Mostrar mensagens com a etiqueta Travel Diaries of a Blonde Bimbo PhD. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Travel Diaries of a Blonde Bimbo PhD. Mostrar todas as mensagens
25 de maio de 2016
Directamente do Brásiu
Chegaram vivos os meus brigadeirinhos. Aguentaram estoicamente 11 horas de voo fechados numa mala com quilos de roupa, sapataria diversa (ai os sapatos no Brasil e ai minha rica carteirinha...) e outras miudezas mas chegaram. Temi pela vida deles a pensar que se esborrachavam todos mas ei-los vivinhos da silva! Hmm...
16 de setembro de 2013
Algures pelo Alentejo
Parecia mesmo um tornado daqueles à séria no Kansas. E, por isto, é que gosto tanto do Alentejo. De repente, os 31º fizeram-se 19º e a chuva caiu de jacto de um céu de chumbo.
18 de maio de 2013
E, por fim, da Finlândia
As autoestradas não se pagam.
Nem a educação, nem a saúde.
E os combustíveis estão ao mesmíssimo preço que em Portugal.
E, claro, a nossa classe política analfabeta sabe sempre comparar um país de cinco milhões de habitantes com um de dez.
I rest my case.
Nem a educação, nem a saúde.
E os combustíveis estão ao mesmíssimo preço que em Portugal.
E, claro, a nossa classe política analfabeta sabe sempre comparar um país de cinco milhões de habitantes com um de dez.
I rest my case.
17 de maio de 2013
O que vou ouvindo aqui na Finlândia (a nação que supostamente nos serve de modelo)
- Há crise na Finlândia e as pessoas estão também a reequacionar o seu modo de vida;
- Os professores universitários na Austrália têm aumentos de salário de 2% a cada seis meses;
- Os professores universitários no Brasil ganham mais 700eur só por darem mestrados e doutoramentos.
É, ele pode haver com cada comparação... Pena é que nunca usem as comparações a favor do people.
- Os professores universitários na Austrália têm aumentos de salário de 2% a cada seis meses;
- Os professores universitários no Brasil ganham mais 700eur só por darem mestrados e doutoramentos.
É, ele pode haver com cada comparação... Pena é que nunca usem as comparações a favor do people.
16 de maio de 2013
Aqui perto do Círculo Polar Ártico
Pois aqui perto do Círculo Polar Ártico faz sol e têm estado uns dias de céu azul muito agradável. Já em Lisboa parece que arrefeceu:)
15 de maio de 2013
Aqui da Finlândia: recados ao Vítor Gaspar
Ultimamente o discurso público quer comparar Portugal à Finlândia e que temos de ser finlandeses à força. E que a Finlândia é que é uma nação modelo e etc. Pois a coisa é assim:
- também há cá gente a pedir nas ruas;
- escarretas no chão são à pazada;
- o IVA na restauração: 10% para a comida, 24% para as bebidas alcoólicas.
Sim, de facto, grande nação modelo, temos tudo para ser finlandeses...
- também há cá gente a pedir nas ruas;
- escarretas no chão são à pazada;
- o IVA na restauração: 10% para a comida, 24% para as bebidas alcoólicas.
Sim, de facto, grande nação modelo, temos tudo para ser finlandeses...
3 de setembro de 2012
Missa em St. Paul's
Ir à missa de Domingo a St. Paul's não só é um privilégio como um acto de instrução. No missal lê-se que quem quiser comungar e for alérgico ao glútem, pode pedir hóstias sem o dito.
Fiquei pasma! Por um lado, estes anglicanos pensam em tudo e na comodidade dos fiéis. Ou seja, tentam que não seja algo como uma alergia alimentar que os vai demover da missa ou da comunhão. Por outro lado, pensei que hóstias sem glútem são de um preciosismo exagerado. Seja como for, sinal dos tempos, sinal de conformidade à sociedade moderna. A oficiante era uma pastora, outro sinal de uma Igreja que se quer muito mais século XXI do que a nossa Católica Romana. Enfim, missa é missa, anglicana ou católica (no caso, muito pouco no rito é diferente entre as duas confissões), mas há algo de moderno e novo (a homília sobre o caso de um jogador de futebol conhecido) que varre o anglicanismo e nos deixa a pensar no compasso de espera em que vive o Vaticano.
31 de julho de 2012
Myrtilis Iulia aqui vou eu!
