Mamã, deixei de vir aqui. A vida faz-se de novos projectos, o tempo foge, as responsabilidades aumentam. Mudou muito e mudou pouco desde a última vez que aqui estive. Basicamente, mudei-me para outras paragens digitais, mais na moda, mais imediatas, sei lá. O tempo não cresce e um blogue faz-se de tempo e disponibilidade. Noutros lados, a rapidez compensa o tempo que me escorre fugaz.
2020 está a ser um ano pesado de estranho, fico feliz que cá já não estejas. Dizias-me que eu estava segura quando me aconchegavas os cobertores e prometias que não haveria mais nenhuma guerra, nós que sempre fomos traumatizados de guerra. Acreditei que o mundo era o lugar que me prometias no meu conforto mesmo sabendo das guerras e de todas as inseguranças e terrores que assolam o mundo. Por alguma razão, não me atingiriam, afinal nós estamos na zona confortável do planeta e da vida, os tais 10%.
22 anos depois, aqui estamos nesta estranheza de tudo. O mundo parou, os países fecharam, as pessoas esconderam-se, nada é normal e, na minha vida, nada também é normal. No dia antes de o país fechar despedi-me do Spotty à tardinha. Uma despedida definitiva a um amigo que partilhou o meu caminho durante mais de treze anos. Juntos até ao fim. Não tive tempo de luto ou de me aperceber do sucedido porque no outro dia, toda uma outra realidade amanheceu. Parecia um filme catástrofe com a diferença de ser real e não ter um fim esperado. Ainda não sabemos o fim. O Pai já não é ele. Vive num corpo que parece o dele uma existência sem presente e nunca pensei que tivesse de assistir a esta velhice. No outro dia fugiu do hospital. Tem apenas fugazes lampejos de ser ele. Vive contigo e antes de ti num passado em que só ele vive A Tante Ruth morreu no Verão e agora que quero ir vê-la ao cemitério a Berlim, as fronteiras estão mais fechadas do que durante a Guerra Fria que nos amedrontava e que tu prometias nunca me ir afectar. Não reconheço nada disto, Mutti.
Hoje são 22 anos. Penso neste número, como penso em todos os números a cada ano destes anos: em incredulidade. Morrias-me hoje há 22 anos e hoje eu vou gravar um episódio para o meu canal. Imagina! Eu tenho um canal de programas que filmo à frente da câmara por trás da qual está o marido que me apareceu muito depois de tudo e que tu nunca conheceste. Ele acha-te linda. Como não? Vê as tuas fotos e acha-me parecida contigo. Às vezes já me olho ao espelho e vejo-te. O ar nos olhos que me olham do espelho é o teu. A expressão está cada vez mais tu à medida que me aproximo da tua idade. Tem vezes que acho que não chego lá, que vou partir antes ainda do precoce em que partiste. Quem sou eu para te ultrapassar na idade. Tem outras que acho que me farei velha como a Avó ou mais. Escrevi sobre essa velhice e saiu uma livro que viu a luz do dia e que agora, vê só, vai levar a nossa história além-fronteiras. Como vês, passa-se tudo mesmo que me parece que não se passa nada pois eu estou sempre aqui contigo no coração como se o tempo não existisse pois não é possível que sejam vinte e dois anos.
Nestes últimos tempos, e talvez porque me esteja a aproximar de ti na idade ou no tempo a menos que falta para te reencontrar, tenho pensado no propósito da minha vinda Aqui e nos meus sentimentos. Chego à conclusão que vim para ti e por ti e que tu és o grande amor da minha vida. Se sinto falta ou pena de nunca ter sido mãe? Não, na verdade.Eu sou sou mãe, e, por isso, não tenho nem pena nem falta. Fui tua mãe quando tu precisavas de uma. Fui mãe da tua outra filha quando tu lhe faltaste e sou tia-mãe de duas crianças felizes que se enganam e me chamam mãe de tanto que me amam e de tão habituadas estão À minha existência na sua. Amo todos na minha vida, daria a vida sem pestanejar pelos meus e fá-lo-ia alegre mas tu és o Amor da minha vida, a alma antiga que me acompanha desde antes de mim, que me inspira os livros e me sopra o fôlego dos sentimentos.
