23 de junho de 2009

A data das eleições


Já não aguento a discussão em torno da data dos próximos actos eleitorais. Percebo a necessidade de consensos e a marcação de uma data o menos intrusiva possível na vida das pessoas, daí concordar que agendamentos próximos de férias e feriados são as opções mais logicamente descartáveis.
O que não entendo é esta coisa surpreendente de termos em poucas semanas dois actos eleitorais. Explico:
a). Os políticos cansam-se de louvar a maturidade eleitoral dos portugueses; que sabem escolher mudanças, que são lúcidos o suficiente para mostrar cartões vermelhos aos governos; que vivem numa democracia consolidada e outras loas que tais. Pergunto-me se esses mesmos políticos ainda não se deram conta de estarem a passar atestados de ignorância e puerilidade a esse eleitorado que tanto louvam ao pensarem que os mesmos são incapazes de discernir legislativas de autárquicas ao ponto de as coisas terem de ser bem separadas (convenhamos, é que nem nós as louras naturais deste regime contemporâneo misturamos as coisas).
b). Duas datas díspares para autárquicas e legislativas implicam que nós, o tal eleitorado esclarecido, vai "gramar" campanhas eleitorais "ad nausea". E isto significa sermos confrontados, por um tempo dolorosamente longo, com os cartazes feios, inestéticos, desprovidos de todo o sentido de design que inundam o nosso campo visual em rotundas, praças, bermas de auto-estradas, outdoors que nascem como cogumelos de Outono por todo o lado que é lado.
c). Se, tipicamente, o eleitor vota por partido, será que há assim tanta hipótese estatística de mudanças de opinião entre um acto eleitoral e o outro?
d). Por fim, há o papão-mor da abstenção. E, se, em anos em que somos confrontados uma vez só com o votar como direito cívico, votar como dever, já a afluência às urnas (deuses como amo esta expressão) é deficitária, imagine-se num ano em que nos arrastamos enfastiadamente não uma, não duas mas três vezes aos nossos locais de voto (da última vez fiz, à pressa, 200 kms para ir colocar uma cruz num partido que estava pseudo-morto nas sondagens - não sei se me apeteceria repetir a proeza mais vezes, caso me encontrasse outra vez longe da minha assembleia de voto, tenho pouca apetência para Cristo ressuscitador).
E com estas conjecturas (de uma mente loura, logo naturalmente dotada para o fracasso das ideias), penso que os nossos políticos gostam mesmo é da tribuna eleitoral, um bom comício, uma boa feira com muitos beijinhos à mistura, muita distribuição de bandeirola, muito encontro com o Povo, dias soalheiros de romarias, festas e foguetes. De tal sorte que, muitas datas de eleições, muitos Domingos de emissões especiais nas TVs, muito trabalho para as empresas de sondagens, nos alegram o dia-a-dia e nos dão a noção de um país politicamente vibrante. Sinceramente? Acho deprimente o espectáculo político que me é dado ver por estes dias.

10 comentários:

Pedro Lopes disse...

a sensação que fica é a de falta de bom senso...
a mesma data e acabou-se, poupe-se... e poupem-nos...

hoje levei o meu filhote a ver uma exposição sobre a "nossa" terra, a terra onde o pai vive, que ele vive com a mãe

porque falo da exposição?
ah santa falta de pachorra...
aquilo está perdido na Fundição de Oeiras, com difícil acesso, por entre carros que entram e saem do Centro de Inspecção Periódica Obrigatória, sem passeio, uma chatice para lá se chegar... mas já cumpriu a função de ser publicitada, pois, de gerar barulho, atrair a atenção

depois, hum, como resumir?

exposição megalómana, monstruosa, cansativa... quantas as pessoas a visitar? menos, menos de metade, do que as que tomam conta daquilo

no fim da exposição frases chavão, garrafais, a "martelar"... pura propaganda... para? para ganhar as próximas eleições, obviamente

menos de metade do espaço e cumpria a função e não era o exagero que lá está

é triste, um despesismo bacoco, que vai comprar votos? não sei; sei que é triste isto, de a obra (recuperação de espaços, monumentos, entregas de casas, ...) só aparecer feita em período de eleições, de eventos "culturais" serem rasteiramente usados como pura propaganda

triste

não interessa a cor política, ou despolítica, a cartilha é a mesma, show off para o povo ver

triste

António de Almeida disse...

