29 de janeiro de 2008

Cabinet Reshuffle

Wasn't this a bit too moderate? If you need to change the government go ahead and change it! But this? Gee...

28 de janeiro de 2008

Didn't we all know?

This is one of those things that we all knew but needed to be informed by Science!

I was driving to work and heard this one on the 7a.m. news: according to a British study, the night that people sleep worse in the week is the night from Sunday to Monday.

I mean... didn't we all know this?

27 de janeiro de 2008

Carta Aberta a Palavrossaurus Rex


Querido Joshua,
Estavas, Palavrosaurus Rex, emboscado nas veredas tortuosas em que caminhas. Disseste-me que se te interpretasse mal eu "levava". Não interpreto. Também te prometi replicar na medida destes parcos 50 quilitos.
O mundo segue e faz-se do confronto de opiniões, e das grandes divergências nascem as convergências. Perdoa, merecias mais do que um chavão banal. No entanto, este serve o propósito vertente e, afinal, os chavões mais não são do que verdades do senso comum partilhadas ao infinito humano.
Empreendes, porém, em juízos temerários (talvez caminhes pelos vales da sombra da Morte). E como poderia ser de outra forma se não conheces quem se esconde por detrás da Blondewithaphd? Não lhe adivinhas o nome ou o som da voz. Não lhe descobres as amarguras e as felicidades. Prevaricas.
E esse Cristo draculeano que apresentas sem pudor? Não é O teu, não é O meu. Blasfemas.
Tens razão que vivo num mundo de privilégios: materiais, muitos; humanos, muitos mais. Ignoras, contudo, o que esses privilégios implicam. Não percorreste os meus próprios caminhos, não te encostaste ao bordão que me ampara tantas vezes. Não decidiste por mim em cada cruzamento da estrada (não a de Emaús), mas a minha. Não conheces o sal das lágrimas que oculto. Não sabes o que me humilho ante Deus. Não, não sabes nada.
Se soubesses, talvez entendesses que nem todos se expõem na adoração do Divino. Fecha-te num quarto e ora ao Senhor teu Deus. Conheces de certeza o que isto é. Por isso, entenderias, quiçá, que me levante ao Domingo e suba aos montes para uma paróquia de gente velha vestida de escuro, que participe da Eucaristia num local ignoto (sim, leio em público, sim canto para todos), longe dos meus privilégios e depois suba ainda mais para um sótão decrépito de sacristia, com teias de aranha, pó e telha vã, onde não consigo estar de pé, e evangelize os meninos que vêm de casas onde Fé é letra morta. Não, não sabes nada.
Radicalizas o ficcionismo. És Palavrossaurus Rex e tirano.

26 de janeiro de 2008

Let's Get Physical


I'm a gym freak who takes exercise seriously and who believes that we've got to take care of our health or else...
But the things I watch at the gyms I've been going to all my life are sometimes extraordinary.
Picking my life back from the wreck and chaos, I've resumed my usual visits to the gym to workout the stress and pain away and wash my brain clean. I also believe that when you tire your body, your mind is free to think. And, above all, I believe that if people go to the gym it is because they want to be fit, ladies most specially, because we girls always complain (most often excessively) about our bodies, how fat we are, how loaded with cellulitis and all those miseries.
Earlier this morning there I went. But when I got there I almost started laughing. One of the ladies, one with layers of cellulitis and I believe younger than me, was happily eating away a chocolate bar and saying she wanted to lose weight. There she was complaining that she couldn't lose weight no matter how hard she trained and that she really, really wanted to lose a few kilos. I think this is precious!
This is just an example in many. I also like the blokes that train like hell to become the next Mr. Muscle and don't drink a drop of water while they're pumping up because they want their bodies to dry out. I think this one is particularly hilarious (but not funny at all is what those guys ingest and do to have those bodies, that's not funny at all). And the people that don't run in the treadmills because that is a very tiring activity. Not to mention all the wrong posture that can ruin back and muscles.
I'm here stating things I see at the gym just to think that sports is so prone to individual apprehension. It's a subjective matter. It is also a sort of fashion. And something that is quite often most misinterpreted. In the middle of all this I worry. I worry about the things people do to their bodies. I worry because sports can be a very dangerous thing. What should be healthy causes more harm than good and people don't even care about it. It's frightening.
Maybe I'm really freaky...

23 de janeiro de 2008

O Eufemismo do Luto

Não há, de facto, língua tão propensa ao eufemismo como o Português.
A maneira evasiva como as coisas se dizem nesta língua. Mas depois, a maneira penosamente sentimental com que as coisas se tratam.

O sofrimento não tem de ser vivido com eufemismos: faleceu, foi a sepultar... Para mim é tudo mais directo: O João morreu, ponto final. Enterrámos o João, ponto final. Porque é que temos de mascarar o imascarável?

E depois lá vem o carregamento penoso do vector emocional: partiu para sempre, já não está cá, nunca mais virá e toda a lamúria que acompanha estas verbalizações. Mas que falta de esperança esta num país Católico? Que desespero tão finito? A Vida será assim tão estanque? Não vivem os mortos infinitamente? Não estão, por acaso, sempre connosco?

Esta é a primeira Morte realmente "à portuguesa" que estou a viver. Entrou-me porta dentro na sexta-feira. Inesperada, surpreendente. E surpreendente o culto da Morte que tenho presenciado. O arrastar do sofrimento, o querer prolongar a dor. Não consigo explicar isto. O meu catolicismo não explica isto. Porquê a insistência na pena? Na dor? No horror da Morte? Na crueldade do destino?

