8 de julho de 2011
Tzatziki
Aprendi a fazer tzatziki em Rodes. Depois de anos a comer e a chorar por mais, houve um dia que pedi a receita num restaurante em Kolimpia. Gosto imenso da Grécia. Da luz. Da cor do Egeu. Das ilhas. E adoro a culinária. Costumo fazer batota ao preparar tzatziki porque uso sempre as misturas especiais que trago de lá e que guardo religiosamente na despensa até próxima ida à Grécia. Só que os tempos não estão para isso. Não sei quando e se regressarei. Por isso, meti mãos à obra e fazer esta receita de raiz. Surpreendi-me com a facilidade e pergunto-me como é que eu podia ter receio de não ser capaz de fazer uma coisa que é, afinal, tão simples. Enfim... E agora é a liberdade: de não depender dos saquinhos de mistura para tzatziki e de dar bom uso aos inúmeros pepinos que me dão.
Ingredientes:
1 boião de iogurte grego ou, em alternativa, iogurte natural sem açúcar
1/2 pepino ralado
2 dentes de alho muito finamente picados
1 fio de azeite
pimenta a gosto
1 colher de sopa de endro ou de hortelã muito bem picados (eu prefiro endro)
Ralar o pepino e descartar o excesso de água para o tzatziki não ficar demasiado líquido. Juntar o pepino ralado ao iogurte e misturar bem. Juntar o alho picadinho, o fio de azeite e o endro ou a hortelã. Misturar. Levar ao frigorífico. Servir bem fresco a acompanhar pão pita, batatas fritas ou qualquer prato mezze. Eu gosto sobre tostas.
Bom apetite!
6 de julho de 2011
Alguém me explique como se eu fosse muito burra
Hoje acordamos para a lixeira em que a Moody's nos colocou.
Hoje fui ao ginásio e uma colega despediu-se: parte amanhã para Espanha em busca de trabalho.
Hoje recebi um mail de alguém que precisa de trabalho e esperança.
Hoje não posso estar em modo silly season.
Há coisas que não entendo. Portugal não é o Ruanda, o Burundi, a Venezuela ou o Equador. Portugal é, ainda que não pensemos nisso, um país de primeiro mundo. Temos corrupção a rodos, uma justiça burocrática, morosa e medieval, uma classe política inepta, um sistema de ensino que é uma vergonha. Mas temos democracia, Estado Social (a cair, é certo, mas temo-lo), empreendedorismo, empresas, diplomacia, igualdade de direitos. Como é que podemos ser lixo? Como é que agências de rating (e rating, que eu saiba apenas significa classificação, cotação) se sobrepõem à soberania de um Estado independente? E como é que os responsáveis políticos que nos ajudaram a chegar aqui podem ser desresponsabilizados ante os cidadãos? Eu devo talvez ser muito estúpida porque não entendo este estado de coisas num país europeu, civilizado e, apesar de tudo, avançado.
Como é que podemos ser o país em segundo lugar de probabilidade de entrar em bancarrota? Então e a Síria ou o Zimbabué? A Somália e a Etiópia? Meu Deus, os Estados Unidos? Descapitalizados e endividados, os maiores devedores da ONU.
E como é que pessoas decentes, com famílias, contas, gente que trabalha, podem ser obrigadas, por força das circunstâncias e conjunturas, a suportar os humores, os moods, de uma qualquer Moody's e de políticas desastrosas que tantas e tantas vezes são feitas ao arrepio e em total ignorância das reais necessidades do país?
Porque é que nos curvamos perante imposições externas? Porque é que temos medo da nossa própria soberania? Onde anda a nossa coluna vertebral?
Sim, há coisas que não entendo, que não tenho capacidade para entender mesmo que me expliquem em versão lenta e com desenhos. Não percebo como é que um país naufraga desta maneira, um país que não é o Kazaquistão ou El Salvador. Um país onde, na comparação com os países deste mundo, até e ainda é uma boa sorte nascer (para quem aqui nasça ou, como eu, aqui viva nas opções que se tomam na vida).
Hoje fui ao ginásio e uma colega despediu-se: parte amanhã para Espanha em busca de trabalho.
