Parece que entraram mais alunos no superior.
Parece que as médias foram mais altas.
Parece que somos um sucesso com tantas Novas Oportunidades, tantas novas escolas, tanta gente diplomada.
Parece que a taxa de aprovações no superior é de 70%, igual ao resto da OCDE.
Parece-me que a coisa não estará tão bem assim... Mas enfim, quem sou eu para dizer seja o que for, eu que nunca saí da universidade desde que lá entrei e pouco ou nada conheço do mundo real?
13 de setembro de 2010
10 de setembro de 2010
Zwieback ou como pequenas coisas me lembram de Ti

Ali está, depositado na mesa da cozinha, um pacote de tostas. Um pacote sem história, um envólucro que vai para o lixo, uma embalagem que não parou na despensa, que não foi arrumada, que me empata o tampo da mesa, a que mais logo a Paula deve dar sumiço no seu brio de limpezas e arrumações nesta casa que já foi tua, Mãe.
"Zwieback". Nunca me lembro de te ter ouvido o correspondente em Português: tosta. E ali está o pacote que me olha, "Zwieback", e que me faz lembrar de Ti quando me sento à mesa de frente para ele. "Zwieback". Também dizias "Feuer", lembras-te? E "Lotototto". E eu, na impertinência dos meus 16 anos, irritava-me que dissesses estas coisas e dissesses "encarnado". E corrigia-te. E os meus colegas achavam-te cool e eu achava que tinhas de falar Português como toda a gente. Lembras-te? Que saudades, Mãe, que saudades das minhas irritações com o teu Português tão teu. E tu dizias que sim, que ias emendar mas lá vinha sempre "Zwieback" ou outra coisa igualmente estranha.
Sabes que dizem de mim o mesmo? Que o meu Português tem sotaque, eu que julgo falar impecavelmente? Que eu digo coisas extraordinárias como "aparcar" e "encetar", que, pelos vistos ninguém mais diz? Mas tu dizias. E se eu tivesse filhos talvez eles me corrigissem como eu te corrigia, eu diria que sim a tudo, com a paciência que tinhas, e seguiria a "aparcar o carro" ou a "encetar um pacote de tostas", que pelo menos essas eu digo à portuguesa.
Sabes, Mãe, é assim do nada que me assaltas vezes sem conta. Estas pequenas coisas que me lembram de Ti. Que saudades, Mãe, que nunca passam. Nunca esmorecem. Às vezes ficam encobertas de mansinho, como uma moínha a que nos habituamos e não damos conta, outras és uma barragem diluviana que se desmorona e me afoga. No resto do tempo, Mãe, és o sentimento da ausência, a amputação com que vivo e que prótese alguma substitui.
"Zwieback". Vês? Hoje, por estes dias, bastou isso: "Zwieback", Mutti, nur Zwieback...
9 de setembro de 2010
De regresso à noitinha
Vai anoitecendo e já esfriou. Passo ao largo da cidade grande sem entrar. Parece que deslizo num voo rasteiro. Olho as luzes, pontos brilhantes de amarelo. Imagino o mar de gente, a densidade populacional e penso na sorte que tenho à medida que as luzes se vão espaçando e diluindo na paisagem. Gosto cada vez mais de chegar a casa.
7 de setembro de 2010
Só à chapada!
Eu sou uma senhora, perdoem mas tem de ser:
Idiotas pés de chumbo! Amélinhas!! Nem na terceira distrital! Solteiros contra casados não fazem estas figuras!! Tótós!! Canastrões! Bando de pernetas! Zarolhos! Morcões (com respeito pelos morcões)! "Energúmeros"! Bananas! Molhos de bróculos! Vão apanhar maçãs! Espantalhos! Lélés! Miseráveis incompetentes! Camelóides! Idiotas outra vez!
Como é que é possível???
Idiotas pés de chumbo! Amélinhas!! Nem na terceira distrital! Solteiros contra casados não fazem estas figuras!! Tótós!! Canastrões! Bando de pernetas! Zarolhos! Morcões (com respeito pelos morcões)! "Energúmeros"! Bananas! Molhos de bróculos! Vão apanhar maçãs! Espantalhos! Lélés! Miseráveis incompetentes! Camelóides! Idiotas outra vez!
Como é que é possível???
5 de setembro de 2010
Compotas e tinta fresca

Descubro que tenho prazer na domesticidade. Passo o resto das férias a fazer doces: de tomate, de maçã, também já fiz de abrunhos. E no entrementes dou cor nova à porta da varanda do meio do 1º andar. Gosto do entretenimento. Tintas modernas inodoras que se limpam com água, a porta que fica diferente, dói-me o pulso, farto-me rapidamente, penso que mesmo que pintasse uma porta ou uma janela por mês um ano não chegaria, mas guardo, com esperança de futuro, o pensamento de mudar a cor a portas e janelas. E surpreendo-me porque apesar do pulso e do "fartamento" gosto da pintura, do resultado e do que diz de mim e de como gosto desta casa. E depois há os meus doces biológicos que me saem bem. Deliciosos. E estes dias de sol em que me vejo entretida com estas pequenas coisas domésticas e me reinvento num papel que começo a descobrir ser meu depois de tão rechaçado por anos de esquecimentos e desinteresses, desinvestimentos e negligências, fugas, afinal, do meu não-casamento, em boa-hora acabado.Gosto: afinal gosto desta coisa de estar em casa entretida com a casa com a panela do doce ao lume enquanto dou uma demão de tinta numa porta envelhecida.
3 de setembro de 2010
Música para a Rentrée
Madrugada. Despertador. Guio até à cidade. O novo cartão magnético não abre a garagem. Chamo o segurança. Não vem. Deixo a carrinha na rampa. Procuro o segurança. Não o encontro. Regresso à carrinha. Porta aberta. Dois exames depois. Lanço notas. Marco orais. Gato no horário de 1º semestre. Ooops, gato no de 2º semestre. Não despacho os mails todos. Sim, acabaram as férias.
Mas depois há aqueles quatro. Abraços. Reencontro. E o porquê de regressar ser, afinal, bom.
Oiço a música: Maroon 5 "Misery". O vídeo sucks, não havia necessidade. I am in misery, canto, mas é uma música alegre e eu ainda tenho a profissão que sempre quis.
I am in misery. Podia ser pior....
1 de setembro de 2010
O que um gajo cão tem de sofrer...
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