Mostrar mensagens com a etiqueta Diaries of a Blond Bimbo Housewife. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Diaries of a Blond Bimbo Housewife. Mostrar todas as mensagens
18 de abril de 2012
17 de agosto de 2009
Home...

... is where the heart is.
E o meu coração está nesta casa. Aqui, com os meus espíritos, o meu passado, as boas e as más memórias, os espaços que conheço de cor, o cheiro a madeira antiga, o eco das escadas, o jardim.
Hoje. Hoje, estaciono à frente do portão e olho a minha casa com os olhos da primeira vez. O que será que vê quem vê esta casa pela primeira vez? A bougainvília fúchsia que cresce desmedida e que a Mãe plantou. A hera que eu plantei. As árvores sem nome que eu trouxe do Egipto dentro de uma garrafa de água vazia. As flores que o Sr. Luís plantou na Primavera e sim: o Spotty que percorre o seu reino com a pose de dono e a relva com os carreiros que ele abre nas suas deambulações. Home. My home. My heart.
Entro. Está fresco. A frescura calma que a minha casa tem no Verão, graças às ideias isolantes do Pai que a construiu anti-sísmica quando não se falava disso. Deposito as chaves na mesinha da avó Ária (sim, Ária). Subo à biblioteca que já foi do Pai, que a Mãe idealizou no papel e que hoje é só e tão completamente minha. Levo ideias de purga e a vontade derradeira que me tem faltado nestes últimos meses, pelo tanto que tenho sempre que fazer, pelo cansaço provocado por outras arrumações de quem tira alguém da vida. Há já muito pouco da outra existência. Mas esse pouco é para ser erradicado, agora, com a urgência vital que me toma de arremesso.
Papéis insignificantes, tão quanto os do meu casamento de papel esboroado, revistas que nada me dizem, disquetes de quando os computadores tinham disquetes, caixas de vídeo, molduras vazias: esqueletos de vidas passadas tão ocas quanto as molduras esventradas. Nada me dá nostalgia, nada me evoca nada. Será possível este nada? Este desapego? Este nada emocional? Tão nada que nem chega a ser vazio. Um nada que não me perturba e me deixa incólume à sua não-existência.
Cada coisa que sai é espaço meu que entra. Escorro suavamente para dentro da casa grande, "obscenamente grande para uma só pessoa", dizia eu por estes dias. Quero desmedidamente ocupar o espaço, o meu espaço. Apoderar-me das divisões onde nunca entro. Quero sê-las mais do que tê-las. A casa que é um pedaço tão grande de mim, como grande ela é. "Obscenamente grande para uma só pessoa"... Não me importo mais. Não me incomodam mais os ecos da minha única presença. Não me perturba mais o espaço em que me perco. Vou vivê-la com a vida de uma nova vida: a minha.
E o meu coração está nesta casa. Aqui, com os meus espíritos, o meu passado, as boas e as más memórias, os espaços que conheço de cor, o cheiro a madeira antiga, o eco das escadas, o jardim.
Hoje. Hoje, estaciono à frente do portão e olho a minha casa com os olhos da primeira vez. O que será que vê quem vê esta casa pela primeira vez? A bougainvília fúchsia que cresce desmedida e que a Mãe plantou. A hera que eu plantei. As árvores sem nome que eu trouxe do Egipto dentro de uma garrafa de água vazia. As flores que o Sr. Luís plantou na Primavera e sim: o Spotty que percorre o seu reino com a pose de dono e a relva com os carreiros que ele abre nas suas deambulações. Home. My home. My heart.
Entro. Está fresco. A frescura calma que a minha casa tem no Verão, graças às ideias isolantes do Pai que a construiu anti-sísmica quando não se falava disso. Deposito as chaves na mesinha da avó Ária (sim, Ária). Subo à biblioteca que já foi do Pai, que a Mãe idealizou no papel e que hoje é só e tão completamente minha. Levo ideias de purga e a vontade derradeira que me tem faltado nestes últimos meses, pelo tanto que tenho sempre que fazer, pelo cansaço provocado por outras arrumações de quem tira alguém da vida. Há já muito pouco da outra existência. Mas esse pouco é para ser erradicado, agora, com a urgência vital que me toma de arremesso.
