30 de junho de 2010

Preciso de um tractor


É, isto aqui na província já não vai lá de carrinha. O que eu preciso é de um tractor e, já agora, um atrelado.
Vejam lá se pode? 70kgs de croquetes para o bicho Spotty (que tem só a particularidade de gostar de comer todos os dias), 37kgs de pé de chapéu-de-sol para o jardim e mais o respectivo chapéu. E isto tudo num carregamento só! O que me vale é que os senhores das lojas se apiedam aqui de moi e me enfiam as coisas no porta-bagagem. Isto ele há cá com cada dia doméstico...
Life!
PS - Não consigo descarregar o pé do chapéu-de-sol! Help!

28 de junho de 2010

Passa tão depressa

Sabes, Mãe, hoje amanheci sem pensar em Ti. Acordei sem me lembrar como foi acordar hoje há doze anos. Doze anos, Mãe. Doze anos e ainda me lembro do telefonema que já estávamos à espera.
- Era para dizer que a sua Mãe...
- Sim, eu sei.
O Pai já estava acordado. Regava o jardim porque não conseguia dormir. Deixei-o na ignorância por mais uns minutos como se lhe quisesse tirar uns minutos da dor do Fim ou como se lhe quisesse dar mais uns minutos de Ti, de ele contigo. Deixei-o acabar de regar. Mas pela janela da cozinha eu via-lhe as lágrimas e a solidão. Eu e a Mana a sabermo-nos sem Ti e ele ali a regar e a pensar na Tua Vida sem vida. Quando ele entrou em casa não precisámos palavras, sabes? E ainda bem porque eu não saberia dizer-lhe. Eu que amo as palavras não saberia como se diz:
- Pai, a Mãe morreu.
Doze anos, Mãe. E tudo o que vivemos e Tu sem estares aqui e hoje que me acordei esquecida de Ti. Sabes que eu, o Pai e a Mana nunca nos telefonamos neste dia de hoje? Não suportaríamos a crueldade de nos lembrarmos uns aos outros deste dia. Hoje há silêncio. Mas é um silêncio que fala, um silêncio que nos diz que nos morreste.
Tenho saudades, Mãe. Estiveste aqui tão pouco. E tenho tantas histórias para te contar. Fazem-me falta as tardes contigo. Faz-me falta falar de História, das transcedências teológicas e faz-me falta abrir-me contigo, vazar-te o meu coração, dizer-te que me apaixonei ou que conheci um homem maravilhoso, dizer-te que finalmente desfiz o casamento que felizmente não viste e faz-me falta falar-te das vezes que atravesso meridianos e paralelos e que vou aos sítios que me ensinavas nos atlas.
E sabes no que mais penso por estes dias? Como é que te vou apresentar ao neto que a Mana te vai dar. Como é que o vou ensinar a amar-te. Como é que lhe vou dizer que a Avó dele é a criatura mais fantástica que se cruzou nas nossas vidas? E tenho pena, Mãe, que sejas Tu que ele não vai conhecer. Tu, que embalavas os bebés todos e que tinhas aquela aura, que nunca ninguém compreendeu, de atrair a Ti os bichos e as crianças, não vais embalar este bebé. Isso dói-me, sabes? Mas dói-me mais hoje porque, sem ter acordado a pensar em Ti, lembrei-me há bocado de que me ia esquecendo de Ti. É tão só isso, Mãe. Tem dias ainda em que a lembrança me deixa assim nesta coisa triste a que me dou. Depois passa, sabes? A Vida segue, porque segue sempre, e eu esqueço a amputação de Ti. E rio e sou feliz e lembro-me de Ti sem estar assim, triste. Lembro-me de Ti como eras: feliz.
Amanhã acordo e a nuvem passou. Amanhã acordo como acordei hoje e ao final do dia não estarei assim e não me vou lembrar que amanhã te enterrámos sob o sol de Verão. Vai passar já, já.

Adoro-Te Mutti.

27 de junho de 2010

Estas solidões

O ar está morno de veludo. Nem uma brisa e cheira a cedros molhados e caruma no chão. É a calmia depois da tempestade. Passou por aqui e vejo-lhe o rasto na estrada onde ainda correm leitos barrentos de gravilha e lama. Dizem-me que foi uma coisa monstra. Imagino. Há um piquete da electricidade à porta do hotel e outro com homens de mangueiras que sugam excessos de água. Sim, imagino.

Mas o ar está tão bom no fim de tarde. A temperatura amena que me envolve e aquele cheiro intenso dos cedros. Lembro-me do Egeu e da Grécia mas estou muito longe. Apetece-me andar, vaguear por ali a absorver aquilo que me entra pelos sentidos. É um bom fim de tarde, suave, depois da viagem. E, na solidão, vivo-o melhor, mais consciente, porque na solidão a percepção afina-se, aguça-se sem a distracção do outro.

Regressarei a casa, àquela casa grande e fresca no calor do Verão que finalmente chega, à casa vazia que me espera e por cujas portas cada vez mais me apetece entrar e ficar. Cheira a ameixas. Um cheiro plácido na quietude da casa. Um cheiro encorpado. Sobre a mesa da cozinha uma travessa de figos e, sim, ameixas. Parece-me uma natureza morta num quadro da Josefa d'Óbidos que ganha vida ali sobre a mesa. Claro, a Paula que me deixa sempre surpresas à minha espera. Surpresas que me atenuam a solidão por estes dias e que me enchem a casa grande, que ma habitam e que me constróem esta sensação boa do bom que é regressar.



25 de junho de 2010

Vai ser um dia daqueles...

Acordo. Faço café. Ligo o pc. A casa vazia. Tenho malas para fazer por fazer. Diz que o tempo vai piorar. Diz que para onde vou vai chover e trovoar. Mas eu até gosto de trovoada. Só que hoje não me apetece. E o trabalho que se acumula na secretária. Preciso deixar tudo em ordem antes de sair. Ver se não me esqueço de nada. É a vidinha, não é?
Ui... Hoje é mesmo um daqueles dias sem história mas com cargas de história...

24 de junho de 2010

O país Mickey Mouse


Este país é um fartote.
Ontem, pagariam as SCUT os desgraçados na nação do norte. Hoje pagam as SCUT os desgraçados que precisam delas quando calha. Eu apenas acho inteligência básica uma coisa chamada princípio de igualdade e que é tão simples quanto isto: utilizador pagador é quem usa, logo paga, as ditas famigeradas SCUT. Qualquer outra política discrimina uns em favor de outros, ponto final.
Agora a outra também muito cómica é o PM ter imunidade ou vê-la ser levantada e mais o delicioso debate em torno do assunto derivado da questão.
E isto tudo num dia só! Fabuloso! Até me deu a ideia peregrina de abrir aqui a rubrica de gaja bem loura: o país Mickey Mouse. Se bem que os américas é que a dizem bem: what a Mickey Mouse country...

23 de junho de 2010

Flor, flores


Pensar que podia ter vivido a vida toda sem isto...
Pensar que me podia ter desperdiçado.
E pensar que poderia ter vindo cá e desaparecido em pó sem que nada se tivesse passado, sem que o mundo ou eu nos déssemos conta de mim e do mundo.
Acordei assim, a pensar em desperdício de vida que poderia ter acontecido não fossem os acasos da Vida e as coragens de mudança.