Ontem acordei com um pensamento: o luto já teve a sua hora. Seguir em frente. O choro fica cá dentro no coração. A esperança continua. A Vida continua. Se nos abandonamos à Morte, à Dor, elas vencerão. Mas é difícil explicar isto num contexto luso em que os mortos carregam os vivos.

Eu acho os mortos tão leves, tão libertos, tão pacíficos na sua beatitude. Tão superiores a nós. Aqui tem-se medo dos mortos, insiste-se no seu pavor, mostra-se um cadáver publicamente (esta para mim é a mais horripilante das minhas surpresas últimas). Quando a Mãe morreu, só eu a vi assim, em privado, em silêncio, as palavras eram para ela. Não há lembranças nenhumas dela sem ser em vida, naquela vida alegre e cheia de cor que ela tinha. Ninguém terá jamais a Mãe morta no pensamento.
O João permanece um cadáver. Não é injusto? Não é horrível lembrarmo-nos de um corpo amarelo sem vida, sem dignidade, um farrapo corporal? Ali, exposto, abandonado à curiosidade mórbida. Não consegui evitar esta indignidade. Não gosto deste espírito que cultiva a Morte e a arvora em Grande Dama.

Este é o último post da morbidez. Estou em luto: privado, interior, individual, meu, sem eufemismos. Estou em cura: privada, interior, individual, minha, sem eufemismos. Julgar-me-ão por retirar a minha dor do espaço público? Por seguir em frente sem abandonos e olhares para trás?


P.S. - Fostes todos outra das minhas grandes surpresas últimas. Desta vez, uma imensa surpresa do Bem, das coisas que, afinal, construímos sem nos darmos conta e que enriquecem a Vida e a fazem, para o bem e para o mal, fascinante e extraordinária. Obrigada!

20 de janeiro de 2008

Sopas e Mortos



Na Terça-feira senti saudades.
A Avó era uma pessoa especial, não por ser a Avó. Acho que era carisma. A Avó era inacessível quase. Muito loura, muito alta, muito magra, muito hirta e tinha aqueles olhos azuis muito frios, gélidos, que lhe davam um ar duro e impenetrável. Não era nada o protótipo da Avózinha. Era a Avó.
Senti saudades de coisas que se perderam com a Avó e que eu fechei cá dentro para não ter de lidar com elas para não me doerem. Mas na Terça encarei uma das coisas que me faltam e que ela levou. Apeteceu-me uma daquelas sopas muito suculentas que ela fazia e que nunca mais provei porque são daquelas coisas irremediáveis que se perdem para sempre.
Na Terça-feira, nem sei como ou a que propósito, meti na cabeça que ia tentar fazer uma daquelas sopas. Não sei como ela as fazia, nunca perguntei e nunca me interessei porque naquela altura eu pensava que tudo era eterno. A sopa aparecia, era uma delícia e depois eu sabia que haveria mais num outro dia qualquer que eu fosse à casa da Avó. Só que um dia a casa da Avó ficou vazia...
Inventei a sopa. Pus tudo o que eu achava que ela metia para dentro da panela. Só omiti a batata porque hoje falamos em hidratos de carbono e a Avó não tinha de se ralar com calorias e outras minudências com que enchemos a cabeça a pensar que estamos a fazer bem. Ficou tão boa a minha sopa! Mas faltava-lhe qualquer coisa. Faltava-lhe a Avó.
Hoje falta-me o João e todas as coisas que eu pensava serem eternas porque havia o João. A sopa ainda está no frigorífico e o João descansa sob uma pilha de flores...
Post Scriptum - Foi pelo João, e não pelo filho do João, que eu fiz o impensável (o que eu sempre repeti que jamais faria na vida) e adoptei um nome que não é o meu. Este era o João na sua capacidade extraordinária de amar e se deixar amar.

14 de janeiro de 2008

Simone de Beauvoir (1908-1986)

Were she still alive and she would have been 100 on the 9th January. It's funny but, maybe on account of my own distraction, I didn't notice any events marking the centenary of one of the greatest 20th century thinkers.

I'm actually not much inclined to Feminism and Feminist movements. However, women's lib and many of the liberties we hold for granted owe a lot to Beauvoir's activism. The world is still very far from total gender equality and it would still be further down the road if it weren't for the New Women movements in the 19th century and for the attention and polemics that The Second Sex (1949) generated when it was published. Of course that, as in any controversial work, Beauvoir was accused of everything: from being frigid to lesbian, from bisexual to nymphomaniac. But the path was open as far as discussing women's role in society was concerned in a post-war world.

The existentialist school of thinking as theorised and studied by Beauvoir and her husband Jean-Paul Sartre explains the premise, and probably one of the most famous ideas of Beauvoir, that women are not born women, they are "made" into women. That is, it is society that gives women the role of women, it is men that created the alterity, the otherness of women. And therefore society has forever inferiorised women and compared them to men. Even Beauvoir's father said his daughter had "the brain of a man" because of her intelligence.

Many of Beauvoir's ideas about women as the second sex are, unfortunately, valid today. In a world that still discriminates according to race, creed and sex (and Beauvoir was not just referring to women as the inferior social Other), the least we can do is stop for a moment and aknowledge the voices that have, in their own way, contributed to a lessening of inequality and for the walk of social progress and development.