10 de outubro de 2008

O OE e o défice


Ainda gostava de saber qual o valor noticioso (a newsworthyness) de se dar cobertura jornalística às questões do Orçamento de Estado e do défice deste país Portugal.

Pois será um orçamento de contenção - acho que nunca tinha ouvido isto em dias da minha vida.

Pois reflecte o abrandamento económico - outra grande novidade.

Pois o défice não deverá descer (muito, nem abaixo dos 2.2%) - mais uma previsão futurológica que faz a sua entrada em cena.

Pois ou é a crise petrolífera, ou é o crash financeiro, ou é a deslocalização, ou são os critérios de convergência, ele há sempre uma desculpa para se chegar a Outubro e o discurso ser sempre o mesmo. Deve ser tão fácil preparar os discursos dos Ministros nesta altura, é só copy paste e já está!

Só gostava de saber quando é que este país nos vai surpreender.

13 comentários:

Joaninha disse...

Segundo um senhor nos pro e contras a principal caracteristica deste orçamento deveria ser a possibilidade de fazer alterações ao mesmo todos os dias, porque é impossivel fazer previsões economicas neste momento.

Gostei da intrevenção do homem só por causa desta frase.

beijos

PS: não me lembro de todo quem era o senhor ;)

António de Almeida disse...

-É necessário continuar a conter o défice, a dívida pública não deve subir, o orçamento deve ser de rigor. Os impostos não devem subir mais, já atingiram um patamar asfixiante, seria até desejável uma descida, como tal não vejo outra alternativa que não seja a descida da despesa pública. Há obviamente que classificar a despesa pública, nem toda será má, tal como o investimento, poderemos questionar a oportunidade dos mega-projectos, neste momento questiono mais o aeroporto, depois o TGV, mas não contesto minimamente a necessidade de conclusão do plano nacional rodoviário. Questiono rigor nos concursos públicos, evitar derrapagens, porque é aí que a despesa descontrola. Também gostaria duma orientação mais liberal na economia, mas temos de ser realistas, por exemplo, sou dos que defende a privatização da CGD, mas não na actual conjectura, seria vendida abaixo do real valor, já me parece uma boa altura para o estado se livrar da GALP, preferencialmente separando os negócios da refinação e distribuição. Para mais, receitas deste género, estruturais, não devem servir para pagar despesa corrente. É necessário reformar, na administração, justiça, saúde, está tudo por fazer. Costumo afirmar que existe estado a mais, o P.R. no 5 de Outubro complementou a minha ideia com o óbvio, também existe muita gente, demasiada, encostada ao estado. A começar nas nossas grandes empresas. O PSI 20 é uma vergonha. Todos dependem do estado para tudo, o tacanho que nos governou 48 anos deixou isto bem armadilhado, o PREC fez o resto. Podemos alterar a legislação, mas não as mentalidades.

Ferreira-Pinto disse...

Então, mas que exigentes estais!

Pois não é verdade que Portugal nos surpreende todos os dias?

Blondewithaphd disse...

Jo,
Se fosse só este ano que é impossível acertar nas previsões económicas é que eu me admirava. E deixa lá eu também não canso aqui o neurónio louro a saber quem é que vai para a tv falar.;)

Blondewithaphd disse...

António meu caro,
Deu para ver que o assunto o interessa. A mim até interessa mas enfastia-me a mesmice de sempre. É de uma sensaboria que até faz impressão. Subscrevo muito do que diz (a começar pela imperiosa necessidade que Lisboa tem de um aeroporto novo e todos os seus custos, mas enfim, são as nossas cabeças pensantes da praça pública a tentarem utilizar a fuselagem mental).

Blondewithaphd disse...

Quinn,
A mim surpreende-me a falta de surpreendente!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Surpreender? Ora deixe lá ver... Talvez no Carnaval, quando começarem a nacionalizar uns bancos.

Blondewithaphd disse...

Carlos,
Mas aí é Carnaval...:)

Peter disse...

Como todos sabemos, o Orçamento permite ao país funcionar (mal...) pois, caso contrário, o Governo teria de o fazer por duodecimos. Com a presente situação, não sei o que dali irá sair, ou talvez saiba: UTOPIAS.

Rafeiro Perfumado disse...

Faz-me lembrar o trabalho que se tem para preparar o orçamento do Departamento, depois vai-se mostrar ao chefe e ele diz:
- Pegue no do ano passado e acrescente 5%

JOY disse...

Olá Blonde

Todos sabemos que os tempos não são de modos a aventuras , mas é uma verdade que os orçamentos do Governo PS têm sido mais do mesmo, sem pinga de diferença, faça chuva faça sol.

Fica bem
Joy

joshua disse...

A linguagem da política, enquanto função executiva, ainda nos não leva a sério e por isso mesmo não conjuga os verbos, não usa os advérbios nem utiliza os adjectivos da Verdade.

Lastimável esta falta de Verdade e da inovação criativa de a dizer como forma de nos respeitarem a inteligência.

joshua disse...

A conjuntura é esplêndida para moralizar e reformar o Estado, diria ao António. Paradoxalmente, é. É o tempo de pedir sacrifícios a quem tem sido preservado deles e de ser exigentes com quem tem encaixes e ganhos mal tributados.

Por exempllo, os agentes do Capital estão no epicentro do problema: não se fala em escrutiná-los, não se fala numa devassa a quem tem tirado partido no Buraco Negro que perpassa o Mundo. Mas lá chegaremos a bem do 'ou há moralidade ou comem todos'.

Em Portugal, simplesmente, à vontade pré-eleitoral do Governo em gastar e ufanar-se da folga supostamente averbada segue-se que a conjuntura perigosa e arriscada internacional coloca freios claros. Tudo obstaculiza a lógica processional deslumbradística e demagógica a rodos com que pretenderiam arreganhar os dentes estes aprendizes de feiticeiro.

São tempos de cut the crap e vamos ser criativos e sinérgicos. Mas não. Só querem passar por redentores e imprescindíveis Queridos Líderes.