4 de novembro de 2009

Por esta altura há um ano...


... andava eu nos mares revoltos das grandes decisões. Aqui no blog ninguém suspeitava mas, por detrás da Blonde, a dona da Blonde separava-se sem vacilações, sem lutos, sem olhar para trás, sem arrependimentos. O blog só soube algum tempo depois quando a dona da Blonde percebeu que ela e a Blonde são a mesma pessoa.
Pois é, um ano inteiro passou. Depressa demais, talvez, em tanta Vida vivida, em tanta coisa acontecida, em tanta reviravolta e tanto turbilhão de emoções e sensações. Acho que o divórcio acabou por ser, não tanto o inevitável desmoronar de um casamento condenado a priori desde ainda antes do casamento. O divórcio foi, sobretudo, uma segunda hipótese de Vida, como se eu tivesse passado por uma doença trágica ou um acidente grave e sobrevivido para começar realmente a viver.
É maravilhoso viver desagrilhoado: aceitar os desafios da carreira, pegar num avião e ir não importa onde, relacionar-me com quem quer que seja que aqui aterre nesta tal Vida de singularidades (engraçado como isto me faz lembrar o conto do Eça "Singularidades de uma Rapariga Loura", embora as minhas semelhanças com a tal rapariga loura se esgotem no cabelo).
Porém, mais que tudo, nada há de tão extraordinário como descobrir-me Eu neste preciso momento da Vida. Que bom é ter aqui chegado, com as âncoras que jamais me deixam soçobrar nas tempestades que por vezes se levantam, os meus sucessos (que são tantos, meu Deus) e todas as razões que me fazem Eu, Blonde e dona de Blonde, neste aqui e neste agora.
Há um ano fui para Londres no estado de espírito de quem quer e vai começar uma Vida nova, interessante como não parti para curtir mágoas, aliás, eu estava tão feliz. Depois regressei e confrontei-me com a Vida nova, tudo novo, desde o Natal diferente às rotinas que anteriormente não existiam. Voltei a Londres mais tarde e noutro estado de espírito: desta vez acomodada, de certo modo, a uma fase desta Existência que ainda me deixa perplexa na quantidade de benesses com que me trata. E tudo isto apenas porque me separei, porque saí do comodismo do deixa andar e meti os pés a caminho desta outra/nova Vida que, afinal, sempre esteve aqui à minha espera.
E escrever isto tudo porquê? Bem, porque, sem saber como ou porquê, tive um flash, súbito como todos os flashes, de que Tudo mudou há um ano atrás agora e que o Agora é infinitamente melhor do que há um ano. Acho que, no fim de contas, faço anos agora, um ano, um ano já. Vivo.

12 comentários:

antonio - o implume disse...

Nunca comento a instabilidade das mulheres, nunca se sabe quando elas se julgam normais e equilibradas... ;)

Pedro Lopes disse...

então parabéns, sinceros

viver sabe bem, digo eu da minha vida, pelo que vou sabendo e sentindo; e descobrir a vida, não é todos os dias, nem em todas as vidas; parabéns, e aqui cabe tão bem a expressão "e que gozes muitos e bons anos de vida", parabéns

Daniel Santos disse...

na vida temos de tomar decisões e esta se te fez feliz, só te posso dar parabéns e força.

Eu Mesma! disse...

Então muitos parabens :)

adorei ler este texto e descobrir um pouco mais de ti... e descobrir alguem que sim... que esta vivo e que luta pela propria vida :)

Abobrinha disse...

Aos novos começos! A como uma rotura pode ser na verdade o início de algo novo e muito melhor.

Ferreira-Pinto disse...

É de temer o pior com tão vigorante anúncio de VIDA. É quase caso para dizer: Tremei, ó mortais, "'cause she's alive. And kicking!"

Peter disse...

Não é a "dar graxa", será um comentário do género "gostei muito, beijinhos", mas não posso deixar de salientar que é um belíssimo texto.

O reencontro do Eu consigo próprio.

António de Almeida disse...

Imagino que seja bom fazer um ano!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

As rupturas são excelentes oportunidades para renascermos. Não só no campo afectivo, como profissional

Chinook disse...

Londres,

Sempre Londres...

Mas também Amesterdão é uma cidade onde aproveitei a minha liberdade de uma forma excepcional, com beleza e carinho...

E Madrid...

Mas volto à primeira fase: teremos sempre Londres... Piadinha porque se percebe que acabas por gostar dessa cidade muito e eu sou um fã incondicional da mesma (museus, caldo de pessoas, ambiente, espectáculos...)

Um dia destes perco a cabeça e convido-te a conhecer a minha Londres (que seguramente deve ser diferente da tua pelas descrições.

Beijos

Ältere Leute disse...

Gratuliere...
Geniessen Sie alles! In der Gegenwart und in Zukunft.
Liebe Grüsse

mdsol disse...

E eu aqui contente porque, não deve tardar muito para fazer um ano, te li e qualquer coisa me impeliu a deixar-te um :)
E tu entendeste que o meu simples :) não era de circunstância.
E é com regozijo que te tenho acompanhado, cada dia mais leve, cada dia mais segura, cada dia mais motivada para viveres em pleno a vida boa que, daqui de longe, estou segura que mereces.
Um beijo, Blondinha.
:)))