8 de maio de 2011

Sonhos Blonde de cenoura e coco

Isto uma Blonde aborrecida num Domingo aborrecido dá-lhe para a suma invenção culinária. Apeteceu-me sonhos vá lá o diabo saber porquê. E não só me apeteceu como me deu para fazê-los, e nessa altura até o diabo desarvorou a sete pés porque esta Blonde nunca fez fritos e só vagamente sabia que os sonhos devem ser deep fried, coisa que nem em Português uma pessoa Blonde sabe dizer. Coisas...
Cá vai a invenção do dia.

Ingredientes:
1/2 kg de cenouras (mais coisa menos coisa)
côco ralado (a olho consoante o gosto)
2 ovos
farinha (o suficiente para fazer uma consistência semi-rala com os restantes ingredientes)
açucar (a gosto mais um pouco para polvilhar)
raspa de 1 limão
1 cálice de Vinho do Porto
fermento em pó q.b.
canela para polvilhar

Cozer as cenouras muito bem e depois de cozidas esmagá-las com o passe-vite (eu esmaguei com um garfo). Juntar ao polme de cenoura cozida, o açucar e o côco e envolver. Juntar as duas gemas de ovos, o Vinho do Porto e a raspa de limão e mexer outra vez. Aos poucos envolver a farinha com o fermento e intercalar com colheres da água de cozer as cenouras. Bater as claras em castelo e envolver suavemente no polme.
Fritar colheradas de massa numa sertã funda com óleo (operação complexa e delicada; a primeira leva que fiz viu-se negra e esturricou-se e eu nunca em dias da vida pensei que fritar fosse tão difícil).
Depois de fritos e escorridos sobre papel absorvente, polvilhar com açucar e canela (e abrir bem as janelas da cozinha porque o cheiro a fritos põe qualquer Blonde doente).
Contra todas as expectativas ficaram um SONHO. Deliciosos. Saborosos. Apetitosos e eu tão orgulhosa da proeza! Bom apetite!

Com os planos todos furados

aqui estou sem saber bem o que fazer deste Domingo, frio ainda por cima! Ó vidinha!

6 de maio de 2011

Há dias assim

Ando com uma agenda tão impossível de cheia que só desejo que chegue Domingo da semana que vem. Até lá ainda há aulas, bagagens e aeroportos, problemas, documentos, powerpoints, ressaca de emoções dos últimos dias (e se ontem foi pródigo!), logísticas domésticas... Vida!!!

4 de maio de 2011

Eu até tenho vergonha

Ao ler as notícias das medidas propostas pela Troika a este país desgovernado não deixo de pensar no incompetentes que somos que precisamos de quem nos venha dizer o que fazer. E, sobretudo, penso na falta de bom senso que tem caracterizado a nossa administração com manias de rico num país cronicamente empobrecido.

3 de maio de 2011

What's the catch?

Os portugueses acho que dizem que quando a esmola é muita o santo desconfia. Os ingleses franzem o sobrolho e perguntam "what's the catch?". Ainda não sei se é caso para alívio se para desconfiança...
Veremos as cenas tristes dos próximos capítulos à medida que as "medidas" (pardon my French!) forem sendo anunciadas.

2 de maio de 2011

O Bin Laden morto?!

Mas a foto do meliante morto é uma montagem photoshopada? E o homem foi enterrado no mar? Hmm... I smell a rat...
Nestes dez anos construí a ideia de que o Osama Bin Laden não existe, é um produto mental de Americanos e de uma facção de um Islão fundamentalista e cerrado de ideias. Agora dizem-me, assim, de supetão, que ele foi morto e querem que eu acredite no imediato, quando não há provas cabais? Quase me apetece sugerir que, tal Aquiles a passear o corpo de Heitor à frente das muralhas de Tróia, se revelem os despojos do Anti-Cristo dos nossos dias. Assim como assim, os nossos olhos e mentes já estão de tal modo habituados à violência e ao horripilante que não sei onde estaria a estranheza da morbidez. (Só tenho pena desta nossa habituação petrificada à banalização do Mal que o normaliza...).
Não sei se é um very happy day for mankind se um very sad day. Agora que é uma história sem happy ending, ai isso definitivamente.

1 de maio de 2011

1º Dia de Mãe

Passaram doze anos sem que houvesse Mãe nesta famíla. Na devastação e orfandade, o dia de hoje sempre me foi penoso, um dia em que recordava a mutilação de já não ter Mãe, de ir a um cemitério e fingir que aquilo era uma rotina de levar flores porque sim, porque o dia exigia, como se neste dia eu sentisse a obrigação de ter mais saudades do que nos outros. E sempre a dor de ver as mães dos outros e, mais doloroso, de ver os outros com mães. Sim dói. Sim, dá a tristeza da injustiça e a sensação de abandono. E sim, acho que dá ciúmes.
Este ano temos uma mãe nova. Como é que eu hei-de explicar o que sinto por ver a Mana mãe? A Mana que eu fui conhecer à maternidade, que cresceu no meu universo e que sempre e ainda eu vejo como a irmã que me fez companhia no percurso mas que é pequenina no sentido em que, sendo eu a mais velha, nutro por ela o sentimento da responsabilidade que faz dela a minha prioridade de vida? E a Mana agora é mãe.
Olho para ela com o bebé Manel e sinto-me na terceira pessoa. Fico na ombreira e não entro num mundo que não me pertence e cuja linguagem não possuo. Acho admirável. Procuro nela resquícios da Mãe. Mas não é a Mãe que encontro, é a Mana mãe e vagamente eu vejo a nossa Mãe. Traços físicos; muitos; cada vez mais, e cada vez mais ela é a herdeira dos genes da Mãe. Algumas expressões características que só a Mãe usava. No resto, sinto apenas que a Mãe lhe flui como se de uma espiritualidade se tratasse através da maquinalidade oleada dos gestos, dos olhares concentrados num objectivo impronunciável porque instintivo.
Sim, é admirável. É ver a Mana a construir vida para além da vida que tínhamos. Seguir em frente e enriquecer o caminho dela e, colateralmente, o nosso. É olhar para ela e sentir o coração insuflar-se como se ela fosse minha filha nos filhos que eu não tenho. Vejo-a à distância. É a Mana do meu Nós de irmãs, mas é Ela no mundo novo que se lhe abre, no mundo futuro, enquanto o nosso vem de outras temporalidades.
Acho que talvez seja isso que nós pais e irmãos queremos para os nossos filhos e irmãos: que eles um dia sejam Eles e se movam para um universo no qual apenas a ombreira é o espaço em que conseguimos entrar. E daí observamos com sorrisos entre o surpreso e o embevecido que o percurso valeu a pena.
Feliz Dia da Mãe, Mana!