
30 de junho de 2010
Preciso de um tractor

28 de junho de 2010
Passa tão depressa
- Era para dizer que a sua Mãe...
- Sim, eu sei.
O Pai já estava acordado. Regava o jardim porque não conseguia dormir. Deixei-o na ignorância por mais uns minutos como se lhe quisesse tirar uns minutos da dor do Fim ou como se lhe quisesse dar mais uns minutos de Ti, de ele contigo. Deixei-o acabar de regar. Mas pela janela da cozinha eu via-lhe as lágrimas e a solidão. Eu e a Mana a sabermo-nos sem Ti e ele ali a regar e a pensar na Tua Vida sem vida. Quando ele entrou em casa não precisámos palavras, sabes? E ainda bem porque eu não saberia dizer-lhe. Eu que amo as palavras não saberia como se diz:
- Pai, a Mãe morreu.
Doze anos, Mãe. E tudo o que vivemos e Tu sem estares aqui e hoje que me acordei esquecida de Ti. Sabes que eu, o Pai e a Mana nunca nos telefonamos neste dia de hoje? Não suportaríamos a crueldade de nos lembrarmos uns aos outros deste dia. Hoje há silêncio. Mas é um silêncio que fala, um silêncio que nos diz que nos morreste.
Tenho saudades, Mãe. Estiveste aqui tão pouco. E tenho tantas histórias para te contar. Fazem-me falta as tardes contigo. Faz-me falta falar de História, das transcedências teológicas e faz-me falta abrir-me contigo, vazar-te o meu coração, dizer-te que me apaixonei ou que conheci um homem maravilhoso, dizer-te que finalmente desfiz o casamento que felizmente não viste e faz-me falta falar-te das vezes que atravesso meridianos e paralelos e que vou aos sítios que me ensinavas nos atlas.
E sabes no que mais penso por estes dias? Como é que te vou apresentar ao neto que a Mana te vai dar. Como é que o vou ensinar a amar-te. Como é que lhe vou dizer que a Avó dele é a criatura mais fantástica que se cruzou nas nossas vidas? E tenho pena, Mãe, que sejas Tu que ele não vai conhecer. Tu, que embalavas os bebés todos e que tinhas aquela aura, que nunca ninguém compreendeu, de atrair a Ti os bichos e as crianças, não vais embalar este bebé. Isso dói-me, sabes? Mas dói-me mais hoje porque, sem ter acordado a pensar em Ti, lembrei-me há bocado de que me ia esquecendo de Ti. É tão só isso, Mãe. Tem dias ainda em que a lembrança me deixa assim nesta coisa triste a que me dou. Depois passa, sabes? A Vida segue, porque segue sempre, e eu esqueço a amputação de Ti. E rio e sou feliz e lembro-me de Ti sem estar assim, triste. Lembro-me de Ti como eras: feliz.
Amanhã acordo e a nuvem passou. Amanhã acordo como acordei hoje e ao final do dia não estarei assim e não me vou lembrar que amanhã te enterrámos sob o sol de Verão. Vai passar já, já.
Adoro-Te Mutti.
27 de junho de 2010
Estas solidões
O ar está morno de veludo. Nem uma brisa e cheira a cedros molhados e caruma no chão. É a calmia depois da tempestade. Passou por aqui e vejo-lhe o rasto na estrada onde ainda correm leitos barrentos de gravilha e lama. Dizem-me que foi uma coisa monstra. Imagino. Há um piquete da electricidade à porta do hotel e outro com homens de mangueiras que sugam excessos de água. Sim, imagino.
Mas o ar está tão bom no fim de tarde. A temperatura amena que me envolve e aquele cheiro intenso dos cedros. Lembro-me do Egeu e da Grécia mas estou muito longe. Apetece-me andar, vaguear por ali a absorver aquilo que me entra pelos sentidos. É um bom fim de tarde, suave, depois da viagem. E, na solidão, vivo-o melhor, mais consciente, porque na solidão a percepção afina-se, aguça-se sem a distracção do outro.
Regressarei a casa, àquela casa grande e fresca no calor do Verão que finalmente chega, à casa vazia que me espera e por cujas portas cada vez mais me apetece entrar e ficar. Cheira a ameixas. Um cheiro plácido na quietude da casa. Um cheiro encorpado. Sobre a mesa da cozinha uma travessa de figos e, sim, ameixas. Parece-me uma natureza morta num quadro da Josefa d'Óbidos que ganha vida ali sobre a mesa. Claro, a Paula que me deixa sempre surpresas à minha espera. Surpresas que me atenuam a solidão por estes dias e que me enchem a casa grande, que ma habitam e que me constróem esta sensação boa do bom que é regressar.
25 de junho de 2010
Vai ser um dia daqueles...
Ui... Hoje é mesmo um daqueles dias sem história mas com cargas de história...
24 de junho de 2010
O país Mickey Mouse

23 de junho de 2010
Flor, flores
