
É a primeira vez este ano que oiço "Last Christmas". Estaciono no Martim Moniz. Chove. Apetece-me andar e estou com tempo. Lisboa está cinzenta como as pessoas. Atravesso a Praça da Figueira por entre fumo de castanhas. O Rossio. Subo o Chiado como na canção. Gosto de andar à chuva. Prescindo sempre o guarda-chuva mas hoje chegaria ensopada. Es ist immer so gut. Immer diese warme Freundschaft. Die Erinnerungen...
O tempo é uma coisa tão rara. E Lisboa, assim sob a chuva no triste da tarde, nas vidas apressadas de passos, nos turistas, Lisboa elegíaca em cinza, tão bom.
Recebo chocolates de Beja. Vêm quentes de sol do passado no calor do presente. Hab'ich es nicht gesagt wie gut, immer so gut, die warme Freundschaft ist?
O meu Natal começou hoje por entre pingos de chuva e palavras mornas que se trocam e chamam outras. Palavras que vêm de longe no Tempo e que sabemos estão apenas à distância não de um Aufwiedersehen de circunstância, mas de um auf Wiedersehen redondo de volta. No Chiado ou em qualquer outro lugar...