Há quatro anos que rumo sempre ao Alentejo por esta altura. Este ano é o Baixo Alentejo: Mértola, Alcoutim, Pomarão, Minas de São Domingos, Pias. Também quero passar por Elvas agora que é UNESCO.
Não sei porquê mas o Sul fascina-me mais do que o Norte. É bonito o Minho, o Gerês, mas o Sul tem as planícies infinitas, a quietude do calor, a languidez, o som das cigarras. O Sul é o Meridião, é mediterrânico, é o Attenborough do Primeiro Éden, são as villas romanas perdidas no meio do nada. O Alentejo é o cheiro a seco e a terra. É o verde esparso e o castanho, as represas de água e o Guadiana dolente. E é a solidão e o estar só consigo. É uma ancestralidade calma. Adoro o Alentejo e já estou em pulgas por partir. Vou adorar, como sempre...
Não sei porquê mas o Sul fascina-me mais do que o Norte. É bonito o Minho, o Gerês, mas o Sul tem as planícies infinitas, a quietude do calor, a languidez, o som das cigarras. O Sul é o Meridião, é mediterrânico, é o Attenborough do Primeiro Éden, são as villas romanas perdidas no meio do nada. O Alentejo é o cheiro a seco e a terra. É o verde esparso e o castanho, as represas de água e o Guadiana dolente. E é a solidão e o estar só consigo. É uma ancestralidade calma. Adoro o Alentejo e já estou em pulgas por partir. Vou adorar, como sempre...
25 de julho de 2012
Há um ano
Há um ano... já?! Acho que sempre associei as melhores viagens aos sítios mais remotos, exóticos e inexplorados. Achei sempre, erradamente, que para uma viagem ser surpreendente o destino tinha de ser ainda mais surpreendente, obliterando que as viagens próximas, os sítios mais familiares ou o desgastado beaten track pudessem transformar-se em algo fenomenal e inolvidável.
Foi assim o ano passado. Não precisei cruzar oceanos, perder-me em desertos, subir grandes canyons ou atravessar meridianos e paralelos. No entanto, dificilmente o exotismo das minhas ditas grandes viagens me trouxeram a amálgama de sentimentos e sensações da viagem que fiz há um ano. Obrigada.
Foi assim o ano passado. Não precisei cruzar oceanos, perder-me em desertos, subir grandes canyons ou atravessar meridianos e paralelos. No entanto, dificilmente o exotismo das minhas ditas grandes viagens me trouxeram a amálgama de sentimentos e sensações da viagem que fiz há um ano. Obrigada.
3 de junho de 2012
Olivença com pedrinha no sapato
Pensava eu que Olivenza já nos tinha esquecido. Pensava eu que já nos tínhamos esquecido de Olivença. A territorialidade perdida é lixada. Ou lixada a sensação de terra perdida. Se não nos querem porque inistem em ter as ruas todas em versão portuguesa e espanhola?
Senti-me amachucada nos meus pruridos pátrios. Olivença não é nossa mas foi. É como uma daquelas relações mal acabadas das quais não nos livramos mesmo quando partimos para outra. Há ali um engulho qualquer que nos atazana. Assim me senti em Olivença. Acabaram a relação connosco mas a coisa não acabou bem. Nem no ódio do nunca mais te quero, nem no volta que ainda te amo. Ficámos num limbo mal-resolvido parece-me.
Agora que ver portais Manuelinos num sítio que habla español e faz a sesta é estranho, ai isso é...
Senti-me amachucada nos meus pruridos pátrios. Olivença não é nossa mas foi. É como uma daquelas relações mal acabadas das quais não nos livramos mesmo quando partimos para outra. Há ali um engulho qualquer que nos atazana. Assim me senti em Olivença. Acabaram a relação connosco mas a coisa não acabou bem. Nem no ódio do nunca mais te quero, nem no volta que ainda te amo. Ficámos num limbo mal-resolvido parece-me.
Agora que ver portais Manuelinos num sítio que habla español e faz a sesta é estranho, ai isso é...
21 de maio de 2012
Regressar
Há sete anos que não estou cá no dia de anos da Mana. Há sete anos que chego por esta altura e vejo que o jardim despertou sem mim e se tornou exuberante de rosas e flores e verdes. Há onze anos que não ia a Niagara e estarreci com as pimbalhices com que americanos e canadianos se esforçam por comercializar as cataratas. Deu-me dó o turismo desenfreado. Regressei do sol e bom tempo num país de frio para a chuva e trovoada num país de sol. Ironias, quem sabe, de que algo de errado andamos a fazer. Regresso e, por aqui, o tempo arrasta-se em mais do mesmo e o sempre igual. Enfim, haja panquecas regadas a xarope...
