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10 de junho de 2010

Blonde e o Cartão de Cidadã


Isto quando dois neurónios se encontram dá nisto.
Blonde (ainda não legalmente divorciada) vai fazer o Cartão de Cidadã (esperando que dentro em pouco o fará novamente sob os auspícios de estado civil diferente).
Senhora da Loja do Cidadão (SLC) - Ora deixa cá abrir a nacionalidade. - Uns segundos para a página carregar. - Ai! Não estava à espera disto!
Blonde (B) - Ai, não me vai mandar para os Registos Centrais, vai? - Diz Blonde antecipando o eterno calvário das papeladas que lhe são pedidas por causa da naturalidade.
SLC - Não. Mas é que nasceu fora. - Diz desmoralizada sem Blonde saber porquê.
B - Bem, é um sítio tão bom para nascer como outro qualquer. - Replica Blonde bem-humorada.
SLC - Sim, mas é que é preciso preencher uma página nova.
B - ?!
SLC - Pois... Sabe onde nasceu?
B - ?! - E, de repente, Eureka. - Ah, quer que eu lhe escreva?
SLC - Olhe, já agora. - E passa o teclado a Blonde.
B - Nordrhein-Westfallen. Mönchengladbach. Rheydt-Ödenkirchen.
SLC - Pois... Eu assim não ia lá...
Uns minutos depois. Blonde tem o talão para levantar o cartão. Repara na altura: 1,64.
B - Olha, cresci um centímetro! - Diz rindo, porque o BI antigo regista 1,63 (lógico: 1,63 + 1 = 1,64).
SLC - Pois... Ele ali na máquina [aquela toda triques onde se regista a foto e as impressões digitais] estava a dar 1,81 e eu achei melhor acrescentar um centímetrozito.
B - Sabe, - diz Blonde rindo - eu já pedi montes de vezes para me alterarem a altura. Isso é o que eu media aos dez ou coisa que o valha, mas nunca mudaram. Qualquer dia aparece aí o meu cadáver num sítio qualquer e não corresponde, já viu? Para a próxima eu venho cá e a senhora acrescenta outro centímetro. Daqui a uns anitos já meço o que meço.
SLC - (Risos)
Sim, muito divertida esta coisa do cartão do cidadão.

4 de junho de 2010

Anel de Descasamento


Andava eu à procura da notícia absurda de os alunos do 8º ano poderem transitar directamente para o 10º caso tenham 15 anos, quando me surgiu uma outra muito interessante, justo agora por estes dias em que divórcio e o quanto me vai custar (além do que já me custou) é o que eu mais penso.
Como há que descomprimir e fazer um certo comic relief das agruras da vida, lá deixei o absurdo das ideias absurdas em matéria de educação em Portugal e fui espreitar as novas tendências em joalharia para divorciados (logo eu uma impenitente jewelaholic).
Então a tendência mais actual, hiper, mega é reciclar as alianças de casamento (cruzes credo que eu digo casamento e encho-me de urticária no cérebro). Pois a minha até era toda gira (comme moi, há que dizê-lo) e está-me cá a parecer que lhe vou dar uma volta bestial. Já a bandeja de prata, ao estilo de Salomé, só que a cabeça era a minha, vai ao ourives apagar a gravação idiota e levar uma com a futura data do divórcio (que esperemos não seja para daqui a dez anos) e mais qualquer coisa muito Hollywood a modos que "Independence Day" ou "V for Victory", até podia ser "D-Day", mas eu já tenho uma salva com "Dia D" que me deram quando defendi o doutoramento (D-Doutoramento, estão a ver, não é?) e, convenhamos, imaginação é coisa que não me falta (a dar crédito à contestação à petição inicial do meu futuro-em-parte-incerta-ex-marido).
Portantinho, vou inventar um desenho bem à la Blonde, dar um rumo à aliança e continuar a ser uma trendsetter blondelíssima na vanguarda da moda. Quem sabe se não tenho um futuro promissor na alta-joalharia? (Bem, talvez seja melhor não, senão vem o futuro-ex a dizer que se não fosse ele eu não me tinha divorciado, logo não tinha feito uma aliança de descasamento e ainda me pedia uma parte dos lucros "derivado" à ideia ter a ver com ele, cruzes!!! Lagarto, lagarto!!!)

