Foi no ano em que as Torres foram abatidas que aqui estive pela primeira vez. Lembro-me do deslumbre alegre por estar na casa de um génio literário amado e lembro-me da estranheza da casa com a sua parafernália de maquinetas de última geração que Twain coleccionava. Não havia invenção recente que ele não levasse para casa. Um dos primeiros telefones em Hartford, pois é em Hartford, Connecticut, que estamos, um ferro eléctrico de encaracolar cabelo, maquinetas e engenhocas que eram os "gadgets" daquela altura. Nesse dia, como hoje, reparei no contraste entre esta casa tão masculina e a mais feminina de Harriet Beecher-Stowe que fica do lado oposto do jardim numa propriedade contígua. Esta é escura por fora e sombria por dentro, a outra é clara por fora e luminosa por dentro. Esta é interessante por ser de quem é mas tem algo de estranho que distancia. Chega a ser berrante e tenho de me lembrar que é a casa de quem me/nos deu Huckleberry Finn que eu gosto mais até do que As Aventuras de Tom Sawyer.
Ler Huckleberry Finn é mergulhar na leitura tal como Huck mergulhava no Mississippi. Ler Twain, que assim se chamava por ter trabalhado nos vapores do Mississippi e ter gostado da sonoridade de "mark twain", cujo significado é uma medição de profundidade de água segura para os barcos navegarem, é viajar no tempo e viver uma experiência quase tri-dimensional. Ler Twain é rir a gargalhadas, tal como é angustiar-se com a injustiça daqueles tempos. É, diria, impossível não simpatizarmos com Tom Sawyer e com com Huck Finn. Acho-os leituras aconchegantes, reminiscentes da minha infância feliz. Isso é Mark Twain. Já Samuel Clemens é o dono desta casa, um homem de públicos vícios e sagacidade mordaz, misógino como os tempos em que viveu mas privilegiando a educação das filhas. Twain é o génio, Clemens o homem.
Se gosto de aqui vir outra vez? Sim, mas sem o deslumbre primeiro.
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20 de fevereiro de 2019
13 de fevereiro de 2019
Expressão com autocolantes
O que os americanos expressam das suas opiniões e individualidade através dos autocolantes que metem nos carros é assombroso. "Land of the free, home of the brave" diz o chavão que tentam viver na materialidade das suas existências. "Freedom of speech", liberdade de expressão é uma máxima que levam à letra e só posso respeitar que numa era, em que a Verdade vai sendo amordaçada, as verdades continuem a surgir à tona. Assim se entende que, mesmo à frente de um poderoso arauto da verdade como o New York Times, esteja uma parede inteira pintada contra as verdades do New York Times. Assim se entende que, num estado tão conservador como o Ohio, eu tenha visto um carro com um sticker a dizer "Dump Trump". Viva a liberdade de expressão!
2 de fevereiro de 2019
Vietnam Veterans
Há qualquer coisa que admiro nos americanos: o espírito de ter lutado pelo país mesmo que a guerra fosse uma injustificação, como, aliás, costumam ser as guerras. A carrada de carros que têm autocolantes de veteranos de guerra, a carrada de congressos e reencontros de veteranos de guerra, a carrada de programas de auxílio médico a veteranos de guerra. A admiração que se tem aos veteranos de guerra.
Aqui também temos veteranos de guerra e o que a sociedade lhes dá é silêncio... Nunca percebi isto.
Aqui também temos veteranos de guerra e o que a sociedade lhes dá é silêncio... Nunca percebi isto.
26 de janeiro de 2019
Calçada portuguesa: sim e não
Tenho com a calçada portuguesa uma relação paradoxal. Não a amo. Esburaca-se facilmente, não é cómoda na sua dureza e irregularidade, depois de muito pisada torna-se escorregadia. Irrita-me por me estragar saltos e sapatos. Temo-a por medo de escorregar na sua perigosidade.
Só que depois dá-me aquela espaçada surpresa da descoberta artística sob os pés. Que povo este que decora o chão e o dignifica desta maneira. Há que louvar e podemos louvar e admirar mesmo o que não amamos. É o caso.
