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19 de agosto de 2015

Dia 16: Ter o Spotty à espera

O que chegar tem de bom é a recepção calorosa (como se não houvesse amanhã) que o Spotty propicia com tanto entusiasmo. Tem vezes que age como se estivesse muito ofendido com a ausência e ignora que regressei, dando-me um olímpico desprezo demonstrativo do seu desagrado. Levanta a cabeça, olha-me de soslaio e vira-me as costas altaneiramente. Não desta vez. Saltos e círculos à volta dos meus pés. Carinho a rodos. Felicidade canina em estado puro. O amanhecer depois é que trouxe a visualização do estrago (coisa habitual mas sempre inesperada pois a imaginação deste cão não conhece limites).
Aquilo era um canteiro de lírios. Havia diversos pés de lírios azuis devidamente plantados e rodeados de casca de pinheiro. Havia... O canteiro virou trincheira devastada em cenário bélico e o pior é que deixei a carrinha estacionada no quintal mesmo ao pé do canteiro. Está coberta de terra e pó e se o Senhor Meu Pai a visse lá ia eu ouvir que um carro é o espelho do dono (maneira cordato-sarcástica que o Senhor Meu Pai tem de dizer que eu não sou exemplo para ninguém em termos de manutenção automobilística).
E agora quem é que vai ter de andar de pá e vassoura a varrer os desatinos do Senhor D. Spotty José, quem é? Bem... ao menos desta vez não comeu os sprinklers da rega nem roeu os candeeiros da relva nem meteu o nariz em vespeiros nem se ensarilhou no tapete nem esfrangalhou o colchão (que eu saiba... aguardo relatório mais pormenorizado enquanto vou fazer uma vistoria mais detalhada aos vastos domínios da criatura).
Este cão é um portento...

2 de janeiro de 2014

Mudar de vet em dia de chuva

O Spotty já fez sete anos e eu, que sempre preferi gatos, não me arrependo um dia que seja de o ter adoptado e resgatado ao abandono e à rua. Nunca me arrependi mesmo quando ele escavou trincheiras no jardim, destruiu TODO o sistema de rega, roeu e comeu DOZE candeeiros de relvado, serrou com dentes de cachorro uma palmeira ADULTA até ela cair por terra, fez chichi nos tapetes persas, roeu pernas de cadeira, a mesinha de café e portas. Não me arrependi quando tive de fazer obras no quintal e vedar o jardim. Não me arrependi quando tive de mandar fazer uma grade de protecção para a bagageira da carrinha e, ainda que me irrite bestialmente, não me arrependo das facturas de veterinário que mais parecem facturas de pediatra tal a exorbitância das contas. Este cão custa-me uma fortuna...
Hoje levei-o a um veterinário novo. Chuva torrencial para mal dos meus pecados e só quem tem cães sabe o que é conduzir com um cão na bagageira a cheirar a cão molhado. Para pior mal dos meus pecados, o Spotty odeia trela e continua a chover quando chego à vila onde está o consultório. Claro que, apesar de levar vestido um impermeável amarelo e um chapéu também impermeável, chego à clínica feita um pato molhado com sorte de não ter sido arrastada pelo passeio por um cão desembestado. Telefonei de antemão à clínica para não terem animais na sala de espera e o Spotty poder entrar no consultório mal eu chegasse. Acharam o pedido estranho e devem ter pensado que estavam a falar com uma dona maluca. Pois... perceberam assim que viram o Spotty marcar território no balcão da recepção e nas paredes do hall de entrada na clínica.
Sempre passei as maiores vergonhas com o Spotty em idas ao veterinário e avisei o novo doutor que o bichinho já tinha destruído dois consultórios de dois colegas dele. Olhou para mim de soslaio... Sim, revirou marquesas de pernas para o ar e atirou computadores para o chão depois de se atirar para a pilha dos ficheiros em papel, fez chichi nas calças do outro doutor e subiu para a bancada dos medicamentos.
- Então e doenças. Este camarada já teve alguma? - Lembro que era a primeira consulta do Sr. Dom Spotty com este veterinário.
- Não. - Respondo. - É um animal muito saudável, só os acidentes do costume.
- Acidentes? Que acidentes é que o animal já teve?
- Ah, sabe, o nariz duas vezes em vespeiros e a ida às urgências para injecções anti-choque anafilático; um rebuçado rodenticida e a ida às urgências para tentativa de lavagem estomacal sem sucesso; o enrodilhar-se em tapetes e garrotear a traqueia e a ida às urgências para lhe tirarem os tapetes a bisturi. Sabe, o normal.
Eu devia ter dito era: "Sabe, o normal neste animal". Acho que nunca vi um veterinário com os olhos tão arregalados:
- Então ele com esta idade continua com comportamentos de cachorro... - Diz meio entre o pasmado e o incrédulo.
- Se calhar...
Enfim, mais um dia de veterinário. E não lhe contei nem metade, que digo?, nem um terço dos disparates deste animal adorável que é, ainda que pareça que não, a coisa mais sociável deste mundo e um amor para o meu sobrinho com quem não faz nem um décimo das diabruras que faz com a sua dona Blonde.
Longa vida ao Spotty! Yay!

