Ano banal em que o muito de bom foi tido por garantido sem se sobrepor à fealdade cansativa dos dias atrás de outros, aos problemas, angústias e ansiedades.
Claro que houve dias azuis. Houve os sorrisos do Manel que começou a andar. Houve a notícia de que a Margarida vai chegar na Primavera que vem. Houve vida e há esperança. Houve um Alentejo ensolarado, aviões para outros destinos, a consciência dos privilégios. Escrevi de jacto fantasmas e entranhas. Vivo nesta Casa imersa em passados de que não me desfaço e presentes que construo. Viajei até mim quando peguei na carrinha e fui aos sítios que abandonei prometendo nunca regressar. Estavam à minha espera no abandono e enchi-me do seu ar. Perdoei-me. Entrei por uma porta aberta com reposteiros de damasco. Chamavas-Me porque não desististe de mim e da minha humanidade. Lavei-Te os pés e confortaste-me. E tudo isto é bom.
Porém, o que me fica é a sensação vazia. As esperas que continuam sem fim, o país abatido que me contagia e as asas encarquilhadas. Tenho tudo e sinto-me sem nada. Gostava de me saber contentar, pôr um ponto final em anseios, dar-me por feliz com este tudo mas não consigo. O horizonte é sempre mais à frente, a escada tem sempre mais degraus. E depois há o medo de perder o tudo. Sim, 2012 foi um ano de banalidades arrastadas. Estou grata mas a alma irrequieta-se-me. Venha 2013.
31 de dezembro de 2012
30 de dezembro de 2012
The bridges of Madison County
Quando eu vi o filme antes de ter vivido pensava: nada disto é possível e não acontece assim. Agora que vi o filme depois de ter vivido penso: tudo isto acontece assim mas não é possível.
Acho que já vivi umas coisas...
Acho que já vivi umas coisas...
29 de dezembro de 2012
28 de dezembro de 2012
O que eu gosto mesmo
O que eu gosto mesmo, mesmo é ir trabalhar oito horas para a faculdade quando toda a gente está de férias e ensarilhar o raio do fio do auricular do telemóvel no volante da carrinha e sobreviver para contar a história! Isto ele há dias... Life!
24 de dezembro de 2012
Árvore '12

Este ano a árvore é uma pernada de nespereira que o Pai podou num dia que me apareceu aqui com a fúria agrícola a dizer que o meu jardineiro não percebe nada de árvores. Enfim, coisas de Pai. Já a decorei e enfeita agora a sala de jantar onde nos vamos juntar para o Natal. Mas este ano o que a árvore tem de especial são dois embrulhos de Tia que estão debaixo dela: um diz Manel, o outro diz Margarida. O Manel está cá há dois anos felizes e a Margarida virá com as flores da Primavera. Sim, vai ser um Natal jubiloso no muito de vida nova que nos desponta. Estou grata.
A todos vós, um feliz Natal: paz, saúde, e vida. São os votos da,
Blonde
22 de dezembro de 2012
Quando eu sei que me amam
Sei que me amam quando me aparecem cá em casa com uma caixa de sapatos com rosas. Debaixo das rosas estão dúzias de ovos aqui do campo embrulhados, um a um, em papel de cozinha. E, por debaixo de tantos ovos, uma box com um fim-de-semana no Alentejo. quando os estranhos das nossas vidas nos entram casa adentro para deixarem de ser estranhos também só temos de amá-los.
É Natal!
19 de dezembro de 2012
MARGARIDA
Margarida. A Tia pronuncia o teu nome e dá-lhe todas as nuances, repetindo-o vez atrás de vez. Vais chamar-te Margarida. As forças do Bem venceram. A Tia sugeriu e pensava que tinha de ir batalhar mais para a tua mãe mudar de ideias. Mas é assim: Margarida. Os resultados da amnio vieram e dizem que estás bem aí ao quentinho. Sabes o que a tua mãe disse à Tia? Que agora podemos sonhar livremente contigo. Sonhar contigo...
Margarida. Adoramos-te. Este ano já estarás connosco no Natal. A tua presença. Para o ano vamos ter-te no colo e no outro, tu e o teu mano correrão pela casa da Tia a fazer um escarcéu. A Tia vai adorar o vosso escarcéu, sabes? Ver-vos a tirar as bolas da árvore e a destruir embrulhos e a esconderem-se debaixo da mesa como a tua mãe e a Tia faziam quando eram pequenas. A mesa que tem bonecos feitos pela mãe e pela Tia e que terá bonecos feitos por ti e pelo mano.
Margarida. Adoro o teu nome. E sabes o que a Tia mais vai gostar de dizer na vida? "Os meus sobrinhos, o Manuel e a Margarida". A Tia mal pode esperar que chegues na Primavera. Já falta pouco. E agora que a Tia já é experiente nestas coisas de ser Tia ainda vai ser mais fixe haver um novo bebé entre nós. Vai ser tão fixe..., Margarida.
P.S. - Margarida, a foto que a Tia tirou é a primeira foto do teu álbum, a foto das margaridas que a Tia deu à mãe no dia que soube que ias ser Margarida.
Margarida. Adoramos-te. Este ano já estarás connosco no Natal. A tua presença. Para o ano vamos ter-te no colo e no outro, tu e o teu mano correrão pela casa da Tia a fazer um escarcéu. A Tia vai adorar o vosso escarcéu, sabes? Ver-vos a tirar as bolas da árvore e a destruir embrulhos e a esconderem-se debaixo da mesa como a tua mãe e a Tia faziam quando eram pequenas. A mesa que tem bonecos feitos pela mãe e pela Tia e que terá bonecos feitos por ti e pelo mano.
Margarida. Adoro o teu nome. E sabes o que a Tia mais vai gostar de dizer na vida? "Os meus sobrinhos, o Manuel e a Margarida". A Tia mal pode esperar que chegues na Primavera. Já falta pouco. E agora que a Tia já é experiente nestas coisas de ser Tia ainda vai ser mais fixe haver um novo bebé entre nós. Vai ser tão fixe..., Margarida.
P.S. - Margarida, a foto que a Tia tirou é a primeira foto do teu álbum, a foto das margaridas que a Tia deu à mãe no dia que soube que ias ser Margarida.
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