Só que depois dá-me aquela espaçada surpresa da descoberta artística sob os pés. Que povo este que decora o chão e o dignifica desta maneira. Há que louvar e podemos louvar e admirar mesmo o que não amamos. É o caso.
19 de janeiro de 2019
Natal fora de prazo
Há qualquer coisa de entristecido quando, fora do Natal, o Natal se apresenta "desiluminado", só e descontextualizado.
Largo Camões em plena Lisboa apinhada de turistas. Lusco-fusco da tarde janeirosa e um Pai Natal gigante que já não tem nada que fazer porque o Natal já passou. Vejo a imagem e penso na sua incongruência. Dá-me pena o Pai Natal e noto a paradoxal distância entre o Bardo Camões, símbolo máximo da nossa identidade e aquele boneco-espantalho massificado e des-sacralizado. Lado-a-lado a personificação irónica da incomparibilidade...
Largo Camões em plena Lisboa apinhada de turistas. Lusco-fusco da tarde janeirosa e um Pai Natal gigante que já não tem nada que fazer porque o Natal já passou. Vejo a imagem e penso na sua incongruência. Dá-me pena o Pai Natal e noto a paradoxal distância entre o Bardo Camões, símbolo máximo da nossa identidade e aquele boneco-espantalho massificado e des-sacralizado. Lado-a-lado a personificação irónica da incomparibilidade...
12 de janeiro de 2019
E depois há este campo
Os vinhedos dormentes na invernia, o verde perene do campo português. Mais céus de infinito turquesa e a alegria de morar num local onde a alma pode abrir as asas à vontade.
#iloveportugal
#iloveportugal
9 de janeiro de 2019
País maravilhoso
Pode fazer frio. Pode ser o pico do Inverno, mas temos este sol ameno, esta limpidez de céu e este mar infinito. Somos heróis do mar e a ele precisamos sempre voltar. Temos o mar-oceano por tão garantido que nos esquecemos do quão privilegiados somos pela geografia que nos calhou em sortes...
#iloveportugal
#iloveportugal
29 de outubro de 2017
Intervalo: Primavera/Outono
O meu jardim está uma mistura tão inesperada quando extraordinária de cenas outonais e imagens primaveris. Há cogumelos por todo a relva. Despontaram de súbito depois das chuvas breves.
A murteira está, como de costume por esta época, pujante de frutos cor de vinho e de Outono. E, no meio disto, Primavera.
Borboletas de várias espécies esvoaçam por entre as roseiras de Santa Rita. Crisálidas em hibernação que devem ter eclodido meses antes do tempo. E abelhas recolhendo néctar nas flores e zumbindo alegremente como em plena Primavera.
É belo o quadro, porém desconcertante. Todos gostamos do bom tempo mas a natureza é circular e precisa das estações aqui por estas latitudes. Temo que iremos pagar caro brincar aos deuses...
A murteira está, como de costume por esta época, pujante de frutos cor de vinho e de Outono. E, no meio disto, Primavera.
Borboletas de várias espécies esvoaçam por entre as roseiras de Santa Rita. Crisálidas em hibernação que devem ter eclodido meses antes do tempo. E abelhas recolhendo néctar nas flores e zumbindo alegremente como em plena Primavera.
É belo o quadro, porém desconcertante. Todos gostamos do bom tempo mas a natureza é circular e precisa das estações aqui por estas latitudes. Temo que iremos pagar caro brincar aos deuses...
11 de julho de 2016
Heróis do Mar e do Euro!!!
Nobre Povo.
Nação Valente.
Imortal.
"Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu"
Viva Portugal!
Nação Valente.
Imortal.
"Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu"
Lopes de Mendonça/Keil
Viva Portugal!
23 de abril de 2016
Dia da Terra
Vem com um dia de atraso esta homenagem ao Dia da Terra mas, hoje, de manhã, quando dei com estas flores abertas no balcão da cozinha pensei no maravilhoso que nos rodeia e que tão frágil é. que ainda tenhamos tempo...