Papéis insignificantes, tão quanto os do meu casamento de papel esboroado, revistas que nada me dizem, disquetes de quando os computadores tinham disquetes, caixas de vídeo, molduras vazias: esqueletos de vidas passadas tão ocas quanto as molduras esventradas. Nada me dá nostalgia, nada me evoca nada. Será possível este nada? Este desapego? Este nada emocional? Tão nada que nem chega a ser vazio. Um nada que não me perturba e me deixa incólume à sua não-existência.
Cada coisa que sai é espaço meu que entra. Escorro suavamente para dentro da casa grande, "obscenamente grande para uma só pessoa", dizia eu por estes dias. Quero desmedidamente ocupar o espaço, o meu espaço. Apoderar-me das divisões onde nunca entro. Quero sê-las mais do que tê-las. A casa que é um pedaço tão grande de mim, como grande ela é. "Obscenamente grande para uma só pessoa"... Não me importo mais. Não me incomodam mais os ecos da minha única presença. Não me perturba mais o espaço em que me perco. Vou vivê-la com a vida de uma nova vida: a minha.
4 de junho de 2009
As emoções são como as cerejas
Hoje decido que sou feliz. Não é que não o seja, mas esqueço-me muitas vezes, muitos dias, perdida nas responsabilidades, rotinas e inquietações do quotidiano. Hoje lembram-me, a Vida lembra-me, que sou feliz na minha vida.
Assino o último sumário do semestre numa das minhas turmas, despeço-me dos alunos e ameaço-os com o típico: "Don't even dare failing this subject!" Rodeiam-me, não me deixam arrumar as coisas, a funcionária do bloco entra com a ficha das presenças e nem me vê, ou eu a ela. Depois da comoção diz que ficou arrepiada - nem lhe digo que eu fiquei ainda mais: "Gaita, posso não fazer nada de jeito, mas isto, isto faço bem!", penso enquanto a turba irrequieta que está prestes a acabar o seu primeiro ano na universidade sai da sala acenando-me e mandando-me beijinhos pelo ar. Gosto imenso de dar aulas...
O telemóvel toca:
- Doutora, pode vir ao meu gabinete? - É o meu advogado. Penso nos processos pendentes de um divórcio litigioso apanhado na nova lei (juro que vou comprar uma página de jornal e atirar aos legisladores a embrulhada da nova lei, garantidamente!). Antecipo o que se antecipa quando um advogado nos telefona.
Nada disso! Quer dar-me cerejas! Toneladas delas! Disse-lhe um dia que gostava de cerejas, já nem sei a que propósito. Leva-me ao carro dele e na bagageira um enorme cesto de cerejas, lindas, ainda com as folhas verdes agarradas. Estou tão sem palavras que nem sei as coisas que lhe digo em agradecimento. Estes gestos não se agradecem. Ele não sabe que eu sei, mas eu sei que ele falou com colegas minhas e lhes pediu que olhassem por mim. E isto, isto lá se pode agradecer? Aqui está este homem outonal, farto de publicar sobre Direito da Família, com uma carreira de décadas e aqui vem dar-me cerejas e pedir a quem convive comigo que olhem por mim.
Chego a casa. O Senhor Luís e a mulher estão entretidos a colocar os alegretes anti-Spotty à volta dos canteiros. Dou-lhes cachos das cerejas que trago enquanto lhes pergunto como se estão a entender com os canteiros.
- Ó Dona Blonde, vamos agora dar aqui uma volta ao jardim, mas depois disto vamos ter de fazer uma revolução na garagem.
Acho uma ideia excelente porque a minha garagem é a balbúrdia no faroeste. Nunca lhes teria pedido isso porque não gosto de abusar. E depois ouço os planos que o Senhor Luís tem para o jardim: pinta-se os muros e os gradeamentos, desbasta-se a hera que cresce nas paredes, se calhar temos de mudar o tapete de relva e mais uma série de coisas. Fico quieta a ouvir e a pensar que eles os dois me querem ajudar a manter a casa porque me vêem só. Querem ajudar-me. Nos tempos em que havia uma outra presença em casa eles nunca me disseram nada, limitavam-se a fazer o que eu lhes pedia, o trivial de arranjar um jardim relativamente grande onde um cão impõe um considerável grau de destruição. Mas agora que me vêem só, dizem-me o que há a fazer e dão-me ideias. Aliás, o Senhor Luís deu uma volta a todas as fechaduras de todos os portões para garantir a minha segurança. Isto também nem se paga, nem se agradece.
