28 de fevereiro de 2013

Como se já não soubéssemos

Como se já não soubéssemos, Lisboa foi eleita como uma das cidades mais encantadoras do mundo: a quarta para o Urban City Guides. Ainda conheço mal Lisboa. Mas lembro-me bem da primeira vez que percebi que gostava dela. Por coincidência, descobri gostar de Lisboa ao mesmo tempo que descobri o que são saudades. E descobri umas por causa da outra.
Tinha acabado de escolher a nacionalidade portuguesa e regressei à Alemanha para estudar como estrangeira (as coisas dos 18 anos e de não sabermos quem somos). Verifiquei perplexa que me tinha aportuguesado mais do que eu suspeitava ou admitia. E lembro-me de me lembrar de Lisboa. Não Lisboa como cidade, mas a tal Lisboa branca de luz transparente, tão diferente da luz amarela da minha ex-pátria. Nessa distância percebi tudo. Uma avalanche única e súbita e quis regressar movida pela curiosidade de comprovar a luz que então só me vinha à memória. Esqueci-me dos passeios sujos e esburacados, do alcatrão excessivo e pouco arborizado das avenidas novas, das pinturas descascadas e só me lembrava de calçadas íngremes e brancas, polidas pelo uso. E lembrava-me do Tejo azul em perpétuo pano de fundo. O Tejo que se vislumbra em nesgas ao fim das ruas. Também quis o Tejo. Eram as saudades de que só a alma lusa se poderia lembrar de sentir.
Regressei e esqueci as saudades. Dou Lisboa por garantida. Mas gosto de a saber lá à espera que me lembre dela
Aqui.

3 comentários:

CNS disse...

A luz de Lisboa é única. Reflectida no rosa das casas, no calcário das calçadas ou espraiar-se no reflexo do estuário. Não se ama Lisboa. Bebe-se a sua luz.

L.S.A. disse...

Blonde:
Sou portuguesa, e hoje Lisboa é a minha cidade de eleição, por tudo o que referiu e ainda mais por recoedações que me ficaram para sempre gravadas na alma.
Da minha terra (Alentelo) as minhas saudades vão para o meu Rio, para as antigas searas que ondulavam ao vento, para as papoilas e os malmequeres, e para o branco das casas de barras azuis.
Hoje, o pequeno Rio da minha terra devido ás saudades tem o tamanho do Tejo, e não mais lá irei.
As saudades são de outros tempos, de outra gente.
Em Lisboa gosto de calcurriar os bairroa antigoa de onde se avista o Tejo e onde as visinhas falam de janela para janela.
A vida muda e ficamos devididos. entre as saudades de "lá" e as saudades de "cá".
Isso é bom, é sinal que vivemos e não esquecemos o que somos, de onde somos, e amamos o mundo em que vivemos, crescemos e nos fizemos as mulheres que somos hoje.
Gostei de ler o que escreveu, que vem ao encontro do que sinto.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Vim viver para Lisboa há muitos anos. Depois andei a vagabundear pelo mundo durante duas décadas e quando vinha a Portugal repartia a minha estadia entre Lisboa e Porto.
Só há cerca de dois anos me comecei a apaixonar verdadeiramente por Lisboa.
Bom fds