27 de setembro de 2012

A casa do cãozinho branco

Se dúvidas ainda houvesse que a minha casa é a casa do cãozinho branco, dissiparam-se de uma vez. Precisei de uma pessoa nova para me tratar do jardim. Corri contactos por aqui e por ali até conseguir quem me desse um número de telefone. Ligo. Atendem-me. Digo ao que venho. Explico onde é a minha casa e quem sou:
- Ah, a senhora loura da casa do cãozinho branco!
Se eu soubesse tinha mas era pedido ao meu cão o contacto de um jardineiro. Pelos vistos, ele conhece este mundo e o outro.

15 de julho de 2012

O Verão traz banhos

 Ao fim de seis anos a viver comigo, a minha Dona insiste em que eu tome banho. Mal chega o Verão e lá vem ela de mangueira em riste. Atira-me para a relva, que é onde ela pensa que é mais fácil eu não me espojar todo, e cá vai disto de mangueirada pelo meu pobre pêlo abaixo. Eu bem tento manter um ar de dignidade mas convenhamos que quando se está encharcadinho é muito difícil.
O que me desforra é que se eu tomo banho, ela também toma. Ele é água para dentro das galochas (este ano pensou que minimizava a coisa com galochas, pois sim...), na cara, nas calças, pelas costas abaixo e, claro, quando eu me sacudo é o diabo. Enfim, não sei quem se diverte mais com a miséria alheia, se eu se ela. Bem, deixa-me ir esfregar ali para a areia do meu cantinho que isto de banho e perfume é muita mariquice para mim.

20 de setembro de 2011

Os trabalhos que o meu cão me dá

Trabalhos. Despesas. Ralações. E hoje uma espécie de bebedeira tóxica à conta de inalar nilzoné, ou o raio que aquilo é que se usa para tratar madeiras de exterior.
Sim, à conta do bicho mandei fazer há três anos umas vedações com uns portões a fim de delimitar o espaço do Spotty do espaço jardim da Blonde que o rico bicho tinha assassinado nos repentes alucinados da infância e da adolescência. Ora, as belas das vedações estão precisadas de tratamento e lá fui de lata e trincha em riste tratar das pinturas. Pois...
Pintei uma das vedações (são três) e quando me levantei feliz do trabalho feito ia caíndo da tripeça e só por milagre consegui dar com a porta de entrada em casa tal era a taralhoquice e a zonzice da cabeça. Este meu cão dá cabo de mim...

8 de janeiro de 2011

Artigo de luxo


Que a minha Dona se passa já todos sabemos. Mas agora até eu me passo, tadinho de mim. Então não é que a tipa promoveu-me a artigo de luxo? Ó pá, eu até tenho star quality e tal mas ser promovido a artigo de luxo porque a Dona descobriu que os meus croquetes são taxados a 23% é um bocadinho humilhante. Eu lá tenho culpa dos desmandos do desgoverno humano?
Ó Dona, eu pensava que me achavas artigo de luxo por causa do challet que me deste no Natal, agora por causa de croquetes?!

22 de dezembro de 2010

Presentes, check!