25 de janeiro de 2016
No país do nosso Beppe Grillo
E a vida continua igual a si própria, sem sobressaltos, sem inesperados. Apenas o sorriso de quem vê ao longe, Rans ser metido no mapa. Os ingleses chamam a isto "comic relief" que tanta falta faz sempre numa boa tragédia.
9 de julho de 2015
Enquanto isto, na Carolina do Sul
Enquanto aqui andamos gregos com os gregos, nos Estados Unidos andam todos muito perturbados com as bandeiras confederadas (as do tempo da Secessão e da Guerra Civil) nos Estados do Sul. Washington acaba de passar legislação a proibir bandeiras dessas hasteadas. Sempre estou para ver.
Quando estive na Carolina do Sul, o exemplo paradigmático que inflama os americanos anti-confederação, parecia que o Sul tinha ganho a Guerra Civil e que os Estados Unidos não são o que são. À frente da Casa do Governador, onde tirei esta foto, lá estava ela, orgulhosamente, a dita da bandeira.
Agora, resta saber se o governo federal também vai querer que eles lá no Sul também mudem os nomes das ruas, que são todas dedicadas aos generais da Guerra, a tal que eles perderam mas parece que não. Isso e mais os museus todos do ante-bellum South, o Sul de antes da Guerra das plantações e outras coisas apensas...
Quando estive na Carolina do Sul, o exemplo paradigmático que inflama os americanos anti-confederação, parecia que o Sul tinha ganho a Guerra Civil e que os Estados Unidos não são o que são. À frente da Casa do Governador, onde tirei esta foto, lá estava ela, orgulhosamente, a dita da bandeira.
Agora, resta saber se o governo federal também vai querer que eles lá no Sul também mudem os nomes das ruas, que são todas dedicadas aos generais da Guerra, a tal que eles perderam mas parece que não. Isso e mais os museus todos do ante-bellum South, o Sul de antes da Guerra das plantações e outras coisas apensas...
6 de julho de 2015
Nem Ateniense, nem Grega
Antes cidadã do mundo que olha com interesse os próximos episódios de uma austeridade a que um povo diz "não".
Uma coisa este "não" tem: tem a originalidade de pôr os dirigentes do mundo a pensar fora da box, tem a originalidade desassombrada de não querer o que já se conhece por medo de querer o desconhecido. Sim, antecipa-se algo diferente...
Uma coisa este "não" tem: tem a originalidade de pôr os dirigentes do mundo a pensar fora da box, tem a originalidade desassombrada de não querer o que já se conhece por medo de querer o desconhecido. Sim, antecipa-se algo diferente...
1 de abril de 2015
Algo de sublime
Há algo de poético e de sublime numa caixa de morangos num dia de sol. Fascina-me sempre e é também por isso que permaneço portuguesa.
- Podias voltara reclamar a cidadania. As leis mudaram - informam-me uns amigos alemães que cá vieram passar o fim-de-semana.
- Não... Já não... - e dou-lhes morangos com cor de morangos e sabor de morangos. Disto não há lá.
- Podias voltara reclamar a cidadania. As leis mudaram - informam-me uns amigos alemães que cá vieram passar o fim-de-semana.
- Não... Já não... - e dou-lhes morangos com cor de morangos e sabor de morangos. Disto não há lá.
19 de janeiro de 2015
Dizem do dia 19 de Janeiro
Os pseudo-estudos dizem que 19 de Janeiro é o dia mais infeliz do ano.
Na América e no mundo livre é dia de Martin Luther King. Afinal, não pode ser assim um dia tão infeliz.
Por sorte, e sorte apenas, escapei de fazer anos a 19 de Janeiro. Por sorte...
Na América e no mundo livre é dia de Martin Luther King. Afinal, não pode ser assim um dia tão infeliz.
Por sorte, e sorte apenas, escapei de fazer anos a 19 de Janeiro. Por sorte...
5 de novembro de 2014
Começámos a morrer
Lembro-me do primeiro de nós, da minha geração que morreu. Renato. Dezoito anos. O choque. A Mãe a dar-me a notícia e eu que a antecipei sem saber como a premonição estaria correcta:
- O Renato morreu. - Não foi a Mãe que disse, fui eu que, sem saber como, lhe tirei as palavras da boca.
