1 de setembro de 2010

O que um gajo cão tem de sofrer...


Isto um gajo tem de ter dignidade! Mas convenhamos que tomar banho, já de si uma coisa inglória e desnecessária, e levar com meio litro de água-de-colónia de lavanda só porque a minha Dona achou que sim não há dignidade que aguente. Tomara já que acabem as férias da Dona!

30 de agosto de 2010

Porque vi o Forrest Gump


Lembrei-me do meu epitáfio. Lembrei-me que talvez todos deixemos os mesmos epitáfios, os mesmos da Jenny do filme: "Wife, Mother, Friend". Lembrei-me que, no fim, talvez todos queiramos ou procuremos deixar os mesmos epitáfios. Até a Jenny, que levou uma vida de tribulações e não-conformações, acabou por ter um epitáfio consonante às normas femininas de uma sociedade que ainda espera que sejamos mães e mulheres. Pensei em mim e como uma frame insignificante me disse tanto no silêncio do pensamento por detrás dos olhos que viam. Se eu fosse a Jenny morta o que diria de mim o meu epitáfio? "Nobody's Wife, Nobody's Mother, Friend". O que é que um espectador pensaria do meu papel incompleto na vida? Será que o meu seria mesmo um papel incompleto?
Não sei. Sei que me deu para pensar, não na minha mortalidade, mas na minha imortalidade, naquilo que as minhas cinzas dirão de mim e desta vida que por neste Aqui passou. Porque, ao fim e ao cabo, todos queremos que o nosso pó não se dissipe ao infinito da nossa insignificância e eu não serei assim tão diferente...

27 de agosto de 2010

Blondejam de abrunhos e maçã


Entretenimento de tarde de Verão em que apetece fazer nada.

Ingredientes:
Abrunhos azuis
Abrunhos rosa
2 Maçãs
Açúcar
(medidas a olhometro à excepção das duas - que são duas - maçãs)

Descaroçar, pelar e desfazer em pedacinhos os abrunhos. Descascar e "despevidar" as maçãs e cortá-las em juliana. Colocar os frutos num tachinho e juntar o açúcar envolvendo bem. Deixar levantar fervura e depois cozinhar em lume brando até consistência de doce (também a olhometro ou mais ou menos quando fica muito docinho e bom para barrar tostas, enfim, vocês sabem como é a consistência de doce).

DELICIOUS!!!

26 de agosto de 2010

Estou mesmo em silly season...

... mas tão em silly season que até faz confusão. O pior é que quando uma pessoa se começa a habituar a este não-pensar e, deuses me acudam, a gostar de não-pensar é que as férias se estão a esvair. Caroço!

18 de agosto de 2010

Por esta eu não estava à espera!



De facto, quanto menos planeamos, mais a Vida acontece assim sem mais nem menos. Esta é uma desas ocasiões. Não estava planeada. Aconteceu à última da hora e eu aproveito, faço de novo as malas e aí vou eu.


Já lá não vou há uns quatro anos. Sempre quero ver como me sinto e o que vejo ao regressar a um sítio onde fui sempre na solidão do meu não-casamento. Acho que está na hora de rever o mundo com olhos livres.




Como pistas: The English Patient e Star Wars.



17 de agosto de 2010

Tudo boas razões


Eu sabia que existe o Rio dos Bons Sinais, não sabia que existe uma Rua das Boas Razões (esta em Alegrete), mas é isso mesmo: o regresso por todas as boas razões, quando, finalmente, se chega à Vida em que voltar é tão bom como partir.
Cheguei...

13 de agosto de 2010

Entre ossos e estrelas


Quando éramos alemães, o que eu conhecia de Portugal era um Algarve mágico de pinhais e sapais em Vale do Lobo, praias selvagens onde a Tante Ruth e a Tante Henny andavam comigo e com a Mana de mãos dadas a cantar os equivalentes alemães das "Pombinhas da Catrina". O resto da minha vida passou-se num semi-nomadismo que obedecia à profissão do Pai. Portugal pouco mais era do que Lisboa e o campo onde hoje vivo. As férias levavam-me para os desertos, as latitudes e longitudes distantes e, quando muito, as orlas mediterrânicas de África e do Levante. O ano passado descobri o Alentejo. Regressei este ano. O espírito está diferente. A necessidade de auto-descoberta apaziguada. Diz-se que não se deve regressar aos sítios onde se foi feliz. É um facto que nunca regressei à casa da Avó depois de ela morrer. Não quero. Mas regressei aqui a este canto do mundo. Vejo-o com olhos diferentes dos que o olharam o ano passado. Noto-lhe o calor, por exemplo. Noto que não é o Éden com que o pintei enquanto colhia amoras nos silvados o ano passado. Mas continua a ser um sítio de encantamento que me prendeu a alma.
Descubro recantos inusitados como uma capela forrada de ossos em Campo Maior, um sítio esconso emparedado por muros de igreja fechada e casas caiadas de fresco. Eu que tenho exorcizado os cadáveres dos meus baús fico-me a pensar que nós fazemos os nossos pesadelos de caveiras grotescas. E depois à noite estendo-me na espreguiçadeira do terraço e olho as chuvas de estrelas nestes céus límpidos onde ainda vejo a via láctea e as constelações que o Pai me ensinava em miúda. Navego em pensamentos lentos que vogam neste vento manso e quente e dou graças por ter chegado aqui...