Hoje recebi um mail de alguém que precisa de trabalho e esperança.
Hoje não posso estar em modo silly season.
Há coisas que não entendo. Portugal não é o Ruanda, o Burundi, a Venezuela ou o Equador. Portugal é, ainda que não pensemos nisso, um país de primeiro mundo. Temos corrupção a rodos, uma justiça burocrática, morosa e medieval, uma classe política inepta, um sistema de ensino que é uma vergonha. Mas temos democracia, Estado Social (a cair, é certo, mas temo-lo), empreendedorismo, empresas, diplomacia, igualdade de direitos. Como é que podemos ser lixo? Como é que agências de rating (e rating, que eu saiba apenas significa classificação, cotação) se sobrepõem à soberania de um Estado independente? E como é que os responsáveis políticos que nos ajudaram a chegar aqui podem ser desresponsabilizados ante os cidadãos? Eu devo talvez ser muito estúpida porque não entendo este estado de coisas num país europeu, civilizado e, apesar de tudo, avançado.
Como é que podemos ser o país em segundo lugar de probabilidade de entrar em bancarrota? Então e a Síria ou o Zimbabué? A Somália e a Etiópia? Meu Deus, os Estados Unidos? Descapitalizados e endividados, os maiores devedores da ONU.
E como é que pessoas decentes, com famílias, contas, gente que trabalha, podem ser obrigadas, por força das circunstâncias e conjunturas, a suportar os humores, os moods, de uma qualquer Moody's e de políticas desastrosas que tantas e tantas vezes são feitas ao arrepio e em total ignorância das reais necessidades do país?
Porque é que nos curvamos perante imposições externas? Porque é que temos medo da nossa própria soberania? Onde anda a nossa coluna vertebral?
Sim, há coisas que não entendo, que não tenho capacidade para entender mesmo que me expliquem em versão lenta e com desenhos. Não percebo como é que um país naufraga desta maneira, um país que não é o Kazaquistão ou El Salvador. Um país onde, na comparação com os países deste mundo, até e ainda é uma boa sorte nascer (para quem aqui nasça ou, como eu, aqui viva nas opções que se tomam na vida).
5 de julho de 2011
Começou a minha silly season
E como é que eu sei disso? Porque a única notícia do dia que li foi: "Duran Duran cancelam concerto em Albufeira". Realmente muito instrutivo... Ou realmente já muito farta...
Vestido PET, ou melhor, de plástico
Isto é absolutamente frívolo mas, também, um sinal dos tempos. Comprei um vestido feito de PET reciclado, ou seja, diz a etiqueta que é feito com tampas de garrafas recicladas. Sinal dos tempos, realmente...
PS - O vestido é o da foto, para quem pensasse que eu andaria vestida de tampas de garrafa coloridas.:)
PS - O vestido é o da foto, para quem pensasse que eu andaria vestida de tampas de garrafa coloridas.:)
4 de julho de 2011
Da vida académica
E Julho é tramado: cansaço mais que muito, exames e... muito que escrever e a vontade esvaída.
2 de julho de 2011
Princesa Diana aos 50
Na Newsweek desta semana como seria a Princesa Diana hoje, aos 50.
Acho que seria tudo aquilo que lá está. E também a prova do seu "blondelizing power".
http://www.newsweek.com/2011/06/26/what-princess-diana-s-life-might-look-like-now.html
Acho que seria tudo aquilo que lá está. E também a prova do seu "blondelizing power".
http://www.newsweek.com/2011/06/26/what-princess-diana-s-life-might-look-like-now.html
1 de julho de 2011
800 milhões já lá cantam
O que me pergunto é onde se vão buscar os dois mil milhões que faltam.
Por estes dias sinto-me a viver nas caricaturas do Bordalo Pinheiro nos finais do séc. XIX ou nas do Punch da mesma altura sobre a Irlanda espoliada pela Inglaterra. Tenho pena de nós. Tenho pena que vivamos no país da inimputabilidade. E que as velhas histórias de crises sejam sempre e ainda tratadas de velhas maneiras. Pouco evoluímos, parece...
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