Depois os anos de acalmia porque não éramos nós que teríamos de morrer. E aos poucos começaram a chegar: a Cristina, o Nuno. E eu a fazer luto em pensamento pelo choque que me faz perder gente da minha geração.
Ontem fui ao primeiro velório da minha geração. Os outros fui sabendo choque atrás de choque quando já tudo tinha passado. Distâncias e a vida que me manteve longe. Agora não. Noite cerrada e vejo-me numa capela mortuária com gente que andou comigo no colégio, gente que conheço desde quase sempre, porque o meu antes do sempre ficou num país distante. Gente que me parece envelhecida, face a mim e face ao que me lembrava deles. Que vidas terão e terão tido. E vejo-a: viúva. Como é que alguém da minha geração pode ficar viúva? Nem sequer cai bem a expressão cai bem numa rapariga da minha idade. Viúva.
Via-a como se visse uma velha de anos que enterra o marido de anos. Anti-natura.
Reparo à volta e penso que começamos a ir aos funerais de nós. A minha geração chegou à Morte de nós.
- O Renato morreu. - Não foi a Mãe que disse, fui eu que, sem saber como, lhe tirei as palavras da boca.
Depois os anos de acalmia porque não éramos nós que teríamos de morrer. E aos poucos começaram a chegar: a Cristina, o Nuno. E eu a fazer luto em pensamento pelo choque que me faz perder gente da minha geração.
Ontem fui ao primeiro velório da minha geração. Os outros fui sabendo choque atrás de choque quando já tudo tinha passado. Distâncias e a vida que me manteve longe. Agora não. Noite cerrada e vejo-me numa capela mortuária com gente que andou comigo no colégio, gente que conheço desde quase sempre, porque o meu antes do sempre ficou num país distante. Gente que me parece envelhecida, face a mim e face ao que me lembrava deles. Que vidas terão e terão tido. E vejo-a: viúva. Como é que alguém da minha geração pode ficar viúva? Nem sequer cai bem a expressão cai bem numa rapariga da minha idade. Viúva.
Via-a como se visse uma velha de anos que enterra o marido de anos. Anti-natura.
Reparo à volta e penso que começamos a ir aos funerais de nós. A minha geração chegou à Morte de nós.
10 de outubro de 2014
E é por isto que eu desenvolvi uma intolerância ao casamento
Até se ter casado com o George Clooney, Amal Alamuddin era isso mesmo: Amal Alamuddin, uma pessoa por si própria. Casou passou a ser a Senhora Clooney ou a mulher do George Clooney. É ver o "The Guardian" de hoje para ser Mrs. Clooney this, Clooney's wife that, the wife of George Clooney, sempre uma posse qualquer que a impede de ser ela. A senhora vai defender a Grécia contra o Estado Britânico na recuperação de artefactos arqueológicos e, de repente, não é ela, é a mulher do Clooney. Acho tão medieval...
Aqui:
http://www.theguardian.com/world/2014/oct/09/amal-alamuddin-clooney-wife-greece-elgin-marbles-bid
Aqui:
http://www.theguardian.com/world/2014/oct/09/amal-alamuddin-clooney-wife-greece-elgin-marbles-bid
29 de setembro de 2014
16 de julho de 2014
As coisas que o presente faz
Ando a pesquisar coisas velhas de família. Por alguma razão gosto das coisas velhas, fico com as coisas velhas, estimo as coisas velhas. Deve ser por isso que vivo na Casa que era dos meus pais, mobilada com coisas de avós e bisavós, tios longínquos de passado sem filhos cujos legados me chegaram através de laços mais recentes. Isto para dizer que o presente gosta muito de se superiorizar ao passado.
Há uma quinta mítica neste passado que ando a pesquisar. Descobri-lhe o presente hoje movida pela curiosidade que me traz do passado. Está à venda por nove milhões de euros para empreendimento turístico e urbanístico de gama alta. Há uma crise imobiliária e a quinta mítica lá está, suspensa num anúncio prolongado num presente também suspenso entre o que foi de passado e o sofrimento do que será no futuro.