14 de fevereiro de 2010

Outra vez este dia...


Nunca gostei do dia de São Valentim, muito menos gosto que lhe chamem o nome pindérico de Dia dos Namorados (coisa mais tacanha!), mas é fatal como o destino que todos os anos aqui venha escrever seja o que for a propósito.
Há dois anos andava náufraga num casamento desfeito e escrevia em título "Amar Apesar" convencida de que tinha descoberto uma grande verdade. Balelas! Claro que não se pode amar apesar. Ou isso, ou então sou eu que não quero nada amar apesar e não vou amar apesar.
O ano passado a coisa já foi muito diferente. Libertara-me da estupidez do amar apesar, revia os meus sentimentos e reposicionava-me na vida.
Este ano... Bem, este ano, vejo esta estrada longa até ao horizonte e quero percorrê-la sem chegar ao horizonte...

5 de janeiro de 2010

Ó que neura 2!


E não é que já não há bilhetes NENHUNS em lado NENHUM para o Michael Bolton!!! Rats! And double rats!!!
Eu a pensar que era só eu e o meu gosto pimba, afinal está o Coliseu esgotado de pimbas! It's so not fair! Damn!

29 de dezembro de 2009

Natal '09 - Já a rememoração


Sento-me no sofá. Fiz um bule de Christmas tea (o meu bule deutsche Technologie que o Pai me trouxe da Alemanha e que não escorre nem um pingo, tão contrariamente aos bules portugueses, e o meu chá inglês de gema). São cinco da tarde de Domingo e ainda estou em pijama. A casa está vazia. A minha casa grande, opressiva na solidão de uma pessoa, parece-me calorosa e menos distante - engraçado como tantas vezes eu olho a minha casa na distância solene que ela me impõe, nas divisões que não habito, nos espaços que só uso de passagem, no frio de uma casa pouco vivida apesar da história, apesar da família que já cá morou tão feliz e depois tão desgraçada pelo destino. Hoje não. Hoje há luz e calor. Cheira a Natal na madeira que arde na lareira, nos doces todos que ainda estão na mesa posta. O meu primeiro Natal na nova vida. Tanto que o antecipei. Tanto que o preparei. Estou feliz. Tão feliz que acordei e não me vesti, eu que, como boa alemã, tenho horror à ideia de "faulenzen", à preguicite pela preguicite. Andei a cirandar pela casa toda o dia todo e a lembrar-me constantemente do Natal maravilhoso e das pessoas maravilhosas que fazem o meu universo.
O ano passado redescobri o Pai num Natal longe daqui, este ano vejo-lhe os sorrisos risos que ficaram nas fotos que lhe tirei. Sim, vejo-o feliz e isso conforta-me a alma e inunda-me dos mesmos sorrisos risos. O riso do Pai... Meu Deus, como é bom.
No dia 24, a Paula veio cá no meio dos meus preparativos. Tratou da casa grande enquanto eu, heroicamente, devo dizer, enfrentei a lareira e a acendi. Nem acredito, olhando-a que arde, que consegui acender a lareira. Dantes isso era tarefa do Pai ou do não-marido-ex. Claro que a seguir estive num stress desgraçado a mudar de roupa e a lavar o cabelo à pressa tal foi a fumarada, pronto e a Paula também me disse para abrir as janelas antes que morrêssemos sufocadas, mas não interessa: acendi a lareira sózinha.
Quando eles chegaram, reluzia tudo, a lareira crepitava viva, a mesa estava linda e eu já tinha destressado. A Fátima ainda apareceu por cá antes de nos sentarmos para a Consoada. Puxou-me para a cozinha porque tinha um presente privado. Lingerie.
- Quero que te sintas sempre poderosa porque és a melhor mulher do mundo. - Oiço.
Depois páro para lhe explicar que estou bem e feliz, que relativizo o ano que passou porque me permitiu chegar aqui, de bem comigo e com a vida. Porque, ao fim e ao cabo, acabou por ser o melhor ano da minha vida. E é nisso que penso sentada no sofá a beber o meu chá e a reviver as cenas do meu Natal.
A Zana e o Zé passaram por cá no dia de Natal. Abraços e mais sorrisos. Presentes deliciosos: cortinas que a Zana teceu no tear, azeitonas que ela e o Zé colheram, azeite. Retribuo com a geleia dos meus marmelos, fotos das férias. E o Pai feliz...
E sim, estou aqui em casa feliz da vida, nesta casa que faço regressar à vida e que acordo dos anos de frio e solidão em que, tal como eu, viveu. Tantas vezes que, infeliz e amargurada, me passou pela cabeça vender este casarão solitário. Não agora. Agora quero reacendê-lo e voltar a fazer dele uma casa, uma casa de gente feliz e portas abertas. O meu Natal foi tão especial...

