20 de maio de 2010

Boy, am I excited

've just seen the man... Boy am I excited!

Acho que não vão perceber o post, mas estou em presença de um father figure, guru, etc. da minha área de pesquisa. Acho que voltei aos 14...
xiu, que vou ouvir com muita atenção.

15 de maio de 2010

Post com louro




Não louro de louro, mas louro de louro, daquele do loureiro do jardim. Nunca tinha visto uma taça com folhas de louro mas quando vi achei tão incomum que aqui fica.

14 de maio de 2010

E o que é que eu retive da visita do Papa?

- Que o IVA vai subir;
- Que vou ficar com menos 45 euros no salário, mais coisa menos coisa (desconfio que para mais do que para menos);
- Que o matrimónio é indissolúvel (sim, por isso é que a Santa Sé vai levar com um certo pedido de nulidade de um certo não-casamento). E, desculpe lá Santo Padre, mas isto é de um atavismo medievo até dizer basta.

Ai, que fúrias, meu Deus!

12 de maio de 2010

Não-aniversário

Ocorreu-me mesmo agora. No fortuito. No trivial quotidiano. Escovando os dentes a olhar para o espelho, no gesto mecânico. Lembrei-me que não me lembrei este ano do dia do meu não-casamento. Já passou quase um mês sobre a data e passou por mim como nada. Esqueci-me total e naturalmente.
Fiquei feliz no esquecimento. Tão feliz...

10 de maio de 2010

E o que é que eu acho desta visita Papal?