Já estão todos tratados!!! Ufa! Tudo embrulhado. Tudo pronto a distribuir.
Só o presente do Sr. Dom Spotty José é que não cabe debaixo da árvore e já está a ser estreado: uma casota super cool em versão vivenda com sótão com janela que abre e fecha, ventiladores nas paredes que também abrem e fecham, enfim, o último grito da Arquitectura canina (e um rombo orçamental). Só não consigo descobrir é se o Senhor em causa se sente encalorado ou se, pura e simplesmente e à sua boa maneira, está a protestar com a sua Dona Blonde. É que não há tapete ou colchão que a dita Senhora lá coloque na casota nova que não seja arrastado inclementemente para a rua (sim que a casota até está dentro de outra casa), para a chuva e para a lama.
Este cão tira-me do sério!!

1 de setembro de 2010

O que um gajo cão tem de sofrer...


Isto um gajo tem de ter dignidade! Mas convenhamos que tomar banho, já de si uma coisa inglória e desnecessária, e levar com meio litro de água-de-colónia de lavanda só porque a minha Dona achou que sim não há dignidade que aguente. Tomara já que acabem as férias da Dona!

4 de agosto de 2010

Com o Spotty pelos cabelos!!!!!


Pois é, os donos de cães normais levam-nos ao vet para as vacinas da praxe, Dona de cão Spotty leva-o às urgências a intervalos periódicos. Ele é porque o bicho mete o focinho no vespeiro do quintal, ou porque chama um figo aos rebuçados para a rataria e afins que isto aqui no campo é a loucura da bicharada, ou porque se enrodilha e garroteia nos tapetes que dá em roer, eu perco a conta às ocorrências. Agora abriu-me um lenho na perna de tanto correr à maluca. Nem sei como terá feito semelhante coisa. Lá fomos tinóni Blonde e Spotty para as urgências veterinárias. Life!! E ainda é só o terceiro dia de férias!!

11 de junho de 2010

A minha Dona e a tapioca

A minha Dona é um fenómeno! E depois eu é que as pago todas! Não é justo!
Apeteceu-lhe tapioca, vejam só! Só que ela não sabe fazer tapioca. Googlou, como é hábito em casos de ignorância, umas quantas receitas dessa coisa da tapioca e lá houve uma que lhe deve ter parecido fácil. Pegou nas chaves (as da casa, as do alarme e as do carro, que a mulher é um chaveiro ambulante) e foi ao supermercado muito lesta comprar o que lhe faltava: a tal da tapioca e pó de baunilha.
Depois, já de regresso, deitou mãos à obra e, na parte da receita que diz: juntar uma pitada do pó de baunilha, a minha Dona inteligente lá deitou um bocado. Mexeu. E, por via das curvas deitou mais um bocadinho para apaladar a coisa com sabor a baunilha. Tralala, tralali e a tapioca ficou pronta. Cheirava super bem, é uma verdade. Mas... não se podia tragar de tão amargosa.
A minha Dona, que não é de se ficar. Pegou na tapioca, levou-a ao lume e toca de acrescentar açúcar. Ele foi açúcar branco, ele foi açúcar amarelo e até canela juntou aquela coisa branca viscosa.
Deus dos cães! Aquilo não se podia comer de tão amargo! Sabem o que ela fez a seguir? Virou-se para mim e deu-me uma colher daquilo a provar!!! Estava-se mesmo a ver! Julgava ela que eu ia na cantiga. Era o ias! Fugi com as quatro patas que Deus me deu para alguma coisa e ala que desapareci dali para fora!

Agora querem saber a melhor? A minha Dona, que é esperta como um raio e acha sempre que ler instruções é uma coisa menor para a sua grande inteligência, não leu o que dizia o frasquinho com o pó de baunilha:
Atenção! Produto muito concentrado. Utilizar 0,5g para 1kg de alimento.

A boa da Dona, só usou metade de um frasco de 15grs para 200grs de tapioca! Deuses caninos, para o que eu havia de estar guardado!!

Publicado por (yes, it's me): Spotty

5 de abril de 2010

Ser Spotty custa...


- Ó Dona, eu até sei que andas feliz e que as mudanças fazem parte e tal, mas c'um caneco, fazerem-me andar 5kms de manhã e mais 5kms à tarde é dose, né? Isto agora vai ser sempre assim ou quê? Ó vida minha para o que um gajo cão havia de estar guardado... Canseira!