Os partidos tratam-nos como imbecis, nesta questão e principalmente na forma como faltam às promessas que nos fazem. Depois admiram-se com o cada vez maior afastamento dos eleitores...

Eu Mesma! disse...

Já agora...
quais é que são as datas propostas?

É que já estou toda perdida no meio das discussões...

antonio - o implume disse...

Desta vez saiu-te bem, luora! Quase subscrevo o que aqui dizes!

Ferreira-Pinto disse...

Os louvores dos políticos já nós os conhecemos bem, mas temo que aqui o tiro tenha literalmente caído à água!

Desde logo, e já aqui vi comentadores de mão cheia que, quando lhes convém, afirmam conhecer de forma cristalina e diáfana o povo (esse mesmo, o que cheira mal do suor, da falta de higiene, escarra para o chão e veste fato domingueiro para ir à missa) que ignoram olimpicamente como muitas vezes são feitas as escolhas à boca da urna!

Quero com isto dizer que, sim, se calhar alguns confundem tudo e não distinguem um calhau dum paralelo quanto mais as listas ou os símbolos.

A abstenção não diminuirá pelo simples motivo de as Legislativas serem na mesma data das Autárquicas. Isso é uma falácia tão grande como a de Cavaco Silva estar na posse de sondagens onde a esmagadora maioria do povo português quer as eleições no mesmo dia.

Aliás, noto que há uns dias atrás as sondagens não valiam um cêntimo furado mas estas, as tais que Cavaco Silva tem e certamente lhe foram fornecidas pela sua discípula dilecta, essas já são seguras e credíveis.

Campanhas e cartazes já por aí andam ad nauseam, algumas clandestinas pois colocadas a menos de 5 metros da faixa limítrofe da auto-estrada e ainda não vi ninguém incomodado com esse factor inestético.

DANTE disse...

Concordo , já cheira mal...
A malta quer é Ronaldo! lololololol

Beijo :)

Chinook disse...

As datas são importantes e ainda não estão definidas. O PR tem mais uns dias que o PM para dar a data para as legislativas. Mas o PR já apontou o fim de Julho para ter uma data.

Em termos reais legislativas e autárquicas não são exactamente iguais. Nas autárquicas é mais fácil votar numa cara do que num partido. São vários os exemplos de autarcas que são sempre eleitos independentemente do partido com que vão às eleições.

Assim as datas serem diferentes tem um contexto psicológico diferente do que sendo na mesma data em que possa haver uma mais colagem nas autárquicas aos partidos. O que pode ser importante para o PSD e pouco interessante para o PS. Nos partidos pequenos essa colagem pode implicar à partida que terão menos votos que os esperados.

Kisses.

Daniel Santos disse...

Tirando a de o eleitor votar por partido, concordo.

opinião própria disse...

Concordo plenamente.

mdsol disse...

Penso que as últimas flutuações do voto tradicional do eleitorado bem como o falhanço rotundo das sondagens, as direcções partidárias andam excitadas. Quer com expectativas muiiiito positivas, os que ganharam nas últimas europeias, quer os que perderam. Assim, cada um avança com argumentos para defender a solução em que imaginam que podem sair beneficiados.
Noutro dia ouvi alguém que costuma estar nas mesas de voto e, portanto, tem experiência das dificuldades de muitos eleitores, defender que ter 4 boletins de voto no mesmo momento pode causar ainda mais confusão.
:)))