Sim, só posso ser feliz, só posso estar feliz. A vida, como na letra da canção dos musicais da Broadway, é como uma taça de cerejas:
Life is just a bowl of cherries.
Don't take it serious; life's so mysterious.
You work, you save, you worry so,
But you can't take your dough when you go, go, go.
So keep repeating it's the berries,
The strongest oak must fall,
The sweet things in life, to you were just loaned
So how can you lose what you've never owned?
Life is just a bowl of cherries,
So live and laugh at it all.
E eu hoje recebi cerejas...
23 de maio de 2009
In the garden with Blonde
- Ó Dona, pensavas que estavas fora estas semanas todas e chegavas aqui e zás eu ia ter contigo todo derretido? Era o querias!
Bem, já fizémos as pazes entretanto:)
12 de fevereiro de 2009
FINALMENTE!!!!!!! 2

Nem acredito que chegou o SOL!!!!!!
Uma pessoa sente-se logo outra: menos sorumbática e amorfa. A Vida arrasta-se menos quando este sol, pouco quente e brilhante num céu limpo e lavado pela chuva, irrompe ao cabo de dias e dias de humidade e cinzento.
Só é pena eu estar aqui em prisão domiciliária, perdida entre livros e ideias para uma comunicação que tem de ser escrita e que não me apetece minimamente. Apetecia-me antes desatar a escrever um romance de cordel, algo que não me puxasse pelo cérebro louro e que eu pudesse ir fazer lá para fora, sentada no jardim com o pc ao colo (e o Spotty a chatear-me o juízo). Apetecia-me ler insanidades, fazer um capuccino e ficar a olhar para o céu.
Como alguém me disse aqui há dias:
"Hoje apetecia-me ser loura..."
5 de fevereiro de 2009
Um dia Blonde
Dou comigo imóvel entre a ombreira da porta da despensa. Olho fixamente para as prateleiras cheias de tudo e mais alguma coisa: uma lata de azeite de Creta, embalagens de diversas espécies de cogumelos desidratados, um pote de chutney de manga, latas de leite de côco, chás de todas as proveniências, latinhas de moluscos que comprei em Espanha, massas de todas as qualidades e feitios, um frasco de molho de soja japonês e outro indonésio, sacos de ervas para queijo feta, ervas para moussaka, condimentos para tzatziki, as caixas todas de bombons que me deram pelo Natal e que se vão estragar, frutas em calda, puré de maçã, goiabada, um cesto com nozes que já devem estar ocas, eu sei lá. Acho que herdei da Mãe a síndrome alemã do bunker. Na nossa casa em Bremen tínhamos um que estava sempre atulhado de víveres para o caso de deflagrar uma guerra e eu achava aquele espaço o máximo. Como nós, os vizinhos todos. Lembro-me que um dia eu tinha uma bola encarnada com estrelas amarelas que me fugiu para o bunker da casa ao lado e eu tive vergonha de lá ir pedi-la. Se calhar ainda lá está perdida entre latas de Sauerkraut e Bockwurst à espera da guerra. E também me lembro de um dia a Mãe andar à vassourada a uma aranha preta, peluda e enorme que entrou sem convite no tal do bunker. Foi uma luta digna de se ver, mas a Mãe, linda com o seu cabelo louro impecavelmente apanhado e um mini aventalinho às flores encarnadinhas e umas socas com sola de madeira, venceu. Fiquei muito orgulhosa.E agora aqui estou eu frente à despensa, olhando estupidamente para as prateleiras e a pensar que, se calhar, era boa ideia fazer qualquer coisa para jantar. Mas o quê? Não me apetece cozinhar. Por mim, comia uma rodela do ananás que sei está no frigorífico e despachava o assunto. Que tal uma pasta? Não, não me apetece ir fazer molho de tomate. E um risotto? Não, que deito sempre água a mais. Salada? Hoje não. Hmm... inventar uma coisa qualquer? Também não, passei um dia estúpido entre exames para corrigir, mails de Chicago, uma proof reading que já me farta o neurónio e a empregada esteve cá o dia todo. Não estou com pachorra para invenções. Estou tão apática que nem fui ao ginásio e este tempo húmido e frio já enjoa.