21 de dezembro de 2009

Natal '09 - O Centro de Mesa


Nem me lembro de andar tão entusiasmada com a preparação do Natal. Depois do annus horribilis de interregno o ano passado, é muito libertador e feliz voltar a ser a anfitriã do Natal na família.
Vai daí, esta manhã acordei com uma ideia epifânica. Tesoura de poda em riste e Spotty atrás pelo jardim. Apanhei maçãs de roseira, umas hastes de hera et voilá! O meu centro de mesa para as Festas, servido numa fruteira da Avó Matilde de 1930 e troca o passo. Acho que ainda o vou compor com mais umas quantas maçãzinhas, mas para já, para já, acho que está giríssimo! Que tal?

19 de dezembro de 2009

Blonde goes i - again!

E agora o que é que se diz?
OBRIGADA!


(Engraçado como o que mais me abriu os olhos naquela lista de gente escrevedora foi um pseudónimo esotérico, "Blonde", no meio de nomes tão nomes. Céus!, a Blonde sou eu!
Pseudónimo... pois... não me apetece lá muito justificar, é um pouco como justificar pela milionésima centésima vigésima segunda vez a história da minha vida que, sendo portuguesa, nem sempre o fui, que teimo em não ter o sotaque que teimam que eu tenho, que não sou loura por vir de um país do Norte e mais uma série de coisas.
Blonde... pois... e não é que sou eu?)

E, parenteses existenciais àparte, outra vez: obrigada! I'm walking on the shoulders of giants, sentindo-me infinitamente minúscula e humilde.

16 de dezembro de 2009

Catarse 2009


Com o ano a acabar começo a fazer sucessivos balanços de um ano verdadeiramente extraordinário: porque meu inteiramente, o primeiro ano totalmente entregue a mim que o vivi comigo e que o fiz por mim.
Passa hoje um ano que aqui vim pela primeira vez falar do meu divórcio, expor-me a mim que me escrevia. Confrontar-me nas letras que corriam soltas no pensamento e precisavam de forma física. Ver o divórcio escrito para o exorcisar, acho que foi isso. A catarse de o tirar cá de dentro. A catarse sublimada quando me ouvi no som que as minhas letras faziam quando o Pedro Rolo Duarte leu aquele texto na rádio. Foi tão definitivo tudo aquilo, uma espécie de rito iniciático com que comecei a minha vida. Não vou falar de recomeços mas de começos absolutos. O meu casamento morto é uma espécie de não-existência, um hiato vazio que não deixou saudades ou presenças, não precisou de lutos nem de lágrimas por isso não posso falar de recomeços. Curioso como não restou nada, nem ex-marido, nem filhos, nem custódias de Spotty, nada, apenas uma longa batalha judicial pelo direito à ruptura. E curioso também como o divórcio me tem dado mais que fazer e que contar do que aquele casamento morto.
Neste ano que passa vejo-me aqui, a mesma e tão diferente. Tive de aprender tantas coisas, decidir tantas mais. Aprendi a viver na solidão desacompanhada, porque da solidão acompanhada eu poderia escrever um tratado, até mesmo uma nova tese de doutoramento se preciso fosse. Sobretudo, aprendi a viver na minha companhia e descobri que gosto de me ter por companhia. Olho-me no espelho e vejo, agora, uma mulher, loura, na altura da vida de ser mulher, que me prescruta a alma e me diz para seguir em frente que vou bem no caminho. E dou graças. Dou graças, ao Deus que os Homens dizem não gosta do desmembramento matrimonial, pela libertação. Dou graças pelos meus privilégios enquanto ouço alguém que me diz que fui eu que os construí e os tornei privilégios. Mesmo assim dou graças porque eu podia ter soçobrado algures no percurso antes de os adquirir na minha vida.
Se estou feliz? Sim, tão mais. Infinitamente mais. Se passar ao lado dos passos cambaleantes que tantas vezes dei ao longo deste ano, vejo o extraordinário: as pessoas que aqui entraram nesta vida, todas importantes, todas encerrando em si a minha mudança; os sentimentos novos; as sensações novas; as experiências todas. Tive a minha dose generosa de dores anímicas, quebras e pausas, incertezas. Também precisei de colar o coração com fita-cola que se desprendia em tantos instantes. Mas, no cômputo geral, e agora que aqui cheguei, valeu tudo a pena. Aprendi e amadureci com tudo. Estou tão mais rica como ser humano. E dou graças outra vez pela possibilidade de viver o que vivo e como vivo.
Escrevi "Catarse" há exactamente um ano mas esta "Catarse 2009" que agora escrevo não é mais um momento catártico é, antes, o marcar simbólico da viragem para, vendo-a na distância temporal, avaliá-la de mim para mim. É, digamos, a celebração do annus versus para dizer que sobrevivi, que estive lá e que, felizmente, prefiro estar aqui. Que bom que já passou um ano.

