8 de dezembro de 2009

Natal '09 - A Árvore


Nasceste! E aí estás a alegrar a casa que este ano se enche novamente de Natal.
Sabes, o ano passado não houve Natal cá em casa pela primeira vez desde sempre. Não podia ser. Não havia espírito, nem vontade anímica e eu não conseguia arranjar a força para a celebração, para as decorações, as compras. Havia demasiados pesos em cima destes pobres ombros, demasiadas coisas avassaladoras que me consumiam a alma, a mente e o coração. Eu não tinha a capacidade para me concentrar em mais algo que fosse e, assim, cedi o lugar de matriarca à Mana e fui apenas filha e irmã. As Festas passaram por mim e não eu por elas como costuma ser. Foi bom que tomassem conta de mim. Acho que precisei de mim o ano passado: parar por e para mim.
Mas este ano não. Reclamo as Festas e os meus papéis habituais. Porém, tem de ser tudo reinventado. Dei as antigas decorações, presépio incluído, à Paula (que todos neste blog sabem é o meu braço-direito nesta casa grande onde vivo com o Spotty). Só preservei algumas decorações antigas do tempo da Mãe e da Alemanha, recordações, muito mais que enfeites de Natal. Não me apetece montar um pinheiro como todos os pinheiros e foi aí que pensei em ti.
Tinhas de ser uma árvore diferente de todas, tal como diferente de todos vai ser este Natal que antecipo e preparo com tanto esmero e carinho. Trouxe-te de Santiago do Cacém, onde eu nunca tinha ido na vida e onde fui levada pela energia do inesperado das pessoas boas. Parecia que o céu ia desabar em chuva sobre as nossas três cabeças desprotegidas lá no alto do morro. Mas o céu aguentou a chuva, percebendo que um propósito maior nos fazia desprender os teus ramos da árvore morta e nua no chão. Eram ramos primordiais que tinham um papel principal a desempenhar num Natal a muitos, muitos quilómetros dali e, por isso, nem tu nem os céus obstaram à nossa missão.
Vieste contorcida na bagageira e chegaste aqui. Pintei-te com spray branco de tinta para carros que comprei na secção auto de um supermercado porque eu não sei onde se compra tinta para pintar Árvores de Natal. Sabes, eu não sou lá muito prendada mas sou muito desenvencilhada. Pus-te lá fora no jardim enquanto aguardaste heróica que eu te pintasse e que o Spotty não te esfanicasse de curiosidade tonta enquanto eu, como sempre, gritava com ele para parar quieto e me deixar acabar o trabalho com o mínimo de tinta nas mãos, o que, como viste, não foi exactamente possível.
Agora estás ali na sala-de-estar. Estás tão bonita. Sabes o que significas para mim? Emancipação. Alegria. Cortes totais com o passado. Vida absolutamente nova e a afirmação de mim para mim. Não és um pinheiro, és tu nos teus ramos decorados frugalmente e é o seres tu, única e exclusiva como quem te escreve, que interessa. Olho-te e sorrio por ter chegado aqui da maneira que cheguei aqui. Enches-me de orgulho, sabes?

7 de dezembro de 2009

Cimeira de Copenhaga


E alguém acredita que vai mudar alguma coisa?
E alguém acredita que os EUA, a China e a Índia façam concessões ao crescimento das suas mega-economias em benefício do planeta?
E alguém acredita que países como Vanuatu, que ninguém sabe onde ficam, mas que são os mais afectados pelas mudanças climáticas, sejam ouvidos no meio do ruído global?

4 de dezembro de 2009

Blonde perdida em Viseu


Cena da vida real de uma Blonde confrontada com os zilhões de rotundas cogumélicas em Viseu. Blonde perde-se, comme d'habitude, e eis que topa dois agentes da autoridade. Blonde estaciona e pede indicações.

- Xiii, a Senhora perdeu-se mesmo! Mostre aí o mapa!
Blonde obedece, sabendo, claro, que está perdida e não precisa que lho lembrem, né?
- Então, a Senhora faz assim... Deixa cá ver... Blablabla.
Voz do segundo agente:
- Ó homem, tu axim bais perder a mulher! Tu num baralhes mais a mulher, pá! Olha ali o autocarro, num bês que estás a empatar o trânxito?

Blonde continuou perdida, três cafés e dois transeuntes depois, Blonde chega ao hotel. Muito agradeço aos agentes da alta autoridade... Life!

3 de dezembro de 2009

Para memória futura

Apanhei esta aqui há dias e, não sabendo onde a guardar mas não me querendo esquecer, remeto-a ao blog:

"Aproveitamento de solidões alheias".

1 de dezembro de 2009

Tratado de Lisboa


Isto pode até parecer crítica gratuita, falar por falar só para não estar calada e talvez até seja. Estive a embrulhar presentes de Natal com a televisão ligada, alheada de que hoje entra em vigor o Tratado de Lisboa. Deixei estar no canal que transmitia o directo da cerimónia oficial por preguiça de mexer no comando. Por entre laços, fita-cola e tesouradas no papel de embrulho lá fui ouvindo os discursos da praxe enquanto, na perplexidade, dava conta de que se fazia o countdown para o momento exacto em que o dito tratado entrava realmente em efeito. Que dizer? Que achei uma fantochada? Sim! Que achei que os discursos dos nossos altos responsáveis políticos foram uma xaropada, a começar pelo do António Costa que, pasmei incrédula, até meteu o encómio da gastronomia deste país que, claramente, já se sabe e em metendo bacalhau à brás tem tudo a ver com o europeísmo? Sim!
E sabem o que mais me enfastia? Que o registo cerimonial deste país bata sempre na tecla passadista de que demos mundos ao mundo. Será que não mudámos já, ou ainda? Oiço estes discursos e só me lembro da Nau Catrineta que, coitada, resistindo ao caruncho das eras, ainda por cá vai navegando à bolina. Não acho lamentável este registo, acho, apenas, entediante...

30 de novembro de 2009

Pelos caminhos de Portugal


Eu só tenho duas perguntinhas assim como quem não quer a coisa:
- QUEM FOI A MENTE BRILHANTE QUE PROJECTOU O TRAÇADO DO IP3, hein? Acho que nem no Norte de África eu alguma vez conduzi por uma estrada tão bera, horrorosa, mal sinalizada, perigosa e todos os etcs!
- QUEM FOI O SUPREMO MACHISTA QUE INVENTOU A CALÇADA À PORTUGUESA, hein? É tudo muito giro mas Blonde que é Blonde usa pumps e é um inferno a cada três passos lá lhe ficarem os saltos na calçada. Tenham dó!
Pronto, já perguntei!