27 de dezembro de 2016

George Michael, I'm Inconsolable...



I spent more years having you alive in my life than I had a living Mother. Stupid how things are, the things we take for granted and that suddenly aren't anymore. So stupid...
I'm grieving as though you were a close relative, a loved one in my inner circle of few loved ones. But you were a relative who kept me company so often and for so long. I still can't come to terms with referring to you in the past. I read the news and I'm still perplexed that the man who died is you and not somebody else. Disbelief. Denial. Rage. All those grieving stages I've covered but I don't know when the last stage will happen. Accepting you died and that you are not just secluded away from the world... that's a tough one.
Never have I cried over the passing of a public figure. Not until you died. I cried the entire morning of yesterday. I cried until a loved one, from a time much after you happened to me, took me out to do things that might distract me from the pain of you. Little, momentary solace. The morning today still found me inconsolable. I read all the wonderful obituaries, the eloquent words that now say you were the greatest amongst the great of this Earth but they don't quite mean what you mean to me. Now they are making an activist out of you. Imagine, you an activist! How so very stupid too. They are condensing your genius into a label that you did not seek.
For me, you are not the George Michael of LGBT activism, the George Michael of tabloid scandal. You are the George Michael that pioneered the Boys Bands that sing "Inconsolable". You are the George Michael of the songs that reflected my growing up and were simultaneous with the process of my coming of age. You are the George Michael of incredible vocal range and talent as songwriter of the modern classics. You are pop and every bit the embodiment of what pop is. My heart will always and forever love you but for now I'm inconsolable...
RIP (even if I can't say that just now, not yet...)

26 de dezembro de 2016

George Michael, 1963-2016



Nunca pensei escrever este post. Acho que nem tenho palavras para o choque. My childhood died today. My teenage idol died e eu perco uma parte de mim... I cannot believe this!
Rest in peace thou greatest of artists, my undying memory. Thank you for everything.
Thank you...

20 de dezembro de 2016

Dia 9: a Estrada para Chaco

Se o Novo México tem três denominações de Património Mundial UNESCO, quero ir a todas. Já estive nas impressionantes Carlsbad Caverns, levei um balde de água gélida pela espinha abaixo em Taos Pueblo. Resta-me ir ao sítio arqueológico da Cultura Chaco, uma daquelas civilizações antigas e misteriosas que desapareceram sem que se saiba porquê. Estou curiosa, muito. E empolgada porque ruínas arqueológicas e mistério convoca em mim a menina das trancinhas louras que deixei na infância mas que trago sempre comigo e que queria ser cientista.
Sou bem avisada que chegar ao Parque da Cultura Chaco é o cabo dos trabalhos. É um dos parques nacionais mais inacessíveis e, por isso, menos visitados. Nada que me demova, claro. Não há estrada pavimentada até Chaco, não há bombas de combustível nem sítios para parar. As 21 milhas de estrada que não é uma estrada mas uma picada ao estilo africano levam quase duas horas a ser percorridas à velocidade de caracol. Ora são as vacas, ora as crateras, ora os leitos de aluvião (ainda empapados das últimas chuvas).
  A meio do caminho começo a pensar se não vou chegar a Chaco e ter outra decepção enquanto imagino o duro percurso de regresso: as mesmas vacas, as mesmas crateras, os mesmos leitos de aluvião. Acho que talvez me tenha chagado a perguntar o chavão-feito: "Mas onde é que me vim meter?"
 E se há um furo num pneu? E se cai a noite? E se desata a chover numa daquelas tempestades repentinas do grande interior americano? Olho para o céu a cada curva. Os telemóveis não apanham rede. Não admira que ninguém aqui venha. Venho eu.
E quando a estrada já se tornava intolerável, ei-la, a entrada para o passado.
Cheguei!

17 de dezembro de 2016

Dia 9: Cuba

A estrada aberta e desconhecida tem destas coisas. De repente, estamos em Cuba. Não a do Alentejo, não a cubana do Caribe mas uma Cuba com pouco "salero" enfiada no Novo México.
Viva Cuba libre!

12 de dezembro de 2016

Dia 8: Ojo Caliente

Em Fort Davis, no Texas, disseram-me para visitar Ojo Caliente quando fosse para o Novo México. Cai a tarde quando chego na curiosidade de experimentar a água quente que brota da terra. Têm fama estas nascentes e, pelo estacionamento lotado, vejo que também devem ter o proveito da fama. 
Experimento a água e é quente. Faz-me lembrar as fontes termais quentes nos oásis do Sahara. Só que no Sahara a água é livre e os turistas poucos. Aqui fizeram um spa pseudo-chique que aprisiona a água em piscinas para banhos de relax e banhos de energização e banhos detox. Acho tudo uma palhaçada embrulhada em música chill out de flauta de pã que se ouve pelo recinto inteiro. Fujo a sete pés sabendo que não quererei regressar. O meu detox não é isto.

8 de dezembro de 2016

Dia 8: Mad Max

Uns quilómetros depois de Rio Grande Gorge, a planície ganha uma dimensão de filme futurista. Salpicando a paisagem, casas dispersas saídas de um qualquer pós-apocalipse. Imagino que seja uma daquelas comunidades alternativas auto-sustentadas.
A arquitectura das habitações não segue padrões ditos convencionais e a abundância de painéis solares diz-me que os seus residentes vivem off the grid (fora da rede). No entanto, os carros são convencionais motores de combustão interna e, por isso, poluentes. Lá se vai o não-convencionalismo borda fora! Olhando melhor, as casas vistas ao longe, parecem montículos gigantes de cães da pradaria. Mas quando o olhar se aproxima, ou elas se aproximam do olhar do viajante, parecem-me algo como Dalí conhece Mad Max.
Estou tão longe de tudo e os meus olhos tão cheios de tudo que a estranheza deixou de me ser estranha. Prossigo a viagem já não na vertigem de quem se quer desintoxicar e bater caminho mas na calma de quem vai respirando o caminho. Dou graças, sempre e em toda a parte.