15 de dezembro de 2009

Blonde, Spotty e Geada em barda


E porque é que eu hoje de manhã tive de andar à procura da carrinha debaixo de carradas de gelo, hein? E porque é que eu, loura todos os dias, me lembrei de chapar com água no pára-brisas, dar às escovas e, estúpida até dizer chega, ficar feita parva no caminho da água que as escovas "escovaram" do vidro, hein? E porque é que eu quando cheguei às 8 (da manhã, óbvio) à faculdade já levava o neurónio em frangalhos à conta da geada e do banho de água gélida que só não me paralisou o segundo neurónio porque eu não o tenho, hein?
Porque para não incomodar Sua Excelência Senhor D. Super Spotty nem me atrevo a deixar a carrinha na garagem. #%*+!!

14 de dezembro de 2009

Do Fado


Está a fazer um ano que descobri o Fado (até fui aos arquivos do blog para ver quando tinha sido, sim está a fazer um ano). E, naquelas coincidências cósmicas inexplicáveis, quem me convidou para ouvir fado o ano passado, convidou-me, again, para ouvir fado. Que diferença, meu Deus. Que diferença de estado de espírito e o que ela traz de novidade e alegria.
Há um ano convidaram-me para me amparar de solidões, este ano convidam-me com antecedência para uma festa privada. Ponho os meus pendentes de cristal que comprei o ano passado em memória daquele serão inesquecível. Reconheço caras que me reconhecem também. Estou alegre como não estava o ano passado. Alegre porque já não estranho a vida nova, alegre porque construí a vida nova. Interessante como este ano ouvi fado sem pensar na tristeza que o fado canta. Abstraí-me da dor lusa, do negro das roupas e fixei-me nas vozes (que vozes...), concentrei-me na teatralidade da Simone que, não tendo já o viço na voz, tem o encanto de quem nos conquista com a expressão da maturidade que lhe admiramos. Não me doeu na alma e penso se é só com dor que entranhamos o fado. Talvez não, senão não teria gostado. No entanto, pergunto-me se o ano passado não terei gostado do fado pela dor que sentia, pelo reflexo da alma dorida na música triste e se este ano não terei gostado do fado pelo distanciamento da dor?
Não sei. Sei que foram experiências diferentes proporcionadas pelos momentos diferentes desta vida Blonde que se faz aos poucos.
A vocês que estiveram comigo e que me dão mais, tão mais, do que possam sequer imaginar.

12 de dezembro de 2009

Série de Hotel


O meu extraordinário programa de sexta à noite é ver a série "Mad Men". É a minha série de hotel. Já vi no Porto, aqui na Covilhã, em Viseu. Se estou em casa, tenho mais (and better) que fazer, mas na solidão de hotéis refastelo-me a ver como aquela malta vivia nos anos 60, os pré-revoluções culturais que nos trouxeram aqui a pós-pós-Woodstocks.
E vejo a série a lembrar-me do Pai, do Pai que me disse estar feliz por eu não viver no séc. XIX quando eu lhe disse que me ia divorciar, o Pai que me educou para eu viver como um homem e triunfar como um. E eu olho para a série e só penso que nem era preciso sentir o alívio do Pai ao ver que a filha não vive no séc. XIX, eu olho para a série no alívio de Eu não viver em 1960 e tal.
Não é que me apeteça ver "Mad Men" todas as semanas, mas que está um incrível retrato de época está, e é, igualmente, um valente "wake up call" para todos nós que vivemos num tempo de tão maiores liberdades cívicas conquistadas, precisamente, pelas gerações saídas da realidade da tela de "Mad Men".
Como é que elas viviam dentro daqueles sutiãs anti-gravidade é que faz uma confusão danada!

