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10 de agosto de 2019
3 de agosto de 2019
Acordar com Atlântico
Pensei acordar num atlântico inundado de sol e azul. Acordei entre brumas e cinzentos. Fixei-me na beleza selvagem e nórdica que a palidez das cores evoca. A meio do Norte, este Atlântico é tão vasto, profundo e misterioso que me lembra paisagens muito mais setentrionais e frias. Depois há o vento, essa presença aqui denominada nortada, o vento que nos refresca as noites, tão diferentes das do domesticado Mediterrâneo. Aliás, comparo sempre estas duas massas de água na lembrança de que uma é um oceano, a outra um mar e só isso faz toda a diferença.
Abro a portada e inspiro a brisa salina que me desalinha os cabelos e cuja frescura considero fria na contacto com o corpo. Podia ter acordado num belo dia de sol azul mas este cinza também tem o seu encanto.
Abro a portada e inspiro a brisa salina que me desalinha os cabelos e cuja frescura considero fria na contacto com o corpo. Podia ter acordado num belo dia de sol azul mas este cinza também tem o seu encanto.
24 de julho de 2019
Só mais uma flor
Se calhar ando a dar muita importância às flores que vejo aqui pelo campo. se calhar é porque cada vez tenho menos tempo para apreciar este campo, a Natureza e todo este ambiente que me faz vida. Se calhar é um reflexo da clausura em que vivo porque há outra vida a chamar. Alegro-me por ainda ter a capacidade de observar momentos. Uma flor no chão e, de súbito, apercebo-me da Natureza que está sempre aqui, eu é que não...
20 de julho de 2019
Tapete de flores
Percebo porque é que há festas populares em que as ruas se cobrem de tapetes de flores. É o Homem que tenta imitar a grandiosidade singela da Natureza. Como é que uma pessoa não há-de maravilhar-se quando caminha sobre caminhos de flores?
17 de julho de 2019
Flores silvestres
Encontrei esta flor andando por aqui nos meus passeios campestres. É minha conhecida mas não lhe sei o nome: campainha?, câmpanula?, lírio silvestre? Não faço ideia mas, na sua simplicidade alva, é das coisas mais inundadas de luz e beleza que ver se possam. Há que dar graças pelas pequenas maravilhas...
6 de julho de 2019
Floresta no Montejunto
Há coisas perto de casa que são tão misteriosas, desconhecidas ou tomadas por garantidas que mal delas nos damos conta. Venho às arribas do Montejunto num dia em que desponta a Primavera. A floresta despida a tomar-se de sol, enquanto inspira serenamente, para o verde que aí vem, tem contornos de paisagem boreal dos contos dos irmãos Grimm. Quase parece uma floresta encantada de onde se espera surjam cavaleiros ou onde se escondem bruxas e fadas. Um passeio aqui, tão perto e tão longe da grande cidade, é entrar em todo um mundo de maravilha.
1 de maio de 2019
Das coisas que se vêem no campo
26 de janeiro de 2019
Calçada portuguesa: sim e não
Tenho com a calçada portuguesa uma relação paradoxal. Não a amo. Esburaca-se facilmente, não é cómoda na sua dureza e irregularidade, depois de muito pisada torna-se escorregadia. Irrita-me por me estragar saltos e sapatos. Temo-a por medo de escorregar na sua perigosidade.
Só que depois dá-me aquela espaçada surpresa da descoberta artística sob os pés. Que povo este que decora o chão e o dignifica desta maneira. Há que louvar e podemos louvar e admirar mesmo o que não amamos. É o caso.
Só que depois dá-me aquela espaçada surpresa da descoberta artística sob os pés. Que povo este que decora o chão e o dignifica desta maneira. Há que louvar e podemos louvar e admirar mesmo o que não amamos. É o caso.
23 de janeiro de 2019
Como no Livro do Desassossego
Vivo numa bolha. Faculdade-Casa-Faculdade-Casa. Entre ambos os espaços fechados, o carro. Fechado. Preciso ver gente e estar entre anónimos nas suas vidas. Preciso uns minutos fora de portas na cidade que nunca visito, onde nunca entro como passeante. Há cinco minutos de vida que posso usar. Cinco minutos fora da bolha. Subo a pé até ao miradouro de são Pedro de Alcântara. Do outro lado da colina a Lisboa icónica medieval. O castelo. O casario. A tarde cai e está fria e eu vejo-me passeante numa cidade-postal e, por momentos tenho saudades de um passado deixado há décadas de quando aqui estudei e deambulava por estas ruas nos meus afazeres que não me diziam que eu chegaria aqui a este sentimento de Bernardo Soares deambulante, solta de uma bolha em busca da cidade-viva...