16 de maio de 2012
Pela 2ª vez
E podia ter sido a 3ª ou a 4ª vez que há coisas que os nossos olhos não se cansam de ver e a mente de sentir com o coração.
15 de maio de 2012
Imagens do dia
Uma porque o meu sobrinho me está na mente 24/7.
A outra porque este mundo é de um multiculturalismo além-hemisférios.
12 de maio de 2012
Fazer as malas
Ir para o Inverno é fácil. Ir para o Verão é fácil. Ir para a meia-estação é uma desgraça. Levo sempre mais roupa do que preciso e deixo ficar a roupa que afinal até precisava. Levo sapatos feita parva e aposto que vou andar de botas o tempo todo. Há 40% de hipótese de precipitação. Levo chapéu, portanto não deve chover. Se não levo, ai chove de certeza. Neura...
17 de março de 2012
Uma casa no Alentejo
Gostava de ter uma casa no Alentejo. Uma casa não, uma herdade (que eu é logo em grande). A planura descansa-me e o horizonte longínquo promete sempre.
Só que este Alentejo é uma dor de alma. Cidades descaracterizadas invadidas por lojas chinesas, um desordenamento de construção pavoroso, a interioridade que se pressente no pior e não no que de mais romanceado e bucólico poderia ter.
Pensava que o país estava parado, mas aqui até Beja rasgam-se os terrenos em mais estradas em construção. Não sei se haverá fundos para terminá-las mas as obras e as máquinas estão em curso. Placas mínimas indicam um aeroporto que só deve ter funcionado para os telejornais no dia da inauguração. Parece-me tudo um Alentejo atabalhoado à procura de um rumo de modernidade sem saber como.
Mesmo assim, longe da descaracterização gostava de ter uma herdade no Alentejo...
Só que este Alentejo é uma dor de alma. Cidades descaracterizadas invadidas por lojas chinesas, um desordenamento de construção pavoroso, a interioridade que se pressente no pior e não no que de mais romanceado e bucólico poderia ter.
Pensava que o país estava parado, mas aqui até Beja rasgam-se os terrenos em mais estradas em construção. Não sei se haverá fundos para terminá-las mas as obras e as máquinas estão em curso. Placas mínimas indicam um aeroporto que só deve ter funcionado para os telejornais no dia da inauguração. Parece-me tudo um Alentejo atabalhoado à procura de um rumo de modernidade sem saber como.
Mesmo assim, longe da descaracterização gostava de ter uma herdade no Alentejo...
19 de setembro de 2011
Sul
"Nem sempre viajei para sul, mas nada vi de tão extraordinário como o sul."
Miguel Sousa Tavares, Sul
E neste fim-de-semana foi isso.
Miguel Sousa Tavares, Sul
E neste fim-de-semana foi isso.
29 de agosto de 2011
Mais leitura de Verão
Recomecei a ler as Notes from a Small Island do Bill Bryson e nunca me fizeram tanto sentido. Dou por mim de caneta e marcador na mão a sublinhar e comentar o livro e as passagens dos sítios por onde ele andou e por onde eu já andei também.
Adoro a escrita dele. Quando fui à Austrália, o livro que li no avião foi o Down Under. De outra vez, em Creta, li o Neither Here nor There, que continuo a achar o seu melhor livro de viagens e que é o seu périplo pela Europa (adoro, sobretudo, a parte alemã no que tem de irresistivelmente cómico). Na cama em Casa li o Mother Tongue que, não sendo um livro de viagens, acaba por ser a grande viagem da diáspora da língua inglesa pela História e pelo mundo. E comprei agora o mais recente, At Home, uma viagem pelos utensílios e coisas que têm feito o quotidiano da vida humana. Ou seja, basicamente tudo o que ele escreve eu adoro devorar.
Não sei porquê, mas há algo na escrita de viagens em Inglês que empresta a este género literário um carácter especial que não encontro em mais nenhuma literatura de viagens noutras línguas. E gosto, sobretudo, de quem escreve a viagem de forma despretenciosa, como um hábito e não como um luxo na arrogância de "eu viajo e tu lês o que eu escrevo sobre onde eu estive e tu não". Detesto o viajante soberbo. O viajante que não vê o detalhe, que vê o sítio como um ponto que existe só para: estive aqui.
