20 de março de 2019

Obsessão mórbida?

Porque é que será que há no Alentejo esta obsessão com capelas de ossos. Esta é em Monforte. Há uma em Évora. Conheço outra em Campo maior. Será que é um fenómeno histórico local ou sou eu que desconheço a disseminação geográfica de capelas de ossos?

16 de março de 2019

Pôr-do-sol alentejano

É verdade, sim senhora, que ocasos por detrás das linhas distantes de horizontes marinhos são deslumbrantes mas há algo de primordial e telúrico num pôr-do-sol entre sobreiros de terra vasta.

13 de março de 2019

Alentejo: minha paixão

Depois do mar, a terra. Talvez mais do que no mar, a alma mora-me na imensidão da terra. Nenhuma raíz, nenhum laço, nenhuma origem me liga ao Alentejo. foi, aliás, uma descoberta tardia na vida, quando mudei de vida e todo um capítulo novo de liberdade se abriu. Vim (re)descobrir-me e (re)encontrar-me aqui nestas planícies serenas de ondulação suave. Ficou-me o amor e é amor, em várias formas, que associo a estas paragens. É o apelo do Sul, das memórias unicamente boas. É encantatório e tornou-se-me uma necessidade. Não consigo quantificar o prazer que me dá de cada vez que aqui torno...

9 de março de 2019

O mar que me espera

Há sempre um mar amigo que me espera ao cabo das distâncias que percorro. Regresso, com um pouco mais de mundo nos olhos e na alma, mas é aqui que me sou e me dou. compreendo a alma lusa, tem ânsias de oceano e horizontes largos. O mar explica-nos porque nos chama perpetuamente desde o início do tempo. Inspiro o ar salgado e fresco, batido de ondas atlânticas. Sim, estou de regresso.

6 de março de 2019

Novo regresso

É hora de tornar a casa, à casa amada do outro lado do Oceano. Vinda da América profunda, onde tanto gosto de me perder, vejo à distância os contornos familiares da cidade que nunca dorme e onde eu penso que tudo é, de facto, possível. Vejo-a de passagem, do outro lado do vidro da janela do carro. Passo-a em branco e ao lado. Dentro de momentos sobrevoá-la-ei para a deixar para atrás até um qualquer dia...

2 de março de 2019

Vir à lagosta ao Moby Dick's

Vir a Cape Cod e não ir ver baleias (já fui em 2001) ou não vir comer lagosta ao Moby Dick's é passar ao lado das atracções principais deste longo Cabo que se enrola sobre si próprio. Não há mesas reservadas. É enfrentar a fila de espera e fazer disso uma experiência sem a qual não se vem a este restaurante de beira de estrada, fenómeno turístico, mais do que gastronómico. O que se pede? Naturalmente, qualquer prato de lagosta, seja a própria ou as variadas formas em que a própria se apresenta.
Não há mesas com toalhas de pano e pratos de porcelana. Há a nobre lagosta descida ao comezinho do cartão e do plástico descartáveis porque aqui a freguesia é muita e o tempo pouco para delicadezas refinadas. Como turista, faço o mesmo que os outros: visto e feito. Eu até nem aprecio lagosta assim tanto...

27 de fevereiro de 2019

Nevoeiro em Cape Cod

O meu fascínio por nevoeiro deve vir de um dos livros da Enid Blyton, ou de "Os Cinco" ou de "Os Sete", já não me recordo, mas havia, numa das histórias, um episódio em que os amigos, e mais o cão, se perdiam num nevoeiro denso e aquilo, para uma adolescente que gostava de aventuras, era leitura fenomenal. Em suma, tenho o paradoxo de detestar dias de nevoeiro e adorar andar dentro de nevoeiro (sobretudo se for a esquiar montanha abaixo sem sequer ver a ponta dos esquis, mas isso é outra história). Desceram as nuvens aqui em Cape Cod. As praias estão desertas e os faróis, tão típicos destas costas serpenteantes, solitários. O som da rebentação das ondas fica abafado pela neblina densa e húmida. A paisagem torna-se romântico-literária e tanto Byron como Shelley seriam felizes aqui. Também sou. Andar por aqui, neste estado de solidão envolvente, tem qualquer coisa de confortável e misterioso. Haverá sol algures no mundo, mas hoje e aqui impera este cinzento que nos abraça molhado.