Oiço na televisão da cozinha o genérico do telejornal. Há que tempos não estou em casa a esta hora. Há que séculos não faço jantar. E eu ali em frente às prateleiras da despensa sem uma ideia, sem um apetite mais especial que me dê uma luz para o jantar. Sei que tenho ovos no frigorífico, mas devem estar estragados e depois o que é que se faz com ovos? O congelador também está cheio, mas já não me lembro de quê. De certeza que de peixe em todas as espécies e não me apetece grelhados. Penso numa salada de frutas. Afinal tenho a fruteira cheia. Mas só o trabalho de ir preparar os frutos e depois pensar no que vai sobrar, oxidar e acabar no lixo demove-me da ideia.
Arrasto-me para a cozinha. Ainda peguei num pacote de noodles chinesas mas o prazo expirara em Outubro. Na televisão a notícia de alguém que se matou e matou mais alguém lá para os lados do Portugal profundo e ostracizado. Não ligo, não me interessa. Decidi que vou fazer Abendbrot, que é tudo e nada, que não é uma receita, é só jantar em alemão. E na Alemanha o jantar é mesmo isso: Abend e Brot, o pão que se come ao serão.
No centro de um prato disponho umas rodelas de tomate e um punhado de salada de pacote. À volta umas amostras de queijo, uma fatia de presunto, que muito me admira ter em casa, e um pouquinho de um paté com frutos secos. Tosto pão. Faço um chá. Já está o dilema resolvido. Parece que os juros se vão manter nos 2%. Também não me interessa. Ainda me estou a lembrar da Mãe às voltas com a super-aranha. Acho que vou cedo para a cama. Talvez comece um livro novo...
27 de janeiro de 2009
10 de dezembro de 2008
E nada de costeletas
Primeirissimamente confesso que não sei se é costeletas ou costoletas e não me dei ao trabalho de ir ao dicionário! Suponho que sendo costelas e não costolas deverá ser costeletas, se não for, será talvez... bifanas.Já me interrogava quando é que aconteceria alguma coisa aos pobres dos suínos. Sim, é que as vaquinhas piraram, e os frangos engriparam-se depois de tanto nitrofurano. Chegou a altura dos leitõezinhos se intoxicarem em dioxinas, o que quer que isso seja. Ora bem, sobra o quê, carnivoramente falando? Cordeiros e cabritos. Ah, e coelhos! Olhem só a sorte de uma Blonde que de carnívoro tem muito pouco. E o pouco resume-se, precisamente, a bifes de frango e às ditas costeletas bem temperadinhas (ok, também não se diz que não a outras vitualhas carnívoras desde que bem mascaradas e não passem por animais de estimação da Heidi ou primos do Bugs Bunny).
E de talho estamos conversados. Eis que chega mais uma vaga de histerismo com a ASAE em campo em busca das toneladas de costeletas perdidas! (Hmm... belo título: "ASAE e as Costeletas Perdidas" starring Harrison Ford as Inspector da ASAE, a Christmas blockbuster in cinemas near you). Sinceramente, tenho pena das donas-de-casa, as verdadeiras. O que lhes deve valer é que é Natal e viva o bacalhau (do Pacífico, atulhado em mercúrio e chumbo) e o perú (bêbedo de tanto antibiótico).
Gaita, lembrei-me agora que faço um lombo de porco recheado acompanhado de castanhas que deve ser das poucas coisas que me resultam bem na cozinha (para grande e genuíno pasmo!) e que é servido em vez do perú natalício! Lá terei de ir indagar a nacionalidade do bicho, o que me vale é saber línguas! Não esperem, este ano a Blonde não entra na cozinha no Natal! Ufa, já me safei! Mandem lá vir os leitões irlandeses! E dioxinas com eles!
21 de novembro de 2008
Do Suplício da Dona-de-Casa

Ontem foi dia de ir às compras, logo foi dia de esta Blonde vestir a capa da dona-de-casa desesperada, pouco entusiasmada, bimba e trapalhona. Até aí nada de novo, até porque levar a intenção prioritária de comprar café descafeinado e deixar o dito nas prateleiras do supermercado não é nada que nunca por estas bandas tenha acontecido. Adiante.
