Só isso: rubis.
30 de novembro de 2010
29 de novembro de 2010
O pão nosso de cada dia
Venho de Lisboa, onde dormi. É Domingo cedo de manhã e não há ninguém na estrada. Penso que tenho de ir ao supermercado às compras de essenciais e não quero deixar passar o fim-de-semana do Banco Alimentar. Faço uma lista mental do que preciso. Pouca coisa: uns legumes, uns camarões e coisas para o Banco. A Paula deixou-me maçãs, romãs e dióspiros quando cá esteve no Sábado e, por isso, não preciso de fruta. Hesito se trago pão. Não. Tenho um resto que é preciso acabar, é pão velho mas paciência.
Depois de chegar a casa, a Paula telefona:
- Blondinha, tenho aqui muito pão que me deram. Vou-te aí levar.
E traz. Muito pão, ao qual eu não consigo dar vencimento e, portanto, congelo mas não sem antes me deliciar no pequeno prazer simples de pão fresco com manteiga (ainda que seja de soja). O meu resto tornou-se abundante como numa qualquer multiplicação perante a multidão bíblica. Mas não é isso que me impressiona, o que me despoleta o pensamento é que na nossa generosidade, haverá sempre quem seja generoso connosco. Pensei isto apenas porque foi fim-de-semana do Banco Alimentar. Pensei isto porque aqui no campo ainda há esta coisa da partilha. Pensei isto porque vem aí uma crise pior do que um céu carregado e é, afinal, é a sociedade civil que se solidariza num ano em que a recolha do Banco Alimentar Contra a Fome superou recordes de generosidade. Pensei isto porque graves espectros se levantam e eu ainda acredito na bondade imanente.
27 de novembro de 2010
Não ter filhos e perguntas estúpidas
- Tens de ter filhos! Senão a quem é que vais deixar as coisas?
Tens de? E as pessoas têm filhos para lhes deixarem coisas? É esta a visão de quem tem filhos? As pessoas têm filhos por obrigação social ou genética ou familiar? É que se é assim, I'm out! Às vezes penso que já ouvi tudo o que havia a ouvir sobre esta questão mas quando me atiram um "tens de" apercebo-me de que a sociedade, por muito avançada que seja, me deve considerar um bicho estranho. Algo ao jeito de: as mulheres têm de ter filhos. Os homens ainda vá que não vá, mas uma mulher sem filhos é uma quase aberração.
Primeiro atiravam-me à cara as maravilhas da maternidade. Durou pouco tempo essa fase.
Passei depois à fase do "tu é que fazes bem não ter filhos". E também ouvi muitas vezes o chavão do "se fosse hoje não me metia nisto". No entremeio, quando adoptei o Spotty, ainda ouvi uma ou duas vezes o infame: "um cão não é um bebé" como se eu tivesse tirado o Spotty da rua para assumir uma maternidade substituta, como se alguém no seu juízo pudesse canalizar para um cachorro os sentimentos devidos ao Homem.
Depois começaram a atirar-me a liberdade à cara. Podes ter carreira, podes viajar, podes dormir, podes ir ao ginásio, podes, podes, podes. Um rol infinito de "podes isto e aquilo". Como se eu fosse uma espécie de projecção de frustrações por vidas incompletas, não sei. Sei que esta fase é a mais longa e a que mais me irrita. Sim, irrita-me, bastante. Sabem lá as pessoas porque é que eu não tenho filhos. Sabem lá as pessoas que contigências me terão levado aqui. Sabem lá que opções eu escolho ou que caminhos me são forçados. Não me interessa que saibam. Não me interessa se o meu estado de não-maternidade me foi forçado ou foi escolhido. Acho que nem eu sei e não perco sono por isso.
Agora que o meu sobrinho Manel nasceu eu já esperava a comiseração pelo meu estado e sim, já ouvi que agora é que eu me decido, como se, por contágio, eu agora pensasse num bebé porque a Mana teve um bebé. Ou então dizem-me que ser Tia também é bom, não tão bom como Mãe, é isso que não acabam na frase.