Tem dias que estranho este presente...
Há uma quinta mítica neste passado que ando a pesquisar. Descobri-lhe o presente hoje movida pela curiosidade que me traz do passado. Está à venda por nove milhões de euros para empreendimento turístico e urbanístico de gama alta. Há uma crise imobiliária e a quinta mítica lá está, suspensa num anúncio prolongado num presente também suspenso entre o que foi de passado e o sofrimento do que será no futuro.
Tem dias que estranho este presente...
14 de julho de 2014
Weltmeister!
Mais custoso do que eu estava à espera mas valeu os nervos. Sieger!
Por um dia, e um dia apenas, deixei de lado o ódio de estimação ao Schweinsteiger à conta da pancada toda que ele levou. E por um dia, e um dia apenas, até me esqueci que o Bayern München me irrita bestialmente (também, quem é que o Löw levou do Borussia Mönchengladbach? Pois...).
Agora, o que eu não entendo é como é que dão o troféu de melhor jogador ao Messi. Ao Messi? Então e o Müller? E o Robben? E o Van Persie? É só porque o Messi é uma estrela das revistas e os outros, coitados, são só jogadores de bola. E todo o mundo prefere a (boa da) Argentina à (má da) Alemanha ou à (pacata da) Holanda.
E a outra coisa que eu não percebo são os nossos jornalistas e comentadores desportivos. Qual imparcialidade, qual quê? Ou estão claramente pelo Brasil ou estão claramente pela Argentina como se o Brasil e a Argentina fossem mais nossos amigos que a Alemanha, ou como se a Alemanha fosse o eterno Infiel vilão. Aborrece-me isso, essa parcialidade. Aborrece-me que fiquem chateados por o Klose (que nem sequer é alemão de nascença) ter mais golos em mundiais do que o Ronaldo (o brasileiro) e lhe retirarem importância a esse facto, só porque não é um jogador exuberante e/ou brasileiro. Aborrece-me que chamem Panzers aos jogadores alemães, como se fossem todos umas bestas arrasadoras (olhem o Götze ou o Lahm). Aborrece-me que chamem táctico e desinspirado ao futebol alemão, como se táctico e desinspirado não lhes ganhasse troféus e não lhes pusesse quatro estrelas na camisola.
E pronto, ontem regressei às origens (que também tenho direito), hoje volto à lusitanidade.
Por um dia, e um dia apenas, deixei de lado o ódio de estimação ao Schweinsteiger à conta da pancada toda que ele levou. E por um dia, e um dia apenas, até me esqueci que o Bayern München me irrita bestialmente (também, quem é que o Löw levou do Borussia Mönchengladbach? Pois...).
Agora, o que eu não entendo é como é que dão o troféu de melhor jogador ao Messi. Ao Messi? Então e o Müller? E o Robben? E o Van Persie? É só porque o Messi é uma estrela das revistas e os outros, coitados, são só jogadores de bola. E todo o mundo prefere a (boa da) Argentina à (má da) Alemanha ou à (pacata da) Holanda.
E a outra coisa que eu não percebo são os nossos jornalistas e comentadores desportivos. Qual imparcialidade, qual quê? Ou estão claramente pelo Brasil ou estão claramente pela Argentina como se o Brasil e a Argentina fossem mais nossos amigos que a Alemanha, ou como se a Alemanha fosse o eterno Infiel vilão. Aborrece-me isso, essa parcialidade. Aborrece-me que fiquem chateados por o Klose (que nem sequer é alemão de nascença) ter mais golos em mundiais do que o Ronaldo (o brasileiro) e lhe retirarem importância a esse facto, só porque não é um jogador exuberante e/ou brasileiro. Aborrece-me que chamem Panzers aos jogadores alemães, como se fossem todos umas bestas arrasadoras (olhem o Götze ou o Lahm). Aborrece-me que chamem táctico e desinspirado ao futebol alemão, como se táctico e desinspirado não lhes ganhasse troféus e não lhes pusesse quatro estrelas na camisola.
E pronto, ontem regressei às origens (que também tenho direito), hoje volto à lusitanidade.
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