Há uma máxima que diz: "to travel is to kill places". Concordo porque vejo as pessoas que viajam na voracidade da fotografia. Vão e já está. O Bryson é tão nada disso...
Adoro a escrita dele. Quando fui à Austrália, o livro que li no avião foi o Down Under. De outra vez, em Creta, li o Neither Here nor There, que continuo a achar o seu melhor livro de viagens e que é o seu périplo pela Europa (adoro, sobretudo, a parte alemã no que tem de irresistivelmente cómico). Na cama em Casa li o Mother Tongue que, não sendo um livro de viagens, acaba por ser a grande viagem da diáspora da língua inglesa pela História e pelo mundo. E comprei agora o mais recente, At Home, uma viagem pelos utensílios e coisas que têm feito o quotidiano da vida humana. Ou seja, basicamente tudo o que ele escreve eu adoro devorar.
Não sei porquê, mas há algo na escrita de viagens em Inglês que empresta a este género literário um carácter especial que não encontro em mais nenhuma literatura de viagens noutras línguas. E gosto, sobretudo, de quem escreve a viagem de forma despretenciosa, como um hábito e não como um luxo na arrogância de "eu viajo e tu lês o que eu escrevo sobre onde eu estive e tu não". Detesto o viajante soberbo. O viajante que não vê o detalhe, que vê o sítio como um ponto que existe só para: estive aqui.
Há uma máxima que diz: "to travel is to kill places". Concordo porque vejo as pessoas que viajam na voracidade da fotografia. Vão e já está. O Bryson é tão nada disso...
17 de agosto de 2011
Descobri hoje
porque é que tive tanto frio nas férias. É que a latitude, que eu pensava mais meridional, é a mesma da capital do Alasca. Ele há com cada uma. Alasca... pois...
Claro que isto é só para descontrair dos nervos que a Europa a dois me anda a dar por estes dias. A malta arma-se em bimba para ver se não percebe.
Claro que isto é só para descontrair dos nervos que a Europa a dois me anda a dar por estes dias. A malta arma-se em bimba para ver se não percebe.
7 de agosto de 2011
Chegar
Ir é sempre bom. Mas começo cada vez mais a sentir que chegar é talvez ainda melhor. Abrir a porta da Casa em silêncio no seu cheiro familiar de limpo e madeira. Aqui é a maior viagem.
Desvaneço o cansaço do regresso e dos dias ausentes passados em muito. Há cartas por abrir em cima da mesa da cozinha. Travessas de fruta fresca. Há o Spotty doido. Dou uma volta rápida pelo jardim: a relva precisa de mimo de água, a giesta ainda tem umas quantas flores, a acácia está a preocupar-me. Sou precisa aqui. Listo mentalmente o imenso que tenho para fazer amanhã enquanto começo a desfazer as malas da viagem longa aos céus distantes. Vi tanto. Senti tanto. E esse tanto de tanto perdia-me em muito como uma esponja que já não consegue absorver mais. Só que havia sempre mais e mais e eu absorvia sem saber com que capacidade. Acho que vou precisar de tempo para formar lembranças. Vou precisar de tempo para perceber o ver que vi. Agora, e já, importa que cheguei. Esta viagem vai demorar muito e no imenso que foi vai ser porque se desenrolará no tempo que vem.
É bom chegar. A orquídea floriu enquanto eu estava longe...
Desvaneço o cansaço do regresso e dos dias ausentes passados em muito. Há cartas por abrir em cima da mesa da cozinha. Travessas de fruta fresca. Há o Spotty doido. Dou uma volta rápida pelo jardim: a relva precisa de mimo de água, a giesta ainda tem umas quantas flores, a acácia está a preocupar-me. Sou precisa aqui. Listo mentalmente o imenso que tenho para fazer amanhã enquanto começo a desfazer as malas da viagem longa aos céus distantes. Vi tanto. Senti tanto. E esse tanto de tanto perdia-me em muito como uma esponja que já não consegue absorver mais. Só que havia sempre mais e mais e eu absorvia sem saber com que capacidade. Acho que vou precisar de tempo para formar lembranças. Vou precisar de tempo para perceber o ver que vi. Agora, e já, importa que cheguei. Esta viagem vai demorar muito e no imenso que foi vai ser porque se desenrolará no tempo que vem.
É bom chegar. A orquídea floriu enquanto eu estava longe...
