18 de janeiro de 2013
Da sangria que noto
Parece-me que, neste momento, já conhecemos todos gente que nos é próxima a embarcar na aventura da emigração. Quando é o corpo docente de uma faculdade e funcionários técnicos da mesma que decidem dar o salto, compreendo que o panorama é bem mais assustador do que o que lemos nos jornais. Some-se a isso o desmantelamento do dito Estado Social e temo que não teremos país por muito tempo. Quer dizer, país teremos, um país geográfico mas não um país humano...
15 de janeiro de 2013
Negabelhas
A minha Mãe falava uma versão muito sui generis do Português. À uma misturava-lhe Alemão com fartura, à outra inventava e inventava palavras como esta. "Negabelhas" era o que ela dizia que era o jantar ou o almoço quando não estava com grandes inclinações culinárias. Pois eu ando há uns dias a esta parte a comer negabelhas. É tanto o stress, tantos os deadlines, tantas as novas obrigações, tanto o trabalho que ataco a cozinha e como o que quer que for que encontre. Hoje o meu almoço foi café, bróculos cozidos e batata-doce e duas Speculoos. Ai Mãe, esta tua filha anda a negabelhas...
13 de janeiro de 2013
Diziam que vinha aí uma vaga de frio
Ainda não notei nada...
Hoje até me vêm aí arranjar o jardim e o Spotty anda na dele a apanhar uns banhos de sol que o deixam todo mole. Isto é como as previsões do Governo: saem goradas.
Hoje até me vêm aí arranjar o jardim e o Spotty anda na dele a apanhar uns banhos de sol que o deixam todo mole. Isto é como as previsões do Governo: saem goradas.
12 de janeiro de 2013
9 de janeiro de 2013
Acordar para isto
Acordo eu bem-disposta, que nada há melhor pela manhã do que o cheiro de torradas e café, e passo os olhos pela imprensa para me dar conta de que este país vai morrer de vez.
Ele é uma deputada, amiga da farra com certeza, que cai numa operação stop envolta em vapores etílicos (aqui). E depois é a continuação da novela FMI vs os papalvos dos funcionários públicos portugueses. Pois parece que é preciso baixar mais os salários e cortar a eito na saúde e na educação que só assim é que o país sairá da crise porque, lá está, há dinheiro para o Banif mas não para o Estado Social (aqui).
Ainda bem que sou loura como no estereótipo e assim posso ser burra à vontade e continuar sem perceber nada do que emana das carolas brilhantes de quem nos (des)governa.
Ele é uma deputada, amiga da farra com certeza, que cai numa operação stop envolta em vapores etílicos (aqui). E depois é a continuação da novela FMI vs os papalvos dos funcionários públicos portugueses. Pois parece que é preciso baixar mais os salários e cortar a eito na saúde e na educação que só assim é que o país sairá da crise porque, lá está, há dinheiro para o Banif mas não para o Estado Social (aqui).
Ainda bem que sou loura como no estereótipo e assim posso ser burra à vontade e continuar sem perceber nada do que emana das carolas brilhantes de quem nos (des)governa.
7 de janeiro de 2013
Não resisto...
"Muito estimada professora Blonde,
Infelizmente se utilizasse o Inglês não conseguiria emitir esta comunicação
com a qualidade que a mesma merece.
[...]
Este é o momento de lhe agradecer a atenção que dedicou a esta
turma de que tenho feito parte e a mim muito particularmente.
Destaco a forma enérgica como conduziu os trabalhos e a vivacidade com que
transmitiu conhecimento e cultura.
A professora possui uma experiência invulgar, e embora só de vez em quando
se tenha referido à mesma, ficam os seus alunos com a certeza de que muito
mais nos poderia transmitir se para isso houvesse tempo.
[...]
Muito obrigado,
Um aluno"
Ainda estou parva... E ainda vão havendo razões nesta profissão enxovalhada que nos fazem pensar que nem tudo está perdido.
Infelizmente se utilizasse o Inglês não conseguiria emitir esta comunicação
com a qualidade que a mesma merece.
[...]
Este é o momento de lhe agradecer a atenção que dedicou a esta
turma de que tenho feito parte e a mim muito particularmente.
Destaco a forma enérgica como conduziu os trabalhos e a vivacidade com que
transmitiu conhecimento e cultura.
A professora possui uma experiência invulgar, e embora só de vez em quando
se tenha referido à mesma, ficam os seus alunos com a certeza de que muito
mais nos poderia transmitir se para isso houvesse tempo.
[...]
Muito obrigado,
Um aluno"
Ainda estou parva... E ainda vão havendo razões nesta profissão enxovalhada que nos fazem pensar que nem tudo está perdido.
5 de janeiro de 2013
Os amigos do rir
Quanto mais avanço tempo adentro, mais me dou conta de que fui sabendo fazer amigos. Perdi uns quantos, aqueles que não era, afinal, suposto permanecerem. No regrets. Ficaram os que eram de ficar. Ficaram os que me deram o silêncio de amor quando a Mãe morreu. Ficaram os que continuaram lá quando me desfiz do meu não-casamento. Quando os muros desabam e há gente que nos ajuda a reerguer as pedras, esses sim são os amigos, os tried and tested. Aqueles que se riem quando tudo está bem e não nos desamparam quando tudo corre mal. Estes são assim.
Vêm caminhando comigo há anos. Já me enxugaram muitas lágrimas, já me fizeram sorrir milhentas vezes, já me ajudaram quando mais precisei. Ontem chegaram a esta Casa onde já me viram noutras vidas, noutros passados, a Casa que trago e permanece e que me é útero. Chegaram com Luz estes amigos de luz. Comecei a rir às oito da noite e só parei depois das duas da manhã quando saíram.
Sim, fazem-me sempre bem e eu adoro-vos. Obrigada pelo sempre que sempre me dão.
Vêm caminhando comigo há anos. Já me enxugaram muitas lágrimas, já me fizeram sorrir milhentas vezes, já me ajudaram quando mais precisei. Ontem chegaram a esta Casa onde já me viram noutras vidas, noutros passados, a Casa que trago e permanece e que me é útero. Chegaram com Luz estes amigos de luz. Comecei a rir às oito da noite e só parei depois das duas da manhã quando saíram.
Sim, fazem-me sempre bem e eu adoro-vos. Obrigada pelo sempre que sempre me dão.
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