Andava eu perdida por entre pensamentos de: "Porque carga d'água deixei eu o bilhete das compras na porta do frigorífico?" e "O que é que diabo havia no raio da lista das compras?" quando o telefone toca (e não era para discos pedidos). Era a senhora da Bimby que me fez uma demonstração da panela maravilhosa o ano passado e continua sem perceber porque é que eu não me rendi às evidências fantásticas do aparelho. Ora isto em pleno supermercado. É trágico, no mínimo. Trágico porque é sempre agradável sermos confrontados com as nossas incapacidades de maneira dupla: o confronto da Blonde com o supermercado sem lista de compras (e mesmo que tivesse lista) e o confronto da Blonde com a Bimby.
- Ó Dona Blonde só lhe estou a telefonar para saber quando é que lhe posso ir aí levar uma Bimby.
- Ó Dona Blonde ainda me lembro daquele chá maravilhoso que me fez. - Pois, é que a Blonde só aguenta demonstrações de Bimbys regadas a chá (mas do bom!).
Se a Blonde já ia sem lista de compras, o telefonema ainda a baralhou mais e fazer compras sem absoluta concentração é tarefa difícil. No fim, apercebo-me, agora, que não comprei iogurtes, que estou sem café descafeinado, que o ananás que está na fruteira já deve ter ultrapassado o prazo de validade e eu não comprei outro de substituição. I just love being a housewife!
Andava eu perdida por entre pensamentos de: "Porque carga d'água deixei eu o bilhete das compras na porta do frigorífico?" e "O que é que diabo havia no raio da lista das compras?" quando o telefone toca (e não era para discos pedidos). Era a senhora da Bimby que me fez uma demonstração da panela maravilhosa o ano passado e continua sem perceber porque é que eu não me rendi às evidências fantásticas do aparelho. Ora isto em pleno supermercado. É trágico, no mínimo. Trágico porque é sempre agradável sermos confrontados com as nossas incapacidades de maneira dupla: o confronto da Blonde com o supermercado sem lista de compras (e mesmo que tivesse lista) e o confronto da Blonde com a Bimby.
- Ó Dona Blonde só lhe estou a telefonar para saber quando é que lhe posso ir aí levar uma Bimby.
- Ó Dona Blonde ainda me lembro daquele chá maravilhoso que me fez. - Pois, é que a Blonde só aguenta demonstrações de Bimbys regadas a chá (mas do bom!).
Se a Blonde já ia sem lista de compras, o telefonema ainda a baralhou mais e fazer compras sem absoluta concentração é tarefa difícil. No fim, apercebo-me, agora, que não comprei iogurtes, que estou sem café descafeinado, que o ananás que está na fruteira já deve ter ultrapassado o prazo de validade e eu não comprei outro de substituição. I just love being a housewife!
18 de outubro de 2008
A Dona-de-Casa Bimba

Vá-se lá saber porquê, e o espírito de uma Blondewithaphd é daquelas coisas intrinsecamente insondáveis e, temo, incompreensíveis mesmo para uma Blondewithaphd, apeteceu-me fazer mexilhões neo-zelandeses para o jantar. Mas tinham de ser neo-zelandeses e ponto final. Porque não me apeteceu cozinhar mexilhões pretos e os neo-zelandeses são verdes e ficam muito bem, esteticamente, com uma certa receita do Jamie Oliver com leite de coco e gengibre fresco ralado.
Como é Sábado e a bimba da Blondewithaphd vive no campo, não teve outro remédio senão pegar na viatura e dirigir-se à conglomeração urbana mais próxima em busca dos ditos mexilhões verdes. Eu disse Sábado, correcto? Sim. Só que a bimba da Blondewithaphd, que, diga-se para memória futura, está para as donas-de-casa como a renda de bilros está para a 7ª arte, deve ter-se esquecido do que significa meter-se a dar ares de dona-de-casa ao Sábado. Mas o estado amnésico passou-lhe logo quando se viu grega para aparcar a carrinha no estacionamento do hipermercado.
