
Lembrei-me do meu epitáfio. Lembrei-me que talvez todos deixemos os mesmos epitáfios, os mesmos da Jenny do filme: "Wife, Mother, Friend". Lembrei-me que, no fim, talvez todos queiramos ou procuremos deixar os mesmos epitáfios. Até a Jenny, que levou uma vida de tribulações e não-conformações, acabou por ter um epitáfio consonante às normas femininas de uma sociedade que ainda espera que sejamos mães e mulheres. Pensei em mim e como uma frame insignificante me disse tanto no silêncio do pensamento por detrás dos olhos que viam. Se eu fosse a Jenny morta o que diria de mim o meu epitáfio? "Nobody's Wife, Nobody's Mother, Friend". O que é que um espectador pensaria do meu papel incompleto na vida? Será que o meu seria mesmo um papel incompleto?
Não sei. Sei que me deu para pensar, não na minha mortalidade, mas na minha imortalidade, naquilo que as minhas cinzas dirão de mim e desta vida que por neste Aqui passou. Porque, ao fim e ao cabo, todos queremos que o nosso pó não se dissipe ao infinito da nossa insignificância e eu não serei assim tão diferente...