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24 de abril de 2019

Da série "Coisas Estúpidas": declinar no feminino e no masculino só porque é politicamente correcto

Caras amigas, caros amigos. Portuguesas e Portugueses. Senhoras e Senhores. Bem-vindos e Bem-vindas. Car@s Coleg@s. Enfim, acho um bocadinho estúpida esta coisa de agora andarmos todos a declinar no feminino e no masculino uma língua que sempre declinou o genérico, geral e abstracto através do masculino sem que isso tenha outra razão que não seja a economia de palavras. E então quando se usa um caracter pictórico como o @ que não é, que eu saiba, uma letra do alfabeto, até se me dão comichões.
O exagero nunca foi conhecido por ser sensato...

20 de abril de 2019

Da série "Coisas Estúpidas": em primeiro lugar o Eu

Acho muito bem que estejamos em primeiro lugar nas nossas vidas. Até concordo com a máxima do reclame que "se eu não gostar de mim, quem gostará?" Creio é que é uma coisa muito estúpida andarmos todos direccionados para o mantra do Eu acima de tudo. Vamos ao psicólogo e dizem-nos que nós somos o centro de nós. Na escola dizem aos meninos e meninas que são o centro de si. Por todo o lado nos bombardeia, com a necessidade dizer "não" a tudo o que não gostemos ou nos aborreça. Não a solicitações no trabalho, não aos amigos que nos convidam para coisas que não queremos, não às imposições familiares. Viva o não, que é muito mais importante do que o sim.
Não sei se quero ver os resultados deste centralismo do Eu e desta supremacia do não. Vamos ficar mais egoístas e egocêntricos do que estamos e criar gerações sem compaixão para nos ajudarem na nossa velhice. Algo muito errado e perigoso andamos a fazer...

17 de abril de 2019

Da série "Coisas Estúpidas": minimalismo

Está agora na moda esta coisa (estúpida) do minimalismo. Dizem os entendidos, desde os especialistas do Feng-Shui, à guru da arrumação, de sua graça Marie Kondo, que devemos purgar as nossas casas e armários de toda a sorte de tralha e viver só com o mínimo indispensável. Aliás, ao fazermos a purga, devemos mesmo falar com os objectos destinados ao pontapé para fora das nossas vidas, dizer-lhes que os amamos e que nos fizeram felizes e tal e que, agora, cada um segue o seu caminho. Quer parecer-me que, como agora os relacionamentos humanos se acabam por SMS, temos de acabar com os objectos através de declarações de amor arrependido.
Acho isto tudo uma palermice. Que mal tem eu viver numa casa maximalista cheia de pedaços de vidas de quem me legou vida? Não sou nada consumista. Nadinha mas, caramba, vou lá eu agora fazer purgas em casa só porque está na moda?

13 de abril de 2019

Da série "Coisas Estúpidas": metas na vida

Esta coisa (estúpida) das metas na vida é muito parva. Primeiro temos as metas do que vamos ou queremos ser quando o estado adulto chegar. Depois vem o dito e as metas multiplicam-se em frentes de batalha sem fim. Depois alcançamos metas e inventamos, queremos, ou são-nos impostas outras. Há também a fase da vida em que se pensa que já não vida para ter outras metas e impomo-nos a meta de não ter metas, o que é, diga-se, uma meta ainda mais parva.
Em suma, estou um bocadinho farta de metas...

7 de fevereiro de 2013

Os frigoríficos regressaram aos anos 80

Encontrei este título no Publico e achei giríssimo (há muito que nenhum título da imprensa me apelava assim). Chama-se "Os anos 80 estão de regresso aos frigoríficos dos portugueses" e baseia-se nas conclusões de um estudo para aferir dos hábitos de consumo de bens essenciais pelos portugueses. Pretendeu-se mostrar como, e em que segmentos, a crise está a afectar o consumo dos portugueses ao nível dos bens ditos de primeira necessidade. Os resultados mostram a emergência de um "novo normal", um consumidor mais moderado, que não compra tantos refrigerantes, sobremesas lácteas ou queijos fatiados. Um consumidor parecido ao dos anos 80 que começa a levar marmita para o emprego e que, no caso das classes média baixa e abaixo compra nas lojas discount como o Lidl e prefere marcas brancas.
Pois eu faço a minha leitura e digo que nunca saí dos anos 80 e que, apesar do meu escalão sócioeconómico, tenho um consumo de classe média baixa. Há anos e anos que levo lancheira para a faculdade, não por razões económicas mas por razões de saúde e de rentabilização do meu tempo. Não como sal, não como fritos, não como gorduras e alimentos processados e preciso do meu tempo bem organizado e sem ser desperdiçado em restaurantes ou filas de cantina universitária.
Também não compro, e nunca comprei, os alimentos desnecessários que vejo as pessoas à minha frente nas caixas de supermercados comprar: pães com chocolate, todos os tipos de refrigerantes e bolachas, comidas prontas e pré-feitas, leites enriquecidos com isto e aquilo, enfim, o que a minha Mãe diria "ideias ao dinheiro". Talvez que a crise tenha o mérito de nos reindicar o caminho dos bons hábitos alimentares. E também sempre me lembro de comprar no Lidl, não só porque já o fazia na Alemanha, mas porque não vejo onde esteja a diferença entre produtos de marca branca e produtos líderes de mercado se todos são feitos nos mesmos sítios.
Quando a Isabel Jonet disse que andámos a viver acima das nossas possibilidades, toda a gente se levantou em armas que a senhora era paternalista, retrógrada, moralista e outros etcs. Talvez que a escolha de palavras não tenha sido a melhor. Eu acho, no entanto, que nos tempos da nossa falsa e ilusória riqueza, fomos desvairados nos nossos gastos, fomos um povo saído da pobreza e da ditadura que se deixou ofuscar pelo consumo fácil. Tenho ainda uma outra teoria para o que terá acontecido aos portugueses mas essa deixo-a comigo porque implica a minha educação alemã sob o espectro da Guerra e far-me-ia bem mais mal interpretada do que a Jonet.
A notícia do Público aqui. 

2 de março de 2012

Dos hábitos

Porque será que manhã não é manhã sem muito café preto amargo? E porque é que chá não me sabe a chá depois das cinco?

16 de maio de 2011

O que se aprende em voos para Bruxelas

Os políticos no activo viajam em primeira. Os "desactivados" viajam em segunda. Posso estar enganada mas é isso que a malta vê.

18 de abril de 2011

A desinspiração

A desinspiração é uma seca.
A tristeza é inspiradora. A alegria sobrepõe-se à inspiração porque se esquece dela. E os estádios intermédios são uma coisa sensaborona.

5 de janeiro de 2011

Tristes teorias

Porque é que dizemos mais estando tristes? Porque nos inspira mais a tristeza que a alegria? Porque nos concentramos melhor em modo triste? Acho os génios tristes e desolados. As cartas de amor tristes são tão superiormente belas às outras, às tolinhas. Porque é que, estando alegre, não tenho nada de jeito para dizer? Também acho os poetas tristes. E tristes e trágicas as divas. Haverá heróis não-tristes? Didos, Ofélias, Cleópatras, todas tristes. Quanto mais não convoca o choro que o riso? E porque se escreve mais a tristeza que a alegria? É como não ligarmos à comédia e nos determos na tragédia. A tristeza pode ser eterna, porém a alegria é episódica. No fundo, no fundo acho a alegria mais enganadora que a tristeza.