6 de novembro de 2010

Flores em Novembro


Levei-as à Mãe.
Com o orgulho de quem as colheu e de quem diz: "Está bonito o jardim, Mutti. De onde olhas tens orgulho também? Em mim, no jardim que não deixei morrer depois de Ti?"

Que saudades, Mutti... Que não passam.

5 de novembro de 2010

Diários agrícolas: começou a confusão

aqui tinha falado do meu pedaço de chão, do como me estou a reencontrar com um monte de coisas de um passado trágico que aos poucos vão encontrando um caminho para a luz, ou pelo menos, vou tentando que encontrem um caminho para dentro da minha vida. Tem sido assim com a Casa e agora vai ter de ser assim com os torrões de terra, que, tendo estado ao cuidado de terceiros generosos o suficiente para me libertarem do peso da responsabilidade, eu agora quero tomar em mãos. Algum dia tinha de ser...
Primeira precaução da Blonde agricultora: ver marcos e conferir extremas. Há uns anos mandei fazer um levantamento topográfico que enfiei para dentro de uma gaveta com um dossier chamado "Terrenos". Toca de tirar cadernetas prediais e mapas e ver o estado da coisa.
Sem surpresa, um idiota de um vizinho achou por bem fazer uma dependência qualquer numa das extremas confinantes com um dos terrenos aqui da Blonde. Tudo ok não fosse ter-se lembrado de abrir uma janela e... enfeitá-la com duas pombas de louça. Até lhe podia perdoar a ousadia não fossem as pombas, que eu sou uma mulher de estilo, ora essa! Tirei fotos (horrorosas como só podiam ser), fui à Conservatória pedir os dados do dono das pombas de louça e entreguei uma petição na Câmara para me resolverem o problema.
Chegou a resposta.
Tarara, tarari, sim senhora que eu tenho muita razão (também lá na Câmara não devem gostar de pombas de louça) e... agora vem a melhor parte e até vou citar:
"Informamos que na presente data, foi enviada comunicação ao proprietário do prédio em questão para proceder ao respectivo licenciamento administrativo."
?! Além da pontuação grosseira, o que é que isto quer dizer exactamente? Que se o dito proprietário licenciar a janela eu tenho de gramar com as pombas? Mas eu não quero janela nenhuma aprovada porque é por isso que existe um artigo 1360 do Código Civil!

Acho que o meu caminho em direcção à agricultura começa a esbarrar numa coisa viscosa chamada "poder local". Lá vou eu meter pés a caminho e perguntar ao Vice o que raio é aquele relambório. Hmm... algo me diz que cheguei ao pântano...

4 de novembro de 2010

O melhor de sempre



E eu que até acho que tenho uma colecção jeitosa de concertos no currículo mas este... Ainda estou overwhelmed. Ultrapassou tudo o que eu podia esperar. Quis pôr aqui um vídeo em que o Bubblé canta sem mike e cala 30.000 pessoas mas devo estar a ter um ataque de blondite aguda e não consigo descarregar o dito. Deixo uma pic do "verdadeiro artista" em banho de gente.
Lembrei-me tanto daquela noite em que o conheci. Está mais magro. Substituiu os ténis por sapatos. Mudou de bow tie para gravata mas é a mesma voz, a mesma afabilidade. Não havia tempo para tudo. Não houve "Lost". Não houve "Hollywood" mas houve aquela canção que me guiou por entre a multidão até ele, até ficarmos cara-a-cara, os dois, sem mais ninguém, "Me and Mrs. Jones", na versão mais extraordinária de todas as que a canção tem tido.
Ele diz que vem cá no Verão. Se assim for, I'm in. Verdade, foi o concerto que mais me encheu de alma a alma...

3 de novembro de 2010

Finalmente vejo o Bubblé!

Já vos disse que conheci o tipo? Oh yeah... Eu ainda não era PhD e ele ainda não era "o" Michael Bubblé. Londres. Noite cerrada e chuva miudinha. Venho de Oxford de duas palestras que dei à frente dos gurus do império. Estou cansada. Sigo-lhe a voz calma em "Me and Mrs. Jones". Vejo-o de tuxedo e ténis brancos encardidos. É forte e tem ar de jogador de baseball. Trocamos umas palavras e "prometo-lhe" a fama que ele vai ter. Ri-se. Pergunta-me se não quero comprar um cd que ele tem numa pilha debaixo do piano. Respondo que prefiro comprar-lhe os cds que ele vai meter na Billboard. Tomo um chocolate quente e fico ali a ouvi-lo enquanto me acalmo da maratona dos últimos dias. Venho embora para o meu PhD e ele segue para uma carreira.

Logo à noite estarei ali, em frente dele, no futuro do passado. Congrats Michael! You sure the hell made it!

2 de novembro de 2010

Ó sim, também há o reverso da questão

E eu entendo perfeitamente que à infame pergunta "o que é que eu posso fazer pelo meu país?" muita gente pense na carrada de malta que de tanto ter o país a fazer por ela (e percorro desde o bas fond do rendimento mínimo de inserção social ao CEO de empresa estatal/municipal) deveria pensar agora em fazer pelo país. Afinal, a reciprocidade é uma coisa muito democrática. No meu caso, e lamentando o "umbiguismo" que me ataca por estes dias, vejo uma factura pesada de deves e haveres da qual me considero grande credora. E digo isto no sentido mais absolutamente patriótico do termo.

1 de novembro de 2010

O que é que eu posso fazer pelo meu país?!

Tá boa esta! O que é que eu posso fazer pelo meu país?! E que tal: o que é que o meu país pode fazer por mim? Essa sim, era uma novidade.

A SIC lembrou-se de ir perguntar isto aos portugueses. As respostas foram mais ou menos a minha com a atenuante de as pessoas serem muito conformadas e o português ser um bom burro de carga, saco de pancada também se aplica, e eu sou muito protestante (no sentido laico), benza-me Deus.

É que estou mesmo farta desta onda imitadora, a começar pelo Dr. Jorge Sampaio no Prós e Contras de há umas semanas, que se lembrou de pegar no Kennedy e na América, exactamente os melhores modelos para Portugal copiar (é que tem mesmo tudo a ver!) e desatar a pedir a epítome patriótica ao povo. Fartinha. E como eu costumo discutir com os meus alunos este exactíssimo discurso na versão original, óbvio, aqui fica para vermos que sim, dá mesmo vontade de ajudar este país.

E ao terceiro dia...

... continuo aborrecida. Que chatice! Agora tenho tosse, dá para crer? Decidi que de hoje o diabo da gripe não pode passar. Amanhã são doze horas de faculdade e ando à espera de Quarta-feira há pelo menos cinco anos. Dê por onde der, na Quarta eu tenho de estar linda e resplandecente e ponto final! Ó que gaita de fim-de-semana, prolongado ainda por cima. Tanta coisa para fazer, tanta coisa para acontecer e eu encostada às boxes. Azar do raio! Fui, antes que encha o blog de impropérios!