Já lá dentro, e para complicar, a dita cuja, já com os mexilhões verdes no cabazinho e pronta a zarpar dali para fora, passou pela secção do salmão fumado e ora que vem de lá com um pacote de angulas, anguilas ou que quer que a Língua Portuguesa tenha reservado para a vitualha em questão.
- Hmm, isto até ia bem nuns "huevos revueltos" com uma saladita verde! - pensou a bimba que, como quem não sabe inventa, de vez em quando tem assim umas ideias tresloucadas e pensa que vai criar qualquer coisa nunca antes experimentada no mundo gastronómico.
Azar! É que a bimba para fazer os tais dos "huevos" precisa, exactamente, de... ovos, pois claro. Coisa que, à semelhança de batatas e leite, é rara em casa da bimba.
E agora alguém explica como é que é possível que numa gigantesca superfície comercial dedicada às mercearias e que, pasme-se, até tem mexilhões da Nova Zelândia!, não se vendam ovos em caixas de 1/2 dúzia? A única coisa duvidosa que se assemelhava vagamente a uma caixa de 1/2 dúzia dizia "Super Eggy" com Ómega 3. Mas o que diabo são ovos "super eggy" (free range ainda vá, agora super? e eggy? - haverá ovos não eggy?)? E ómega 3 não é uma coisa dos peixes? O neurónio, que não está para brincadeiras destas, desconfiou daquilo e abalou sem os ovos. Bem lhe bastava a confusão circundante.
Moral da história:
Ponto um: ainda bem que a bimba não se lembrou de querer umas ostras de Ostende!
Ponto dois: a Blondewithaphd admira as verdadeiras donas-de-casa que enfrentam os hipermercados em hora de ponta, que compram ovos às dúzias e que não se importam se os mexilhões vêm em preto ou verde.
Ponto três: a dita acabou por ir jantar fora...
Como é Sábado e a bimba da Blondewithaphd vive no campo, não teve outro remédio senão pegar na viatura e dirigir-se à conglomeração urbana mais próxima em busca dos ditos mexilhões verdes. Eu disse Sábado, correcto? Sim. Só que a bimba da Blondewithaphd, que, diga-se para memória futura, está para as donas-de-casa como a renda de bilros está para a 7ª arte, deve ter-se esquecido do que significa meter-se a dar ares de dona-de-casa ao Sábado. Mas o estado amnésico passou-lhe logo quando se viu grega para aparcar a carrinha no estacionamento do hipermercado.
Já lá dentro, e para complicar, a dita cuja, já com os mexilhões verdes no cabazinho e pronta a zarpar dali para fora, passou pela secção do salmão fumado e ora que vem de lá com um pacote de angulas, anguilas ou que quer que a Língua Portuguesa tenha reservado para a vitualha em questão.
- Hmm, isto até ia bem nuns "huevos revueltos" com uma saladita verde! - pensou a bimba que, como quem não sabe inventa, de vez em quando tem assim umas ideias tresloucadas e pensa que vai criar qualquer coisa nunca antes experimentada no mundo gastronómico.
Azar! É que a bimba para fazer os tais dos "huevos" precisa, exactamente, de... ovos, pois claro. Coisa que, à semelhança de batatas e leite, é rara em casa da bimba.
E agora alguém explica como é que é possível que numa gigantesca superfície comercial dedicada às mercearias e que, pasme-se, até tem mexilhões da Nova Zelândia!, não se vendam ovos em caixas de 1/2 dúzia? A única coisa duvidosa que se assemelhava vagamente a uma caixa de 1/2 dúzia dizia "Super Eggy" com Ómega 3. Mas o que diabo são ovos "super eggy" (free range ainda vá, agora super? e eggy? - haverá ovos não eggy?)? E ómega 3 não é uma coisa dos peixes? O neurónio, que não está para brincadeiras destas, desconfiou daquilo e abalou sem os ovos. Bem lhe bastava a confusão circundante.
Moral da história:
Ponto um: ainda bem que a bimba não se lembrou de querer umas ostras de Ostende!
Ponto dois: a Blondewithaphd admira as verdadeiras donas-de-casa que enfrentam os hipermercados em hora de ponta, que compram ovos às dúzias e que não se importam se os mexilhões vêm em preto ou verde.
Ponto três: a dita acabou por ir jantar fora...
Subscrever:
Mensagens (Atom)