5 de dezembro de 2016

Dia 8: Rio Grande Gorge Bridge

A planície estende-se até ao fundo do horizonte e ainda venho a pensar em Taos Pueblo quando, de súbito, uma ponte inesperada atravessa a vertigem de um canyon emboscado. A adrenalina acelera-me o ritmo cardíaco. Reconheço este sítio de todos os filmes do Oeste, de todos os documentários do Oeste. Este é o desfiladeiro do Rio Grande. A surpresa máxima e última que este rio me tem reservada. A planície plana cortada a pique e de um sopro. Percebo a cena típica do cavaleiro cowboy que pára de repente porque de repente o desfiladeiro mortífero se abre a seus pés. Percebo nitidamente o perigo e de onde vem a cena. Nada na paisagem deixa perceber que este colosso a atravessa.
Lembra-me o Grand Canyon (das minhas saudades) em miniatura, como se houvesse algo miniatural aqui neste portento da Natureza. Venço as vertigens que me assolam em momentos destes (quantas mais não terei nesta viagem por uma paisagem de Cíclopes?) e absorvo a paisagem. Encosto-me aos rails da ponte metálica e tiro fotos sem olhar para focar. Toda eu sou adrenalina e medo e alegria inquantificável. Isto não estava no programa mas é o inesperado sublime.
Que grandioso é o Oeste... Dou graças, sempre e novamente, pelos privilégios que me trazem aqui. A humildade perante as Graças faz-nos apreciar plenitudes. Sou turista sem que o queira ser. Acrescento este momento de paisagem abissal aos retalhos de paisagens que me compõem a mente e o coração e me enchem de mundo. Será isto que levarei da Vida.

1 de dezembro de 2016

Dia 8: Taos Pueblo

Finalmente chego. O Novo México é o estado dos Estados Unidos com mais atribuições UNESCO, três. Irei a todas, determino. Já estive nas Carlsbad Caverns a confirmar porque é que são Património da Humanidade e agora chego a Taos Pueblo cheia de curiosidade e expectativa.
Taos Pueblo é o símbolo máximo da cultura pueblo, as tribos nativas-americanas sedentárias que cultivavam os campos e construíam casas de adobe. Taos pertence aos Red Willow People (Povo do Salgueiro-Encarnado) e é totalmente administrado por ele.
Trago na mente as fotos que vi na net, as descrições da história deste povo. Venho curiosa e... de pé atrás. Em muitas outras ocasiões já vi o que é a cultura nativa ser apropriada para o turismo sem que os efeitos dessa apropriação sejam positivos. Ainda o ano passado saí disparada e sem vontade de nada da Reserva dos Miccosukee na Flórida. O artificialismo dá-me nojo real mas, no caso de Taos, venho com a esperança que uma denominação UNESCO seja motivo de preservação cultural e identitária.
Pago os dezasseis dólares de admissão (esperando que o dinheiro seja usado para a manutenção da aldeia) e espero, porque continuo a querer ter essa esperança, que as minhas expectativas não sejam os meus receios.
Tive a mesmíssima sensação nas pirâmides no Egipto. A vandalização do passado é brutal. O turismo uma violação. Olho em busca das imagens que trago na mente só para perceber que as fotos da publicidade são manipuladas. Nenhuma das minhas fotos se compara remotamente às fotos dos anúncios porque os meus olhos não vêem nada parecido com os anúncios. Vejo pobreza. Cães escanzelados. águas despejadas nas ruas. Carros e mobílias velhas ao abandono. Turistas lânguidos e desinteressados. Nativos-americanos lânguidos e desinteressados. Ainda entro em algumas casas à procura de algo autêntico. Todas são lojas que vendem os pseudo-artesanatos para turista levar. Quero tentar-me por alguma coisa mas não consigo. Queria levar algo de Taos que me ligasse a uma civilização original e autêntica mas não há nada que opere essa ligação.
 Numa casa já ao final da minha visita encontro dois ursinhos de barro preto abraçados. Lembram-me os ursos das histórias de Jackie, O Urso de Talak que eu via quando era miúda. A dona da loja vê-me a apreciar os ursos e diz-me que são o símbolo nativo para o amor entre irmãs. Encontro a ponte entre Taos e eu. Mando embrulhar os ursos em papel plástico de bolhinhas. Perguntam-me de onde venho. Digo que venho do Texas:
- Ah, that is far. - Oiço em resposta antes de acrescentar que venho da Europa. Ficam em silêncio quando ouvem a minha real proveniência. O que pensariam se lhes dissesse Portugal?
Deixo Taos feliz por ter vindo e feliz por partir. A devassidão molesta-me mas a curiosidade saciada preenche-me a cabeça. Acho que a UNESCO não chegará para salvar Taos do que aconteceu ao povo nativo-americano. Coisas da História que a História fez e o presente não emenda. Cheguei, vi e parti. Tenho, porque tenho de ter, esperança que a minha próxima paragem em território nativo não me decepcione ou não me fira...