15 de dezembro de 2009

Blonde, Spotty e Geada em barda


E porque é que eu hoje de manhã tive de andar à procura da carrinha debaixo de carradas de gelo, hein? E porque é que eu, loura todos os dias, me lembrei de chapar com água no pára-brisas, dar às escovas e, estúpida até dizer chega, ficar feita parva no caminho da água que as escovas "escovaram" do vidro, hein? E porque é que eu quando cheguei às 8 (da manhã, óbvio) à faculdade já levava o neurónio em frangalhos à conta da geada e do banho de água gélida que só não me paralisou o segundo neurónio porque eu não o tenho, hein?
Porque para não incomodar Sua Excelência Senhor D. Super Spotty nem me atrevo a deixar a carrinha na garagem. #%*+!!

13 de outubro de 2009

Jesus! Aleluia!


Sou eu, o Spotty! Em linha porque a minha Dona está com os nervos em frangalhos! Tadinha! Também, agora vendo bem, eu não tenho ajudado lá muito, é verdade.
A pobre coitada esteve sem net, nada de nada de sinal, desde sexta. Dizem-lhe que foi crash generalizado. Mas ela passou-se com os tipos do apoio técnico da Netcabo e os tipos tiveram de se ver com ela e mais os protestos dela:
- Boa tarde, tenho o prazer de estar a falar com a Srª. Dona Blonde?
- Não, neste momento deve ter o desprazer de estar a falar com a Srª. Dona Blonde que está muito stressada!
E isto, meus amigos, é só uma pequena amostra, que as minhas orelhas caninas até doem só de ouvir aqueles protestos em voz de III Reich. Livra!
Depois, sem net, a desgraçada, cai-me de cama com febre e gripe. A minha hiper saudável e gym freak, vitaminada Dona, imaginem! Lá ligou, miseravelmente para o número xpto, e lá explicou que tinha uma gripe com todas as letras do alfabeto menos o A e aguentou-se estoicamente a nimesulida. Valeu-lhe a santa Paula que cá veio no Sábado e lhe fez chás e mézinhas e lhe fez comida e pôs o marido (dela Paula que a minha Dona mandou o dela às urtigas e fez ela senão bem) e mãe (dela Paula também) a fazer-lhe bifinhos panados com medo que a minha Dona não se alimentasse. Enfim, e no meio de tanta provação, a minha Dona germânica até foi votar e tudo! Ah, ganda Dona! Que pôs o bem público à frente da pneumonia que a avaria lhe podia custar.
Ontem, sentido-se bem e magnânima, deu-me uma cama nova. Mas eu, eu..., eu não sei o que me dá e, olhem vejo uma cama nova, fofa, toda minha e não sei, não resisto a esfarelá-la. Acho que a minha Dona não gostou muito e está um pouquinho chateada comigo:
- Tu és impossível! Agora, quero lá saber. Dorme aí sem colchão com o derrière no frio a ver se eu me importo! E bem te podes ir queixar à protecção animal, ouviste? E hoje não há biscoitos e escusas de estar a olhar para mim!
É pá, essa dos biscoitos é que me abriu os olhos para a chateação dela. No biscuits? Pas de biscuits? Ó vida, acho que desta me excedi. E agora como é que eu vou amansar a minha Dona? Hein? Mas que vida de cão.

23 de setembro de 2009

Esta minha Dona, não há quem aguente!


Tenho tanto que protestar que nem sei por onde começar. Valha-me Santa Quitéria de Meca, padroeira dos cães danados, se bem que eu de danado não tenha nada, embora a minha Dona repita sem cessar que eu sou um danado levado da breca, expressão que eu, por muito que tente, ainda não consegui esmifrar (e é para não dizer esmiuçar que eu cá não vou em modas).
Primeiro, não entendo porque carga de água (que não me atinja o pêlo, se faz favor) a minha Dona insiste em ter uma tag que diz "Diaries of a crazy dog driving Blonde crazy", quando o bom-senso me diz que deveria ser precisamente o inverso "Diaries of a crazy Blonde driving a dog crazy"! É que a tipa põe-me doido!
Segundo, eu bem sei que começos de ano lectivo são lixados, mas o que é que eu, que nunca assentei uma pata na escola, tenho a ver com isso? Hein? Ontem passou-me 13 horas na faculdade. Quando chegou achou que tinha de desopilar e vai daí lixou-me a noite!
Não bastou eu ter aturado dias a fio os ensaios para a audição (gente, o que eu sofri!) e eis que agora deu-lhe uma de desatar em cantorias às quinhentas! Podia ver televisão, ler, qualquer coisa, mas não. E o que é que a tipa canta? O "Fame"! E como ela de décibeis baixos não sabe nada e só não parte os vidros das janelas por pura sorte, os meus tímpanos tão sensíveis logo dão de protestar, pois então. Ora, como eu sou um macho-alfa (para mal dos pecados da minha Dona que se ia passando do neurónio louro quando descobriu o resultado dos testes psicotécnicos caninos a que me sujeitou - e é bem feita), logo corro de bradar "às armas!" com a cãnzaria aqui da vizinhança. Portanto, a minha Dona canta e eu ladro e uivo que é um encanto! E tanto assim foi ontem à noite que a tipa às tantas lá meteu a violinha no saco quando topou que ninguém ia dormir em milhas ao redor se ela não parasse as cantorias do "I'm gonna live forever" e essa tralha toda do "Baby remember my name". Gaita, que não há pachorra!