Deixei de vir aqui, Mamã, mas por ti regresso sempre...
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28 de junho de 2020
10 de agosto de 2019
28 de junho de 2019
21
Às vezes penso quando é que vou deixar de vir aqui, de me lembrar deste dia, quando o vou esquecer ou fazer dele uma banalidade normal daquelas que nos passam despercebidas. Acho que não o faço por isso seria traír-te, menorizar-te no meu coração, quando menor é tudo o que não és nem nunca foste. O filho que eu teria tido, se fosse vida e não morte o que assinala esta data, seria um adulto na plenitude da maioridade, aquela a que se chegava antes de ela ter descido aos dezoito anos do fim adolescente. Quem seria e o que faria com os seus vinte e um anos. Que vida teria eu tido mãe dessa pessoa? Ao invés, tenho sido filha ferida pela saudade e pela amputação. Nunca o superei, como não o quero superar.
Não é masoquismo esta lembrança, é uma forma de me avivar de ti, Tu que andas sempre presente e te fazes notar a cada instante. A vida seguiu-nos, de uma maneira estranha, é certo, mas seguiu. Hoje temos o que temos, sendo o que somos, órfãos de ti mas gente viva que viveu o que soube e pôde depois daquilo. Vinte e um anos, Mãe. Vinte e um, tenho de repetir para me dar conta do lapso de tempo menos rico e feliz que passou entre aquele dia e hoje. Lembro-me de como pensava que cinco anos eram tantos, depois dez e mais e agora isto, este número com tendência a crescer, enquanto decresce a minha proximidade de ti.
No meio disto tudo sou feliz. Feliz porque te tenho e feliz da sorte que me fez ser-te o que sou. Não me fiz mãe de algum filho que agora fizesse vinte e um anos e estivesse prestes a seguir a sua vida longe de mim. Continuei filha e filha morrerei, como morreria se me tivesse feito mãe como a tua outra filha. É assim a vida, eu venho aqui, um dia estarei aí.
Não se dizer como te amo... Mãe.
Não é masoquismo esta lembrança, é uma forma de me avivar de ti, Tu que andas sempre presente e te fazes notar a cada instante. A vida seguiu-nos, de uma maneira estranha, é certo, mas seguiu. Hoje temos o que temos, sendo o que somos, órfãos de ti mas gente viva que viveu o que soube e pôde depois daquilo. Vinte e um anos, Mãe. Vinte e um, tenho de repetir para me dar conta do lapso de tempo menos rico e feliz que passou entre aquele dia e hoje. Lembro-me de como pensava que cinco anos eram tantos, depois dez e mais e agora isto, este número com tendência a crescer, enquanto decresce a minha proximidade de ti.
No meio disto tudo sou feliz. Feliz porque te tenho e feliz da sorte que me fez ser-te o que sou. Não me fiz mãe de algum filho que agora fizesse vinte e um anos e estivesse prestes a seguir a sua vida longe de mim. Continuei filha e filha morrerei, como morreria se me tivesse feito mãe como a tua outra filha. É assim a vida, eu venho aqui, um dia estarei aí.
Não se dizer como te amo... Mãe.
9 de janeiro de 2019
País maravilhoso
Pode fazer frio. Pode ser o pico do Inverno, mas temos este sol ameno, esta limpidez de céu e este mar infinito. Somos heróis do mar e a ele precisamos sempre voltar. Temos o mar-oceano por tão garantido que nos esquecemos do quão privilegiados somos pela geografia que nos calhou em sortes...
#iloveportugal
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26 de junho de 2015
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