12 de janeiro de 2019
E depois há este campo
Os vinhedos dormentes na invernia, o verde perene do campo português. Mais céus de infinito turquesa e a alegria de morar num local onde a alma pode abrir as asas à vontade.
#iloveportugal
#iloveportugal
9 de janeiro de 2019
País maravilhoso
Pode fazer frio. Pode ser o pico do Inverno, mas temos este sol ameno, esta limpidez de céu e este mar infinito. Somos heróis do mar e a ele precisamos sempre voltar. Temos o mar-oceano por tão garantido que nos esquecemos do quão privilegiados somos pela geografia que nos calhou em sortes...
#iloveportugal
#iloveportugal
13 de abril de 2015
A despontar
Este ano vou fazer uma viagem de sonho (ainda que todas as viagens sejam sempre de sonho) e, enquanto o dia não chega, vou sonhando acordada neste sonho de paisagem com as videiras a despontar e o campo feito mar de verde.
11 de abril de 2015
16 de agosto de 2014
Há três férias
Se eu morrer hoje, há três férias que levo com maior carinho na memória:
Brac em 2014 (as férias deste ano);
Escócia (e alguma Inglaterra mítica) em 2011, umas férias que começaram numa travessia de ferry em Bilbao e acabaram numa travessia de ferry em Calais;
Um canto de Alentejo em 2009 (o ano em que eu descobri, em duas férias diferentes) que existe um pedaço de mundo chamado Alentejo.
Engraçado, ao pensar nas melhores férias da minha vida constato que todas sucederam pós-2008 e que todas foram passadas aqui neste Velho continente. Sobretudo, dou-me conta de que não é o exotismo da lonjura ou a exclusividade do sítio que importam: é o modo mental e emocional em que nos encontramos que nos levam a beber o melhor das viagens.
Na dor da morte da Mãe, na prisão do meu não-casamento levei-me em viagens Equador abaixo, Equador acima, meridianos para a esquerda, meridianos para a direita, fusos de horas a mais e fusos de horas a menos. Calcorreei desertos e palmilhei os lugares que os olhos viam no National Geographic e no Discovery Channel, mergulhei entre corais até me quase afogar e esquiei encostas de nevoeiro até quase me matar nas escarpas. Vivi. Persegui o David Attenborough (que ainda persigo e perseguirei até morrer), fiquei nos melhores resorts que o dinheiro pode comprar e rapidamente esgotei as viagens de sonho com que todos fantasiamos acordados. Achei-me privilegiada por poder concretizar essas viagens todas e pensei que isso era felicidade. Ainda me acho uma privilegiada e dou graças por isso. Mas o meu capítulo de vida é outro e, por vezes, pouco me reconheço na pessoa que viveu os meus capítulos passados.
Um lago perdido nas brumas escocesas, um pedaço alentejano com 40º à sombra ou uma ilha na Dalmácia com um dos melhores pôr-de-sol do mundo fazem-me feliz por ser: por ser eu que ali estou, naquele momento e naquelas circunstâncias. Agradeço a Deus, ou a qualquer Transcendência, por ter chegado Aqui, a este capítulo e, sobretudo, agradeço a lucidez de saber apreciar a felicidade do momento.
Não sei ainda onde irei de férias para o ano. Penso em Corfu, penso em repetir Brac e há ainda as Galápagos mas penso que, se esta pessoa e esta capacidade de fruição de instantes perdurar, não importa onde irei porque a felicidade estará lá à minha espera.
Às instâncias que se sobrepõem a mim e me permitem este Aqui: obrigada...
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| Zlatni Rat vista de Vidova Gora. |
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| Loch Eribol, Escócia. |
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| Planície alentejana vista de Alter Pedroso. |
Engraçado, ao pensar nas melhores férias da minha vida constato que todas sucederam pós-2008 e que todas foram passadas aqui neste Velho continente. Sobretudo, dou-me conta de que não é o exotismo da lonjura ou a exclusividade do sítio que importam: é o modo mental e emocional em que nos encontramos que nos levam a beber o melhor das viagens.