12 de julho de 2009

Ando irritado...




... e com razão! A minha Dona dá-me cabo do sistema nervoso, e depois, claro, eu tenho de descarregar de algum modo, não é? Pois a manta estraçalhada que eu esfrangalhei e com cujos restos mortais eu me entretenho não é uma manta. Ah, pois não! É o casaco do Senhor Luís que vem cá tratar do jardim que eu também destruo generosamente. Também quem o manda deixar as coisas ao alcance do meu dente? Ele não há nada que eu goste mais do que o som de tecido a rasgar: "trrrrrrrrrrrr", música! E agora a minha Dona que se entenda com o Senhor Luís e, já agora, está ali a câmara de ar da bola que eu retracei esta semana para ver se ela se lembra que tem mais duas bolitas escondidas e que, é favor, deixar-me brincar com elas porque esta já entregou a alma ao Criador.

Ando passadinho dos carretos e preciso mesmo aliviar esta tensão. Já não aguento as cantorias da Dona e mais os ensaios. Agora que lhe disseram que é soprano anda-me impossível e já não aguento o "Oh oh oh oh" da Pixie Lott o dia todo. Que raio de canção! E também já não aguento aquele alarme horroroso que ela instalou cá em casa. Não há tímpanos que aguentem e Ela devia saber que os nossos tímpanos são hiper-desenvolvidos e sensíveis, mas não. Qual quê? É uma despistada e, uma em cada cinco vezes, engana-se no botão do remoto e, em vez de desligar o alarme, acciona-o. O que me consola é imaginar as fotografias fantásticas que devem lá ter na central da cara dela! Ó yeah! Mas francamente, chegar-me a casa às quinhentas e ter a lata de me acordar com sirenes, não há direito! Gramo, as flashadas que ela leva! Só que ela agora já está tão amestrada na coisa que desata logo a dizer a password assim que leva com os flashes naquela cara loura! É para ver o que os cachorros do Pavlov deviam passar!

Bem, deixa-me cá continuar o meu árduo trabalho de destricotação de casaco qu'isto de ser cão de Blonde tem muito que se lhe diga e exige muita perícia. Ai, life...

31 de maio de 2009

Vida de Cão Spotty


- A minha Dona passa-se! Hoje deu-me banho com o gel de duche DELA! Diz que se esqueceu de comprar o meu champú! Pois sim! E agora aqui estou eu a cheirar a chocolate! Isto é tão indigno!!

24 de março de 2009

Um dia normal na vida de um cão





O Marley, que já deu um livro e agora chega às salas de cinema com a Jen Aniston (e aquela coisa semi-actor chamada Owen Wilson), é um anjo!

Depois da enésima travessura do tonto do meu adoptado Spotty decido que é altura de lhe dedicar um certo espaço no blog, com direito a etiquetagem própria e tudo. Mas que digo? Não, o Spotty não faz travessuras, isso é com o Marley. O Spotty excede-se em maluqueira inconsciente. Esqueço-me das incontáveis vergonhas e sustos em que ele me tem metido nestes três anos de uma vida extraordinariamente activa e prolífica em episódios que nem no cinema.

