11 de fevereiro de 2011

Eça, Portugal, a Grécia

Interrompo a saga dos limões porque li esta em As Farpas dos bons Eça e Ramalho. Data: Dezembro de 1871.

"Nós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, masmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem política, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão" (p. 312 da edição da Principia de 2004).

Sou tentada a concordar com Hegel que a única coisa que aprendemos com a História é que não aprendemos nada com a História.

10 de fevereiro de 2011

Sugestões dos limões 2: squashed lemon cubes


A segunda sugestão desta solução para dar vazão às toneladas de limões que me vão pelo quintal chegou-me através da minha querida Ältere Leute a que se juntou a Cristina Torrão.
A coisa é relativamente simples:
Lavei e levei uns quantos limões ao microondas para ficarem mais facilmente espremíveis, espremi-os e enfiei o sumo com um funil em saquinhos para cubos de gelo. Leicht, oder?
(Mas lá que é uma sequinha estar ali que tempos a espremer limões, é!) :)

Vielen Dank Ältere Leute und Cristina Torrão!

8 de fevereiro de 2011

Sugestões dos limões 1: Mousse de Abacate


Eu lá pensava que havia tantas sugestões para aproveitar limões!! Obrigaaaaada!!!
Aqui vai o resultado da primeira, enviada pelo Pedro e a ver (dada a quantidade diluviana de limões que este meu limoeiro deu em produzir) se consigo dar conta aqui no blog das diversas sugestões (umas bem yummi, outras bem práticas e outras... bem... outras metem a Bimby e eu já de mim sou tão bimba, valha-me Deus...).

Mousse de Abacate

Ingredientes:
. 5 abacates (deu-mos biológicos a Paula, produto do quintal dela ou da mãe dela porque isto aqui no campo é mais ou menos tudo bio)
. 1 limão (super bio aqui do quintal e coisa mínima para despachar as centenas que para aqui estão)
. açucar louro a gosto
Descaroçar os abacates, retirar a polpa e reduzi-la a puré (eu fiz com um garfo). Juntar o sumo de um limão e o açucar. Misturar. Já está!
Amigos, é de cair para o lado de tão fácil e deliciosa. Estou fã!! O aspecto é que enfim... é um bocado esverdeado alienígena, mas não se pode ter tudo.
Bom apetite. E obrigada ao Pedro.

7 de fevereiro de 2011

O que é que eu faço a tanto limão??


Truz, truz.
O senhor que me cuida do jardim deixa-me um saco com uns bons 6 ou 7 quilos de limões à porta. Ainda lhe pergunto se não quer uns quantos. Não, que também os tem. Olho para o limoeiro e estes 6 ou 7 quilos são nada numa árvore carregada.
O que é que eu faço a tanto limão... Aceita-se sugestões.

5 de fevereiro de 2011

12 meses?!

Ontem ouvi num dos telejornais do prime time da nossa praça que a Nova Lei do Divórcio permite que um divórcio por mútuo consentimento (não é o meu caso) se resolva em apenas 30 dias. Fantástico! E que nos casos de divórcio sem mútuo consentimento (o meu infeliz caso), todo o processo fica findo em doze meses.

Das duas quatro:
- ou isto é jornalismo de péssima qualidade e pior informação;
- ou o Ministério da Justiça tem os dados todos trocados (o que não me surpreende dado o estado de baralhamento senil do Governo);
- ou o Ministério da Justiça está a sonegar informação para fazer bonito junto da opinião pública;
- ou o meu divórcio deve ser um case-study.

Ora deixa cá fazer bem as contas... Sim, o meu divórcio entrou na justiça em Dezembro de 2008 e ainda não tem fim à vista. Alguém que me explique, sff.

2 de fevereiro de 2011

Porque recebi um mail

Nos doze anos que já levo de Academia, acuso um desapaixonamento que me desmorona cada vez mais no muito que eu gosto de pertencer à Academia e no muito que este desapaixonamento significa a contradição da visão que eu tinha há esses doze anos atrás. Não interessam os factores: as sucessivas políticas de mutilação da Universidade enquanto instituição, as hordas de alunos que, sem outras alternativas, vêem no ensino superior a única via profissionalizante e chegam no mais completo desalento e na maior impreparação imaginável, a degração da imagem académica, etc, etc.
É também verdade que tem sido no exterior que eu tenho encontrado as maiores fontes de inspiração, seja porque eu continuo uma "outsider" neste país, uma eterna estrangeirada no país que forçosamente eu quero que seja meu e nunca é, seja por causa do bilingualismo que me desbarra as fronteiras geográfico-linguísticas, não importa. Hoje recebi um de milhentos mails de um daqueles académicos que plantamos num Olimpo onde muito poucos ascendem. Nos últimos cinco anos temos trabalhado juntos em diversas ocasiões. Separam-nos décadas e um grande abismo em termos de senioridade. Lamento dizer que em Portugal dificilmente trabalharia com ele nos termos em que trabalho com ele. E ele tem sido uma fonte profícua de inspiração e contrabalanço ao desapaixonamento. E, à sua maneira, acho que ele me está a pavimentar um caminho.
Hoje, a propósito das dores de cabeça que me estão a dar certas "prima donnas" académicas, daquelas que não colocamos no Olimpo mas que se acham residentes desse Olimpo, disse-me:

"Carissima,
I sometimes think that the bad actor, in addition to wanting to get a lot of attention, is trying to see if I lose my temper. And, in a weird sort of way, I do everything I can to try not to... perhaps just to spite them?
My personal mantra is "tormented children", because so many adults I interact with in the academy seem to fit that description...and I find that I have to be the accomodating one. And, in complete contrast, the real giants in the academy, as well as the real world, that I've been lucky enough to meet have almost all been incredibly humane. Strange, isn't it?"

A razão para vir para aqui com este mail não é desabafar tormentos e dizer que alguém me passou a mão pela cabeça paternalisticamente, é a lucidez do comentário de alguém que já andou muito numa estrada muito longa. A lucidez que nos falta na nossa pequenez e umbiguice. E a razão principal por que aqui deixo um excerto deste mail, cuja leitura seduz no caráter literário até, é porque o quero partilhar, colocá-lo longe do esquecimento a que se votam os mails que nos caem no correio profissional de todos os dias, dá-lo a todos porque se transcreve para o mundo real, para o mundo português (ainda que o contexto particular de onde partiu seja americano), para a nossa vida rodeada de "bad actors", quando os gigantes caminham sem ondas entre nós e sem nos molestarem com o peso dos seus passos.

Como diria a voz da RFM, vale a pena pensar nisto...