempre comigo e que queria ser cientista.
Sou bem avisada que chegar ao Parque da Cultura Chaco é o cabo dos trabalhos. É um dos parques nacionais mais inacessíveis e, por isso, menos visitados. Nada que me demova, claro. Não há estrada pavimentada até Chaco, não há bombas de combustível nem sítios para parar. As 21 milhas de estrada que não é uma estrada mas uma picada ao estilo africano levam quase duas horas a ser percorridas à velocidade de caracol. Ora são as vacas, ora as crateras, ora os leitos de aluvião (ainda empapados das últimas chuvas).
  A meio do caminho começo a pensar se não vou chegar a Chaco e ter outra decepção enquanto imagino o duro percurso de regresso: as mesmas vacas, as mesmas crateras, os mesmos leitos de aluvião. Acho que talvez me tenha chagado a perguntar o chavão-feito: "Mas onde é que me vim meter?"
 E se há um furo num pneu? E se cai a noite? E se desata a chover numa daquelas tempestades repentinas do grande interior americano? Olho para o céu a cada curva. Os telemóveis não apanham rede. Não admira que ninguém aqui venha. Venho eu.
E quando a estrada já se tornava intolerável, ei-la, a entrada para o passado.
Cheguei!

1 comentário:

Dalma disse...

Como já lhe disse uma vez tive uma aventura semelhante ao atravessar o Death Valley, só com uma diferença, não corríamos o risco de cair chuva, nem forte nem fraca!
Para ser sincera, acho que não repetia!