17 de novembro de 2018

Indiana e a primeira visão do Lago Michigan

Estamos na região dos Grandes Lagos, a maior superfície de água doce do mundo. No Niágara e no Ohio, o lago chama-se Ontário. É grande, enorme, mas é um anão comparado com o Michigan.
Depois de atravessarmos o Estado do Ohio, entramos no do Indiana e chegamos a uma cidadezinha apropriadamente chamada Michigan City. Procuramos as margens do lago e damos connosco numa praia que tem de familiar o parecer uma praia oceânica. Estes lagos são tão gigantescos que têm marés, tempestades, ondas, histórias de naufrágios, faróis, portos e praias tal como qualquer mar de água salgada. É impossível ver as margens do outro lado, cortadas que estão pelo horizonte da esfera terrestre. Há gaivotas e algas, areia e seixos.
A sensação é estranha porque o cérebro tem de estar constantemente a lembrar-se de que o que os olhos vêem é um lago. O cheiro a maresia é substituído por um cheiro intenso de água e humidade e a areia não se nos cola nos pés por ausência de salinidade. Repito os pensamentos que tive a primeira vez que vi o Lago Michigan. Foi há uma década e eu estava em Chicago. Fiquei boquiaberta com a sua envergadura líquida, a expansão azul ilimitada que os meus olhos viam e a mente a saber que este mar não vai dar a lado nenhum.
Vejo os veraneantes que se portam aqui como em qualquer lusitana praia, como em qualquer estância mediterrânica e penso na variedade de experiências que a Natureza nos oferece. Haja mundo!

14 de novembro de 2018

Ir dormir ao Ohio

Entramos no Estado do Ohio, uma passagem no rumo que levamos destinado até ao estado do Illinois a muitos, muitos quilómetros de distância. Vamos dormir a Cleveland e o que levamos daqui é mesmo a estrada. Ainda procuro algo interessante ou pitoresco mas o Hall of Fame, que afama Cleveland, não é uma coisa que me desperte grande curiosidade. Assim, é só isso, o Ohio é uma travessia. Cleveland uma pernoita.

10 de novembro de 2018

Niagara

É a terceira vez que vou às cataratas do Niágara mas a primeira em que estou do lado norte-americano. Do lado do Canadá assistimos ao espectáculo das quedas de água como se fossem um palco e nós observadores a plateia. É uma visão de cenário em frente a nós a que se tem do lado canadiano. De outra vez, embarquei num daqueles barcos que vão rio dentro até ficarem perigosamente perto da água em queda e, agora, observo o monumento de água feroz da verticalidade da queda.
Do lado americano não vemos as quedas de água à nossa frente. Estamos por cima delas, vamos até à beira de onde elas se precipitam. Não há visão de cenário, ou visão de distância, há a vertigem do precipício, o rugir trovejante das toneladas líquidas que se jogam velozes precipício abaixo. ao cabo destas três vezes, acho que já mais nenhum ângulo me falta. Podia ainda ir fazer um tour de helicóptero mas eu temo a radicalidade das vertigens e nada me compele ou seduz nessa ideia.
Lembro-me da primeira vez em que vi as cataratas. o cumprimento de um sonho de sempre e o fascínio que nos produzem esses momentos. Hoje venho mostrá-las ao meu marido e observar o fascínio que elas exercem num outro alguém.
Estamos de regresso ao carro para nos irmos embora quando um americano olha para nós e nos diz se não queremos os bilhetes que ele comprou para o eléctrico que dá a volta ao parque em que se insere o complexo das cataratas e a Goat's Island. Aceitamos. O senhor que ora nos oferece os bilhetes pensou duas vezes e acha que não tem joelhos capazes de aguentar estarem muito tempo sentados nos bancos de madeira do eléctrico. Fazemos a round trip e pensamos que, tirando o tal do helicóptero não nos falta fazer mais nada aqui. Levamos a memória de um portento da natureza que vale a pena ver mais que não seja uma vez na vida. Eu já repeti três vezes e é sempre uma excitação dar conta da nossa pequenez face a este tipo de colossos vivos...

7 de novembro de 2018

A máquina para a viagem na estrada

Depois de uns dias em Nova Iorque, a "irrequietação" pede-nos a estrada aberta e sem destino. No aeroporto de JFK alugamos a viatura que nos acompanhará nas próximas duas semanas. Pode ser irracional mas pensamos sempre que para o tipo de viagens que fazemos, um carro grande oferece mais segurança do que um pequeno, por isso optamos sempre por segmentos menos compactos. Isto, em milhares de quilómetros nunca se sabe o que pode suceder e, além disso, numa roadtrip é no carro que se passa a maior parte do tempo e convém algum conforto.
Pensamos um bocado em grande desta vez e optamos por um SUV. No concessionário dão-nos um Ford Explorer que, para nosso espanto, tem matrícula do Québec. Ainda perguntamos como raio é que em Nova Iorque se dá a coincidência de alugarmos um carro canadiano, ainda por cima francófono. Depressa damos conta da pergunta parva. Então não somos useiros e vezeiros em alugar um carro num sítio e deixá-lo a milhares de quilómetros de distância? Alguém terá feito o mesmo a este Explorer. Ou seja, arranjámos companheiro habituado a estas circunstâncias das viagens em que o destino é a própria da estrada.
No resultado desta matrícula exótica vamos passar por canadianos várias vezes nos dias seguintes. De cada vez que nos cumprimentam com um afável "Bonjour!", sabemos a razão: somos canadianos!

3 de novembro de 2018

Nem tudo é giro em Nova Iorque

Quando andamos a passear nem tudo o que vemos tem de ser giro, interessante, digno do nosso gosto. Não muito longe da Rockefeller Plaza, encontro estes exemplares de arte de rua, mais chiquemente denominada "street art". É suposto que estas estátuas de um cão e uma coelha representem os jornalistas, a imprensa. A mim assustam-me. Não percebo as analogias e fico a pensar nas coisas que se fazem em nome da imaginação ou só para se dizer que se é criativo...

31 de outubro de 2018

Figos da Índia e marmelada

E é por isto que ninguém me tira daqui deste meu campo. Batem-me à porta e entram figos da Índia e marmelada acabadinha de fazer. O Outono tem destas delícias e eu agradeço sorrindo... Obrigada.

27 de outubro de 2018

Rockefeller Plaza

Associamos o nome Rockefeller às grandes fortunas americanas. Rockefeller representa sucesso elevado ao zénite, triunfo e concretização no absoluto possível do sonho americano. Mas Rockefeller é também o olhar o próximo, aquele que não chegou lá acima. A Rockefeller Plaza é, para mim, um cadinho da multiculturalidade desta cidade. Convida à paragem e à contemplação de quem por lá passa. É deixar-se estar ali uns minutos só a observar. Gosto destas paragens para me dar à visão. Às vezes a visão pensa mais e fala mais do que a mente. Inspiro este pedaço da cidade antes de continuar a deambulação. Dar-se tempo é um luxo...