8 de dezembro de 2009

Natal '09 - A Árvore


Nasceste! E aí estás a alegrar a casa que este ano se enche novamente de Natal.
Sabes, o ano passado não houve Natal cá em casa pela primeira vez desde sempre. Não podia ser. Não havia espírito, nem vontade anímica e eu não conseguia arranjar a força para a celebração, para as decorações, as compras. Havia demasiados pesos em cima destes pobres ombros, demasiadas coisas avassaladoras que me consumiam a alma, a mente e o coração. Eu não tinha a capacidade para me concentrar em mais algo que fosse e, assim, cedi o lugar de matriarca à Mana e fui apenas filha e irmã. As Festas passaram por mim e não eu por elas como costuma ser. Foi bom que tomassem conta de mim. Acho que precisei de mim o ano passado: parar por e para mim.
Mas este ano não. Reclamo as Festas e os meus papéis habituais. Porém, tem de ser tudo reinventado. Dei as antigas decorações, presépio incluído, à Paula (que todos neste blog sabem é o meu braço-direito nesta casa grande onde vivo com o Spotty). Só preservei algumas decorações antigas do tempo da Mãe e da Alemanha, recordações, muito mais que enfeites de Natal. Não me apetece montar um pinheiro como todos os pinheiros e foi aí que pensei em ti.
Tinhas de ser uma árvore diferente de todas, tal como diferente de todos vai ser este Natal que antecipo e preparo com tanto esmero e carinho. Trouxe-te de Santiago do Cacém, onde eu nunca tinha ido na vida e onde fui levada pela energia do inesperado das pessoas boas. Parecia que o céu ia desabar em chuva sobre as nossas três cabeças desprotegidas lá no alto do morro. Mas o céu aguentou a chuva, percebendo que um propósito maior nos fazia desprender os teus ramos da árvore morta e nua no chão. Eram ramos primordiais que tinham um papel principal a desempenhar num Natal a muitos, muitos quilómetros dali e, por isso, nem tu nem os céus obstaram à nossa missão.
Vieste contorcida na bagageira e chegaste aqui. Pintei-te com spray branco de tinta para carros que comprei na secção auto de um supermercado porque eu não sei onde se compra tinta para pintar Árvores de Natal. Sabes, eu não sou lá muito prendada mas sou muito desenvencilhada. Pus-te lá fora no jardim enquanto aguardaste heróica que eu te pintasse e que o Spotty não te esfanicasse de curiosidade tonta enquanto eu, como sempre, gritava com ele para parar quieto e me deixar acabar o trabalho com o mínimo de tinta nas mãos, o que, como viste, não foi exactamente possível.
Agora estás ali na sala-de-estar. Estás tão bonita. Sabes o que significas para mim? Emancipação. Alegria. Cortes totais com o passado. Vida absolutamente nova e a afirmação de mim para mim. Não és um pinheiro, és tu nos teus ramos decorados frugalmente e é o seres tu, única e exclusiva como quem te escreve, que interessa. Olho-te e sorrio por ter chegado aqui da maneira que cheguei aqui. Enches-me de orgulho, sabes?

24 de novembro de 2009

Há tardes assim...


... com bolo de chocolate, capuccino, a cidade no bulício lá fora e a vista maravilhosa, a amizade que vem de longe, as conversas da vida e isso mesmo: a amizade.
Fabelhaft!