Claro que já pensei como seria ter um filho. Claro que já pensei que na minha vida de seguranças e estabilidades relativas até pode ser um desperdício não ter filhos. Claro que tenho todas estas coisas para deixar. Curiosamente não é nesta Casa que penso, não é nos terrenos. Penso em coisas tão prosaicas como os meus anéis. Os anéis que recebi, os que comprei pelo mundo fora, os que significam coisas importantes e os que são só bonitos e como seria um dia pegar nos cofres onde os guardo e dá-los em legado a alguém. Claro que não é um divórcio monstro que se arrasta nos tribunais há mais de dois anos que me impediria de ter filhos. Claro que também não é estar sózinha ou ter alguém que me impede ou não de ter filhos. É só que a Vida nunca se virou para aí.
E se um dia eu acordar e já for tarde? É um dia em que eu acordo e já é tarde. Aprendi a duras penas que vivemos nas nossas decisões e que nos arrependimentos incuráveis também se vive. Se um dia eu acordar e já for tarde, é tarde para mim, não é tarde para mais ninguém. Ninguém tem nada a ver com isso e, portanto, não me digam coisas obscenas como "tens de" porque sou eu, e mais ninguém, que habita na minha Vida, sim?
Tens de? E as pessoas têm filhos para lhes deixarem coisas? É esta a visão de quem tem filhos? As pessoas têm filhos por obrigação social ou genética ou familiar? É que se é assim, I'm out! Às vezes penso que já ouvi tudo o que havia a ouvir sobre esta questão mas quando me atiram um "tens de" apercebo-me de que a sociedade, por muito avançada que seja, me deve considerar um bicho estranho. Algo ao jeito de: as mulheres têm de ter filhos. Os homens ainda vá que não vá, mas uma mulher sem filhos é uma quase aberração.
Primeiro atiravam-me à cara as maravilhas da maternidade. Durou pouco tempo essa fase.
Passei depois à fase do "tu é que fazes bem não ter filhos". E também ouvi muitas vezes o chavão do "se fosse hoje não me metia nisto". No entremeio, quando adoptei o Spotty, ainda ouvi uma ou duas vezes o infame: "um cão não é um bebé" como se eu tivesse tirado o Spotty da rua para assumir uma maternidade substituta, como se alguém no seu juízo pudesse canalizar para um cachorro os sentimentos devidos ao Homem.
Depois começaram a atirar-me a liberdade à cara. Podes ter carreira, podes viajar, podes dormir, podes ir ao ginásio, podes, podes, podes. Um rol infinito de "podes isto e aquilo". Como se eu fosse uma espécie de projecção de frustrações por vidas incompletas, não sei. Sei que esta fase é a mais longa e a que mais me irrita. Sim, irrita-me, bastante. Sabem lá as pessoas porque é que eu não tenho filhos. Sabem lá as pessoas que contigências me terão levado aqui. Sabem lá que opções eu escolho ou que caminhos me são forçados. Não me interessa que saibam. Não me interessa se o meu estado de não-maternidade me foi forçado ou foi escolhido. Acho que nem eu sei e não perco sono por isso.
Agora que o meu sobrinho Manel nasceu eu já esperava a comiseração pelo meu estado e sim, já ouvi que agora é que eu me decido, como se, por contágio, eu agora pensasse num bebé porque a Mana teve um bebé. Ou então dizem-me que ser Tia também é bom, não tão bom como Mãe, é isso que não acabam na frase.
Claro que já pensei como seria ter um filho. Claro que já pensei que na minha vida de seguranças e estabilidades relativas até pode ser um desperdício não ter filhos. Claro que tenho todas estas coisas para deixar. Curiosamente não é nesta Casa que penso, não é nos terrenos. Penso em coisas tão prosaicas como os meus anéis. Os anéis que recebi, os que comprei pelo mundo fora, os que significam coisas importantes e os que são só bonitos e como seria um dia pegar nos cofres onde os guardo e dá-los em legado a alguém. Claro que não é um divórcio monstro que se arrasta nos tribunais há mais de dois anos que me impediria de ter filhos. Claro que também não é estar sózinha ou ter alguém que me impede ou não de ter filhos. É só que a Vida nunca se virou para aí.