Eu não acho nada.
Estranho, se pensarmos que eu fui duas vezes ao encontro de Wojtyla, que sofri a sua morte como a de alguém da minha família, que lhe admirei o calvário que me doía na alma como caminhada para o Gólgota à qual eu e todos assistíamos impotentes. Naqueles tempos, para usar a expressão missal, eu tinha uma fé inabalável. Dei-me conta de que a tinha ainda pequena. Acho que a encontrei nas minhas solidões de miúda que lia muito fechada na biblioteca com cheiro a século XIX dos meus avós maternos e de miúda que se perdia tardes inteiras entre silvados de amoras, rios secos no Estio, e a grande Natureza em que os meus Pais tiveram a felicidade de me criar. E, por uma coincidência cósmica, quando eu descobri a fé, ou melhor, a crença em alguma coisa de infinitamente inexplicável e boa, um algo completamente transcendente e perfeito, eu tinha ali aquele Papa, aquela figura que me lembrava o Jesus das multidões e dos milagres do pão e do peixe. Um Papa que falava quinhentas línguas e viajava incessantemente, um Papa que era alvejado e que peregrinava. Claro que tinha a mentalidade conservadora em extremo das pequenas coisas que me irritam na Igreja dos Homens: o celibato sacerdotal, a não ordenação feminina, a infame campanha anti-anti-contraceptivos e essas mesquinhezes que afastam muita gente do encontro com a religião. Mas, Wojtyla contornava tudo isso com a sua naturalidade de estar connosco: nós, as bases da Igreja, nós os esfomeados de pão de fé.
E tinha também a Mãe para me ajudar no meu caminho porque Ela tinha aqueles vastíssimos horizontes culturais e aquela maneira particular de abordar comigo o tema da religiosidade. Nunca, nem com padres, nem com catequistas, nem com ninguém, eu alguma vez alcancei a profundidade dos debates que eu e a Mãe tínhamos sobre o transcendente. Sendo uma acólita do Cientismo, que eu também professo, Ela conseguia dar um corpo à crença religiosa e à existência cabal de Deus que ainda hoje me surpreende. Tinha aquela visão depurada por anos e anos de pensamento e, portanto, quando conversávamos sobre a coisa teológica as horas passavam e as tardes viravam crepúsculo regadas a cacau quente ou limonada dependendo das estações.
Eu cresci e tornei-me assim num alguém maravilhado ante a religião e na certeza de Deus. Não tenho o espírito tão peculiar da Mãe, moldado no cadinho do Evangelismo alemão e do Catolicismo português. Ela seria, porventura, de índole mais ecuménica do que eu. Mas seja como for, entre aquele Papa e Ela eu nasci para a religião.
E foi a religião e a âncora da crença no divino que me mantiveram à tona quando Ela morreu e eu entrei de rompante como nunca antes pela Igreja dos homens adentro e passei a fazer leituras na Missa, a cantar no coro e a dar catequese. Era como se, ao mesmo tempo, eu tivesse de dar um pagamento a Deus e à religião pelo auxílio que me davam ao espírito partido pela dor e, por outro lado, como se fossem o meu refúgio seguro contra a dor, o abrigo onde eu encontrava consolo. E sempre encontrei consolo.
A Mãe partiu. Wojtyla partiu. (Até o Pe. Faustino mudou de paróquia).
É como se o Tempo tivesse mudado a página para uma nova era. Não me reconheço nesta orfandade. Recolhi-me de um espaço público para um mais privado. A minha fé é intimidada por este Papa cerebral em excesso. Não percebo a histeria dos outdoors que estão colocados por essa Lisboa fora e que dizem patetices de fé miudinha como "Rezar foi o Pai que me ensinou", "Esperar foi o Pai que me ensinou". Não percebo a postura do governo em dar "folgas " e pseudo-feriados só porque este Papa vem cá. Pergunto-me, então, onde estaria o governo nas vezes em que Wojtyla cá veio. Eu, por mim, vou ficar agarrada ao pc a preparar papers para conferências enquanto o Papa por cá andar e durante estes feriados, providenciais para o meu trabalho diga-se de passagem.
O que é que eu acho de o Papa cá vir?
Nada. Não acho nada. E também não acho o sítio onde coloquei a minha fé de outros dias. Sei que a não arranquei de mim, mas anda adormecida, dormente algures e eu não sei onde. Às vezes questiono-me sobre onde ela andará e porque é que me não assoma à alma com aquela força e aquela presença de outrora e não me provoca os arrebatamentos que me levavam a Santiago de Compostela e a Finisterra. Ando vazia de fé num vácuo que não reconheço. E o mais desconcertante é que não me apetece ir à procura da fé que se escondeu. É como se o excesso de fé anterior me tivesse dilacerado ao ponto de eu ter ficado exangue e este Papa tivesse enxugado o resto com a sua aridez pontificial de uma Igreja parada no pó das eras passadas, uma Igreja de sombras góticas ao invés dos espaços abertos e soalheiros por onde caminhava Wojtyla. Recolhi-me, é isso. E acho deprimente, vazia de sentido e indicadora de um pensamento primário e fingidor de fé toda a gritaria solene e oca em volta da vinda deste Papa.
Eu, católica em limbo me confesso...

8 de maio de 2010

Cheers - Aquele bar (e aquelas memórias)

O dia amanheceu farrusco: húmido, frio, de cara triste, tão triste que não parece Sábado, não parece Maio, não dá vontade de fazer nada. Preguiço em frente à televisão com a mug de café na mão, o pijama vestido e a pouca vontade de fazer seja o que for. E ei-lo. Algures na RTP Memória, um canal cuja mera existência eu sempre desdenhei. Até hoje.

Eu adorava o "Cheers". Eu já nem me lembrava que alguma vez o "Cheers" tivesse existido. E, de repente, ali estou eu em viagem a um passado que tão boas memórias me traz. Não havia pcs, ipods, mp3s, cds, dvds, havia leitores de cassetes que eu encostava à televisão e gravava coisas. Uma delas, a música do "Cheers", que, mecanicamente, me saiu dos lábios enquanto eu estava pasma a ver o genérico de uma série dos anos 80 em plena segunda década do novo milénio. Depois da música gravada fiz dois ou três rewinds e escrevi a letra da canção. Pronto, já podia cantarolar "... where everybody knows your name, and they're always glad you came..." Eu teria quê? Dez, doze anos, não mais. Meu Deus, já passou isto tudo?