15 de novembro de 2009

Depeche Mode Live in Lisbon - again



One word: AMAZING!
O que é que se diz de um grupo destes? Apenas os clichés todos de bons que são.
Gostei imenso do concerto deles há dois anos da "Touring the Angel" tournée, mas este "Songs of the Universe" está fenomenal. E o Dave Gahan pode ter tido cancro, torcido um tornozelo em Bilbao e cancelado onze concertos nesta digressão que ninguém nota (e ainda bem que fizeram Lisboa!). O homem é imparável! Toma o palco de assalto e prende-nos naquela voz de aço única enquanto nos deixa suspensos no carisma que dá a alma à banda. O Martin Gore, que seria frontman numa outra banda qualquer, arrebatou um Pavilhão Atlântico, onde já não cabia nem uma agulha, com "Home" e os novos arranjos em "I Feel You" e "Personal Jesus" foram, para mim, dos momentos mais fantásticos num concerto absolutamente memorável. Não se nota nada que sou fãnzérrima, pois não? :)
Em suma, os Depeche foram arrasadores, como sempre. Nós agradecemos.
Já a Selecção Nacional... enfim, no comments. Cá para mim até podemos ir jogar contra a Selecção das Ilhas Fidji ou a do Turquemenistão que mesmo assim passamos as passinhas (tanta passa, credo!) do Algarve!

13 de novembro de 2009

PINTEI O CABELO!!!!!!!!!


- Oh, my God!!! (ler em gritinho louro histérico)
Fartei-me dos brancos! Fartei-me resistir! Ontem tive assim uma epifania, virei o volante para fora do meu caminho e cá vai disto!
Aproveitei e... ah tesoura com ele! Divórcio novo, vida nova!
E então... GOSTEI! Passei de hiper-mega-loura para mega-hiper-loura:) Em linguagem técnica: o meu querido louro dourado passou a louro cinza, aquele tipo seara de palha. Não é mais claro, é... diferente. Não é bem o meu mas os brancos foram à vidinha deles e adeus minhas encomendas!
Ainda pensei que me ia dar uma onda nostálgica qualquer, que ia ter um ataque de nervos na cadeira do salão, que ia chorar de angústia e raiva pela mudança mas não. Hoje acordei e a Blonde continua no espelho. Que bom!
Que bom!

4 de novembro de 2009

Por esta altura há um ano...


... andava eu nos mares revoltos das grandes decisões. Aqui no blog ninguém suspeitava mas, por detrás da Blonde, a dona da Blonde separava-se sem vacilações, sem lutos, sem olhar para trás, sem arrependimentos. O blog só soube algum tempo depois quando a dona da Blonde percebeu que ela e a Blonde são a mesma pessoa.
Pois é, um ano inteiro passou. Depressa demais, talvez, em tanta Vida vivida, em tanta coisa acontecida, em tanta reviravolta e tanto turbilhão de emoções e sensações. Acho que o divórcio acabou por ser, não tanto o inevitável desmoronar de um casamento condenado a priori desde ainda antes do casamento. O divórcio foi, sobretudo, uma segunda hipótese de Vida, como se eu tivesse passado por uma doença trágica ou um acidente grave e sobrevivido para começar realmente a viver.
É maravilhoso viver desagrilhoado: aceitar os desafios da carreira, pegar num avião e ir não importa onde, relacionar-me com quem quer que seja que aqui aterre nesta tal Vida de singularidades (engraçado como isto me faz lembrar o conto do Eça "Singularidades de uma Rapariga Loura", embora as minhas semelhanças com a tal rapariga loura se esgotem no cabelo).
Porém, mais que tudo, nada há de tão extraordinário como descobrir-me Eu neste preciso momento da Vida. Que bom é ter aqui chegado, com as âncoras que jamais me deixam soçobrar nas tempestades que por vezes se levantam, os meus sucessos (que são tantos, meu Deus) e todas as razões que me fazem Eu, Blonde e dona de Blonde, neste aqui e neste agora.
Há um ano fui para Londres no estado de espírito de quem quer e vai começar uma Vida nova, interessante como não parti para curtir mágoas, aliás, eu estava tão feliz. Depois regressei e confrontei-me com a Vida nova, tudo novo, desde o Natal diferente às rotinas que anteriormente não existiam. Voltei a Londres mais tarde e noutro estado de espírito: desta vez acomodada, de certo modo, a uma fase desta Existência que ainda me deixa perplexa na quantidade de benesses com que me trata. E tudo isto apenas porque me separei, porque saí do comodismo do deixa andar e meti os pés a caminho desta outra/nova Vida que, afinal, sempre esteve aqui à minha espera.
E escrever isto tudo porquê? Bem, porque, sem saber como ou porquê, tive um flash, súbito como todos os flashes, de que Tudo mudou há um ano atrás agora e que o Agora é infinitamente melhor do que há um ano. Acho que, no fim de contas, faço anos agora, um ano, um ano já. Vivo.