Na dor da morte da Mãe, na prisão do meu não-casamento levei-me em viagens Equador abaixo, Equador acima, meridianos para a esquerda, meridianos para a direita, fusos de horas a mais e fusos de horas a menos. Calcorreei desertos e palmilhei os lugares que os olhos viam no National Geographic e no Discovery Channel, mergulhei entre corais até me quase afogar e esquiei encostas de nevoeiro até quase me matar nas escarpas. Vivi. Persegui o David Attenborough (que ainda persigo e perseguirei até morrer), fiquei nos melhores resorts que o dinheiro pode comprar e rapidamente esgotei as viagens de sonho com que todos fantasiamos acordados. Achei-me privilegiada por poder concretizar essas viagens todas e pensei que isso era felicidade. Ainda me acho uma privilegiada e dou graças por isso. Mas o meu capítulo de vida é outro e, por vezes, pouco me reconheço na pessoa que viveu os meus capítulos passados.
Um lago perdido nas brumas escocesas, um pedaço alentejano com 40º à sombra ou uma ilha na Dalmácia com um dos melhores pôr-de-sol do mundo fazem-me feliz por ser: por ser eu que ali estou, naquele momento e naquelas circunstâncias. Agradeço a Deus, ou a qualquer Transcendência, por ter chegado Aqui, a este capítulo e, sobretudo, agradeço a lucidez de saber apreciar a felicidade do momento.
Não sei ainda onde irei de férias para o ano. Penso em Corfu, penso em repetir Brac e há ainda as Galápagos mas penso que, se esta pessoa e esta capacidade de fruição de instantes perdurar, não importa onde irei porque a felicidade estará lá à minha espera.
Às instâncias que se sobrepõem a mim e me permitem este Aqui: obrigada...
30 de julho de 2014
2 de maio de 2014
Costumava haver aqui uma praia
E o meu coração caiu depois da descoberta mais de vinte anos depois.
O que vale é que o meu espírito David Attenborough acha uma natural inevitabilidade a erosão da faixa costeira (senão ainda me punha a desejar bulldozers despejando areia em nome de uma coisa chamada época balnear...).
O que vale é que o meu espírito David Attenborough acha uma natural inevitabilidade a erosão da faixa costeira (senão ainda me punha a desejar bulldozers despejando areia em nome de uma coisa chamada época balnear...).
26 de abril de 2014
Subir ao monte
Ontem passei o dia sózinha de gente. Gosto dessas solidões quando sinto que são-no só porque as escolhi e porque o não são de facto. Solidões de gente em dias que temos só para nós são luxos que nos higienizam o pensamento e nos libertam para nós. Dou graças.
A meio da tarde, enquanto ouço foguetes a estalar na vila comemorando passados recentes esboroados, calço os ténis e ponho um boné. Vou subir ao monte: cansar o físico, refrescar pulmões e falar comigo a ver as vistas deste campo de verdes e vinhas e matos.
A Mãe adorava o tudo silvestre e à minha volta as flores bravias que ela tentava domar e transplantar para o nosso jardim: chucha-méis. Conseguiu que um pé dessas flores aromáticas se acostumasse a viver domesticado. Morreu depois dela, quando eu herdei o jardim e o dei a outras mãos porque as minhas não são capazes. Definhou porque a Dona lhe faltou e a nova lhe transmitia o stress do "tens de viver" e não sabia o que fazer: se o deixar estar ou se o trazer domesticado.
Ontem estavam por todo o lado. Uma lembrança bem viva de algo que me acompanha sempre. O mesmo aroma intenso a flor livre e a memória Dela. Gostei do passeio na minha solidão que subia o monte e observava o vale onde as gentes vivem. Sózinha na altitude, dei graças por ter chegado Aqui. Ámen.
8 de março de 2014
Dias azuis
Chegaram os dias azuis. Ontem, o céu e a água eram um só. Adoro os primeiros dias de Primavera, quando o ar ainda está límpido das chuvas e antes de o sol ser ofuscante de Verão.
Foi um passeio feliz de lembranças muito antigas e presentes conciliados.
Foi um passeio feliz de lembranças muito antigas e presentes conciliados.
13 de novembro de 2013
Visto daqui
Levei décadas a chegar aqui só para perceber que nunca saí e que já aqui estamos há séculos. O ADN é uma coisa tramada.
27 de junho de 2013
Pirilampo
Quando eu era pequena e passava os Verões a andar de bicicleta até ser noite, via imensos pirilampos. Depois cresci e o mundo mudou. Foi preciso subir ao monte num Domingo de lua muito cheia para me reencontrar com pirilampos. Foi nostálgico e alegre ao mesmo tempo e, se calhar, gostei mais de ver os pirilampos do que a lua que vejo sempre.
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