6 de abril de 2011
Saúdo o gajo que convenceu o Sócrates
... e se sujeitou a levar com um telemóvel arremessado à tola por entre uma chuva de impropérios. Só assim imagino que 48 horas depois de ter dito "Não! Jamais!", o nosso Primeiro tenha acatado a ideia de que o FMI era uma inevitalidade fatal como o destino luso. Se não for esse o caso, então considero que temos sido desgovernados por um alucinado kamikaze dos destinos colectivos de uma nação que depôs nele a máxima confiança e da qual ele nem esteve à altura nem, tão-pouco, soube honrar. Se o FMI é bom ou mau para nós não interessa. Entre estarmos depenados sem o FMI ou estarmos depenados com o FMI, as penas ir-se-iam embora de qualquer maneira. Quem vive do RSI não vai notar a diferença. Quem é dono de fortuna, já a retirou do país. Restamos nós, os nós do costume que sempre, e de qualquer forma, iríamos e vamos pagar a crise, iríamos e vamos pagar aos credores, iríamos e vamos pagar ao FMI, iríamos e vamos pagar os ordenados do PM e da classe política, iríamos e vamos pagar as eleições. Sim, saúdo o gajo que hoje deve ter dito: - Sr. Primeiro-Ministro, é hora.
Descoberta recente
É, a PDI deve andar a fazer-me mal senão como é que eu explicaria gostar disto at this point in life. Parece a Carly Simon e é bom para tardes de escrita e neura com sol tão bom e eu tão aqui fechada e tão invejosa do meu cão Spotty esparramado à sombra da nespereira. Janis Ian, "At Seventeen".
Obama e Sócrates
Diz Obama: "Fazer algo de importante para o país nunca foi obra de uma só pessoa" (lido no Diário Económico de ontem). O que é que o nosso PM poderia dizer assim nesta linha de raciocínio? Hmm... talvez substituir "importante" por trágico.
4 de abril de 2011
O Benfica fez o quê?!
Pôs o Porto a festejar às escuras enquanto era bem regadinho? Começo a acreditar que da política ao desporto anda tudo esparvoeirado. Então isso é lá coisa que se faça?! E os juros acima dos 10%, boa! E a Refer e a CP devem quase dez mil milhões de euros? Como é que escreverá esse número em números: 10.000.000.000, será? Acho que nem o FMI nos pode valer... Onde é que andam os homens e mulheres de inteligência deste país?
A PDI, o sável e a alimentação saudável
Isto é tudo uma injustiça.
Dia fantástico. Sítio fantástico. Almoço fantástico. Etc. fantástico. E passo o serão a tomar chá de Príncipe (que era o que a Mãe nos dava em pequenas quando estávamos mal-dispostas).
Tanto que me apetecia sável frito. Nem sei porquê, coisas de apetecimentos inusitados (deve ter sido por causa de uma reportagem que vi na TV). Sável seja. E foi. Frito. E eu nunca como fritos. Só três rodelinhas. E mais umas batatinhas deliciosas: fritas às rodelas (que nem pertenciam ao sável, mas a gula tem destas coisas).
A minha teoria é:
Tanta alimentação saudável, nem fritos, nem sal, nem alimentos processados e o resultado é que o organismo deixa, com certeza, de ser capaz de se dar bem com as coisas a que não está habituado. Acho que só voltarei a ter um apetecimento destes daqui a pelo menos dez anos.
Ai se não fosse o chá de Príncipe...
2 de abril de 2011
Já 20 anos?!
1991. Regresso à Alemanha depois de ter decidido ser portuguesa. Vou estudar. Eichstätt. Baviera. Não os percebo. Não falam o alemão em que eu nasci. Eles percebem-me no meu não-sotaque e pensam que falo a língua deles. Quando regresso a Portugal mais tarde levarei dias a acordar perdida sem saber em que língua vou falar nesse dia. Komish (estranho)... Hoje ao estacionar o carro não desligo logo a rádio. Passa esta canção e dizem que já lá vão 20 anos. Como é que vão 20 anos?! Isto foi ontem! E eu ainda vou dentro dos 30s! Não podem ser 20 anos! Como é que eu estava na faculdade há já 20 anos?! Como é que eu posso ter memória adulta há 20 anos?! Mas sim, são 20 anos. E o que acontece é que algures perdi o Tempo. Há um hiato que me desliga de há vinte anos. O hiato em que a Mãe aguardou a morte seguido pelo meu não-casamento. E isso combinado não anda longe desses 20 anos que me dou conta não ter vivido. Eu não vivi durante quase 20 anos. Vinte anos... É tempo, muito tempo. Tempo demais numa vida tão curta. Talvez por isso, neste viver novo, eu tenha a vida que já ninguém tem nesta idade. Talvez por isso eu pense que tenho ainda a vida toda e toda à minha espera nesta independência que recusa grilhões e decisões para sempre. Veio tarde talvez, ou talvez na hora certa, mas a liberdade do Tempo foi a minha maior conquista. Sim, são mesmo 20 anos: ainda bem que já passaram.
1 de abril de 2011
O meu filme do ano
Vai com um atraso monumental. Nem sabia que existia. "Das Leben der Anderen" ou "A Vida dos Outros" que só ganhou o Oscar para melhor filme em língua estrangeira em 2006. Arrebatador e o melhor filme em língua alemã que conheço, melhor mesmo que "Der Untergang" (2004), o filme de onde toda a gente tira a cena do Hitler que goza o Sócrates e o Futre e as Scuts. Ainda pensei desistir durante as primeiras cenas, levada pela ideia feita de "Ó, mais outro filme sobre o passado torturado..." Mas depois não, não é mais um filme sobre o passado torturado, sendo, afinal, mais um filme sobre esse passado torturado de que os alemães não se conseguem curar. Genial, um script anti-Stasi que se baseia tão-só na noção de "ein guter Mensch" (uma pessoa boa), a redenção cinematográfica de que, no meio do Mal que superveio à Alemanha, sobretudo à Oriental, alguma coisa humana, no que o humano tem de imanentemente bom, deveria ter acontecido. É filme sim, mas todo aquele Mal precisa ser expurgado do colectivo para o individual. Amei!
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