E se um dia eu acordar e já for tarde? É um dia em que eu acordo e já é tarde. Aprendi a duras penas que vivemos nas nossas decisões e que nos arrependimentos incuráveis também se vive. Se um dia eu acordar e já for tarde, é tarde para mim, não é tarde para mais ninguém. Ninguém tem nada a ver com isso e, portanto, não me digam coisas obscenas como "tens de" porque sou eu, e mais ninguém, que habita na minha Vida, sim?
26 de novembro de 2010
Casacos de Inverno

O que vestir um casaco de Inverno pela primeira vez na estação tem de bom é o que se encontra nos bolsos que transitou à socapa. E assim hoje, num dos bolsos, um guardanapo da Whole Foods vindo da América e, no outro bolso, um bilhete de metro de Londres com data de Maio de 2010. E não é que eu me ia embora?...
25 de novembro de 2010
Vai ser um dia bom!
7 da manhã, 7º.
Vou estar 12 horas na faculdade.
Tenho 227 alunos de licenciaturas em pautas (fora as miudezas ERASMUS e os de outros ciclos).
O meu gabinete está a bagunça típica de meio do semestre.
Mas...
O nascer do sol está magnífico.
Na rádio do carro a música é tão alegre.
Sim, vai ser um bom dia (pelo menos até eu dizer: aleluia, acabou!).
Vou estar 12 horas na faculdade.
Tenho 227 alunos de licenciaturas em pautas (fora as miudezas ERASMUS e os de outros ciclos).
O meu gabinete está a bagunça típica de meio do semestre.
Mas...
O nascer do sol está magnífico.
Na rádio do carro a música é tão alegre.
Sim, vai ser um bom dia (pelo menos até eu dizer: aleluia, acabou!).
24 de novembro de 2010
Greve Geral (?)
O que me irrita no sindicalismo é a cassetice e o esquerdismo à anos 70. Do Governo já sabemos a asnice. E da parte dos sindicatos é sempre a mesma cantilena: "A greve foi um sucesso! O país parou!" e não passam disto. Não há números, não há factos, só há a vacuidade do "foi um sucesso, a luta dos trabalhadores é justa". Eu até concordo muito bem que a malta proteste e faça greves e saia à rua e invective o Governo e reivindique e esses etcs. todos mas o que eu gostava mesmo mesmo é que este país não precisasse de um par de sindicatos passadistas e se organizasse civicamente para dizer: caramba que já chega! Quando é que aprendemos a andar sózinhos sem precisarmos ir a toque de caixa muito bem-comportadinhos estilo mulinhas de carga com pálas nos olhos?
23 de novembro de 2010
Excepções?!
Será que li bem? Ou que ouvi bem as notícias? Afinal os cortes salariais na infame Função Pública, causa máxima dos males deste país, são só para alguns? É como eu digo, todos os dias há mais um episódio da insanidade que acomete a classe que nos desgoverna. Se dantes eu ainda achava uma certa graça, daquelas graças sarcásticas que mascaram o profundo desprezo cultural com que encaro a classe, agora acho que nem o pior sarcasmo me mascara a habitual boa-disposição e, portanto, insanes são doentes mentais, coitadinhos inconsequentes desprovidos de tino, gentinha desta, ao invés, é apenas... gentinha. Gentinha para quem a noção de Estado é uma noção de momento, o momento em que é poder(zinho). Gentinha cujos conceitos democráticos se balizam entre os favoritismos e os favorzinhos. Gentinha sem bússola e sem espinha. Não são os cortes o que mais me irrita no meio deste atoleiro, é a cegueira e o acumular de desnorte que nos trouxe aqui. O que mais me irrita é, afinal, o que sempre mais me irrita: a burrice sem pressa ou vontade para desemburrar.
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