Para que conste, a Blonde é uma pessoa de gatos. Os cães são grandes, aluados, dependentes, pouco higiénicos, barulhentos, desastrados, desarrumados e etc. Mas o Spotty era um cachorrinho abandonado tão pequenino e com uns olhitos leitosos sem cor tão adoráveis que acabou no colo da Blonde e ganhou um lar. Logo na primeira tarde em casa da Blonde, a Blonde viu o futuro: xixi no tapete iraniano, mordidelas ferozes na mesinha de café, xixi na carpete da sala, aversão ao banho, xixi no tapete da casa-de-banho (porque é que será que embicava sempre com tapetes e nunca com o chão despido?) e mais mordidelas em tudo o que fosse perna de cadeira. Sim, o futuro prometia e ainda íamos só na primeira tarde de convívio juntos.

Durante a fase cachorrinho adorável, o Spotty apenas roeu 12 candeeiros de relvado e um sistema inteiro de rega (sprinklers e as mangueiras enterradas no solo incluídos). Os colchões da cama desta alegre criatura tiveram sempre uma esperança média de vida oscilando entre os 30 minutos e os 20 segundos. Os brinquedos a mesma coisa. O primeiro veterinário ganhou-lhe um trauma quando viu o consultório destruído, marquesa de alumínio incluída no rasto de destruição. E isto ainda a criaturinha linda não tinha um ano. Estou a vê-lo, ao vet, de olhar vazio e incrédulo, urinado pelos esguichos de alegria que o Spotty lhe debitou, a marquesa de pernas para o ar e o consultório revirado. Também paciência, estamos a falar de um veterinário que olhou para o cachorrito e disse com a voz da certeza:
- Hmm, vai fazer-se um lindo cão médio aí com uns dez, doze quilos.
O bicho aos dez meses pesava 20! Encontrei o veterinário no concerto da Mafalda Veiga e, sinceramente, a vergonha ainda é tanta que fingi não o ver.

Certo dia o Spotty fugiu do quintal por entre as pernas da Blonde e esta teve de mandar cortar o trânsito na rua de casa (que não é uma rua é uma estrada porque a Blonde vive no campo). Montou-se a caça ao bicho com a vizinhança e a Blonde ia tendo um esgotamento nessa tarde. O Spotty deve ter achado aquele um dos dias mais festivos da sua curta existência. Doutra vez espetou o focinho num vespeiro e apareceu muito cabisbaixo a mostrar a tromba de elefante à querida Blonde:
- Não me ralhes Dona, mas isto arde que se farta.
Claro que a Blonde levou-o a correr ao veterinário com medo de choques anifiláticos, infecções e o diabo. Da segunda vez que Sua Suma Inteligência resolveu brincar com vespeiros a Blonde já nem se ralou:
- Aguenta amigo, que isso já passa!

Ainda outra ocasião, vem a Blonde cansada do ginásio e encontra Sr. D. Spotty emaranhado num tapete que destruíra. Nem se mexia, nem conseguia fechar as mandíbulas, tinha fios grossos de tapete entre os dentes a cortarem-lhe a gengiva, as pernas atadas e um garrote à volta do pescoço. A Blonde entrou em pânico. Agarrou nele com forças de Super-Mulher e lá vai à velocidade-luz para o veterinário, desta feita, outro que se traumatizou. Foram precisos dois veterinários e muito bisturi para o desenrolarem do tapete. E, claro, da segunda vez que a Eminência se emaranhou noutro tapete, a Blonde ralhou com ele e cortou o tapete à tesourada de tão furibunda estava.

Hoje, a criatura em questão achou que rebuçados para ratos (não esquecer que estamos no campo) são uns biscoitos próprios para cães e cá vai disto. No meio de muita gozação: "Ó p'ra mim Dona, vou mesmo comer isto, estás a ver?", lá comeu um rebuçadito envenenado (ainda estou para ver que raio de repelente anti-animais domésticos aquilo tinha que, como se vê, funciona às mil maravilhas!). E lá foi a Blonde tinóni para as urgências da clínica veterinária, onde ao que parece, nunca ninguém viu um bicho envenenado ter tanta alegria que nem drogado parava quieto.

Enfim, outro dia absolutamente normal: a Blonde veio descomprimir do susto para o blog e a fantástica e super-potente criatura ali está no jardim feliz da sua vidinha que nem parece podia ter morrido há umas horas atrás.


Legenda: A criatura maravilhosa aos três meses em plena actividade lúdica-destrutiva.