30 de julho de 2011
Estar aqui
Acordo cedo. Talvez seja a antecipação do dia que me acorda. Talvez seja o som das gaivotas rasantes nas janelas ou a luz avermelhada que repassa os cortinados num país que desconhece persianas. Não durmo mais. Tenho visto tanto. Olho em golfadas as imagens que me passam: umas velozes, outras estáticas sob estes arvoredos milenares.
Sabia que aqui vinha. Não sabia quando. Não esperava já. O Tempo é velho aqui. Velho e longo. Fotografo cada vez menos. A idade tem-me dado a calma para a apreciação. Apazigua-me a importância do ver absorvendo e não do ver por ver, para ter visto, de idades jovens vividas na sofreguidão de fotografar primeiro e ver depois. Os meus olhos são mais importantes agora. Quando morrer não levo fotos. As imagens que eu vejo, essas vão comigo para onde eu for nesse outro percurso. Vou levar estas como levo tantas e tantas outras numa vida que me tem dado o privilégio de palmilhar o mundo pelos sítios mais improváveis e que eu pensava talvez nunca chegar a ver por mim.
Ontem falei baixinho com a voz do pensamento à Mãe:
- O que vês Mãe, quando me vês por aqui? Tão longe, no meio deste Tempo velho de séculos? Que pensas das vidas das tuas duas filhas com percursos tão diferentes? Uma que desconhece fronteiras e vê o mundo em golfadas de olhar, que se libertou de grilhões e tem esta vida incomum? A outra que te deu o neto que não conheceste e solidificou a vida, que te perpetua os genes e te vivifica? Eu pensava que de ambas eu te perpetuaria mais. Mas eu tornei-me noutra coisa, Mãe. Vivi para chegar aqui. Vivi para esta vida de liberdades imensas, paisagens sem fim, uma vida onde eu habito como quero. Sabes Mãe, acho que incomensurável podia bem ser um adjectivo desta língua que me ensinaste para eu descrever a vida que levo. Incomensurável. Como é incomensurável estar aqui e ver coisas que víamos à distância de livros e filmes. O que pensarás, Mãe, de tudo isto?
Hoje vai ser especial outra vez. E talvez seja por isso que acordei tão cedo. E é tanto mais especial porque há reflexos, bem ao meu lado, reflexos mágicos que só esta terra poderia ter produzido. Reflexos que me foram buscar e que agora me acompanham quando, nos meus silêncios de liberdade, eu olho esta terra e vejo com o coração...
Sabia que aqui vinha. Não sabia quando. Não esperava já. O Tempo é velho aqui. Velho e longo. Fotografo cada vez menos. A idade tem-me dado a calma para a apreciação. Apazigua-me a importância do ver absorvendo e não do ver por ver, para ter visto, de idades jovens vividas na sofreguidão de fotografar primeiro e ver depois. Os meus olhos são mais importantes agora. Quando morrer não levo fotos. As imagens que eu vejo, essas vão comigo para onde eu for nesse outro percurso. Vou levar estas como levo tantas e tantas outras numa vida que me tem dado o privilégio de palmilhar o mundo pelos sítios mais improváveis e que eu pensava talvez nunca chegar a ver por mim.
Ontem falei baixinho com a voz do pensamento à Mãe:
- O que vês Mãe, quando me vês por aqui? Tão longe, no meio deste Tempo velho de séculos? Que pensas das vidas das tuas duas filhas com percursos tão diferentes? Uma que desconhece fronteiras e vê o mundo em golfadas de olhar, que se libertou de grilhões e tem esta vida incomum? A outra que te deu o neto que não conheceste e solidificou a vida, que te perpetua os genes e te vivifica? Eu pensava que de ambas eu te perpetuaria mais. Mas eu tornei-me noutra coisa, Mãe. Vivi para chegar aqui. Vivi para esta vida de liberdades imensas, paisagens sem fim, uma vida onde eu habito como quero. Sabes Mãe, acho que incomensurável podia bem ser um adjectivo desta língua que me ensinaste para eu descrever a vida que levo. Incomensurável. Como é incomensurável estar aqui e ver coisas que víamos à distância de livros e filmes. O que pensarás, Mãe, de tudo isto?
Hoje vai ser especial outra vez. E talvez seja por isso que acordei tão cedo. E é tanto mais especial porque há reflexos, bem ao meu lado, reflexos mágicos que só esta terra poderia ter produzido. Reflexos que me foram buscar e que agora me acompanham quando, nos meus silêncios de liberdade, eu olho esta terra e vejo com o coração...
Subscrever:
Mensagens (Atom)