30 de outubro de 2009

They're Back!


And I won't be here! Rats!
Tinha de ser justo neste fim-de-semana? Ok, eu fui vê-los o ano passado. Mas ia vê-los outra vez. Oooooh, que pena.
Eu sei, eu sei que mais pimba do que isto é capaz de ser impossível, mas o que querem, eu gosto... Enfim, vingo-me nos Depeche Mode daqui a uns dias.
Backstreet's Back, alright!

25 de outubro de 2009

E a big question é:


Porque é que mesmo separados continuamos a dormir no mesmo lado da cama?
Homessa, eu podia dormir ao meio da cama, do outro lado, gastar os lençóis por igual, mas não!

2 de outubro de 2009

Neste dia meu

Acordo com o cheiro de pão fresco acabado de cozer que me invade a casa. Está sossegada a minha casa. Volto-me na cama indecisa entre levantar-me ou ficar ali nos lençóis mornos, na penumbra clara do sol de Outono que entra pelas persianas e pela porta. Vai ser um dia bom. Um dia meu.
Vejo-me a descer as escadas para ir fazer café forte. Imagino-me a cortar fatias daquele pão quente feito com sêmola de milho, flocos de cevada e farinha de trigo que deve estar uma delícia. Sim, quero acordar. Tenho tanto por que acordar e o dia todo sem pressas e sem destino à minha espera. Fico mais um pouco. Só mais um pouco.
Organizo-me mentalmente. A marmelada que ainda não está pronta. As escritas. O ginásio. Uma despedida de "até sempre e obrigada". Tudo coisas para este dia meu. Tudo coisas sem pressas num dia sem rotinas. O primeiro dia meu em muitos dias, depois de muitos dias de mudança. Um dia meu igual aos dias meus que eram as minhas rotinas e que, agora, me são distantes. Tão distantes como se o passado fosse um lugar longínquo, cuja cartografia se perdeu por entre uma qualquer selva que lhe engolfou os trilhos.
Vai ser um dia bom. Um dia meu.

14 de fevereiro de 2009

Amar apesar?


Há um ano atrás eu chegava aqui e escrevia, com toda a autoridade de loura burra convencida de que é esperta, que o amor não é uma coisa fácil e que só é realmente amor quando se conta o "apesar". Olhando para trás, não me revejo minimamente nas coisas que escrevi. Aliás, entre aquela pessoa que ali estava a escrever e esta que hoje aqui escreve há todo um abismo. Aquela pessoa lutava contra muros, achando estupidamente que o amor não tem de ser fácil porque quando é pode ser destruído com a facilidade proporcional. E mais estupidamente achava que um compromisso se pode e tem de manter no "apesar" do sofrimento, "apesar" do distanciamento, "apesar" do vazio, "apesar" do silêncio.
Hoje acho que "amar apesar" é uma estupidez, uma perda de tempo, um desinvestimento em Vida... um pecado, por muito que isso choque com a Igreja dos Homens. Amar apesar de nos tornarmos estranhos numa relação? Amar apesar da incomunicabilidade? Amar apesar do infindo peso com que esse pseudo-amor nos esmaga? Não. Amar não tem de ter apesar nenhum. Amar tem de ser uma coisa redonda, sem arestas, apêndices, grumos.
Fiquei egoísta? Talvez. Só sinto, neste momento, nesta fase, que o "apesar" não vale a pena. O amor acontece e ponto final. O amor é fluído e ponto final. O amor é "clean" e ponto final. Eu não tenho de amar apesar dos apesares todos. Eu não tenho de violentar sentimentos e forçar o amor. Eu só tenho de me encaixar no amor. Melhor, eu só tenho de esperar que o amor se encaixe em mim.
Fiquei desencantada? Não, nunca. O amor não desencanta ninguém. O que fazemos dele e com ele é que nos pode desencantar. O sentimento em si não. Há lá coisa melhor do que amar? Não é verdade que sem amor somos umas criaturas tristes e incompletas, cinzentas, vazias, anímicas?
Pergunto-me, com curiosidade, o que é que eu virei escrever aqui de hoje a um ano...