27 de setembro de 2009

Fomos a votos. E agora?


Agora acabaram-se maiorias absolutas. O que acho sinceramente bom. Os absolutismos irritam-me na sua tacanhez. Diálogo e negociação são, a meu ver, as verdadeiras bases sobre as quais as democracias consistentes se sustentam. Só não sei é se a nossa é uma dessas democracias consistentes. Num dia em que também a Alemanha, a cujo direito de voto perdi há 18 anos, foi às urnas reeleger a Angie Merkel, vejo um enfunado Jaime Gama tecer paralelismos entre o nosso acto eleitoral e o dos alemães e dizer que basta ver como o PS ganhou em Portugal e como é que a CDU ganhou na Alemanha (hein?!). Como se o resultado do PS fosse esmagador face ao da CDU alemã (que de CDU à portuguesa não tem nada). Ora, que eu saiba, 71,5% dos alemães exerceram o seu dever cívico, nós abstivémo-nos ao redor dos 40%. E a Chanceler Merkel tem uma maioria tão relativa como a do Sr. Sócrates. Aliás, também desceu face às eleições anteriores. Francamente, não vejo onde possa estar uma comparação que valorize os resultados do PS face aos do partido da Sra. Merkel. Enfim, deve ser a dor cotovelística da esquerda...
Depois, oiço as alucinações dos nossos dirigentes do Partido Comunista, relegado a uma minoria cada vez mais exígua, que dizem que a CDU (a nossa, claro) soma e avança. Mas esta gente ouve-se? Pois..., esqueci-me, é o raio da cassette que deve ter a fita engasgada porque a tecnologia comunista ficou nos anos '70 e ainda não chegou aos iPod capitalistas.
Claro que o Louçã não decepciona e lá veio com a má-criação ultra-esquerda contra as grandes fortunas e a pessoalizar que a Milú Rodrigues levou um valente par de patins. Havia necessidade?
De todos os discursos da praxe elejo o do Paulo Portas mas escusava tanto prolongamento que a malta não se aguenta. Ah, e também gostei de ouvir as teorias dos politólogos a presumirem que o CDS beneficiou com uma migração do eleitorado do PSD. Ó meus amigos, revejam lá a teoria, se faz favor!
No resto, lá virá mais um ciclo político em que as novidades não deverão ser muitas, em que o país seguirá o seu rumo lento e pasmado de sempre, em que o descrédito da classe política continuará inexorável. Mais do mesmo neste país de lamentos e fado.
Sr. Sócrates, os meus parabéns, trabalhe bem e que o espírito de lucidez política o acompanhe. Ámen!

10 comentários:

Canseiroso disse...

Nota-se que a Dona Blonde tem origem Germana.Usa o ferro de forma acutilante/romanesco/bárbaro sobre os nossos personagens políticos.

Ainda bem que aceita partilhar a sua visão objectiva connosco,sobretudo no que ao «rumo lento e pasmado» diz respeito.
Se não afirmasse tantas vezes a sua Portugalidade, talvez a ilibasse, mas como insiste tanto em ser fiel ao nosso sebastianismo, olhe...aguente-se ou faça alguma coisa por mudar isto, porque parece ter atributos para isso.
E já agora, entre isto e isso, que venha alguém que defina aquilo.

Chinook disse...

A vitória do Sr. Sócrates foi indiscutível. Ouvir o discurso do Tio Alberto João foi elucidativo do que muita gente pensava: toda a gente se queixa e no fim votaram nele para 1º. Se isto se deve às qualidades do dito se às não qualidades dos outros fica a dúvida. Pelo menos indica que muitas pessoas acreditam que pelo menos ele é o mal menor (incrível).

Porque é que a minha amiga não se dedica à política. Pode ser que ajude a mudar este estado de situação...

Ferreira-Pinto disse...

Se a "senhorita" me permitir, discordarei desde logo no que concerne ao desvio de eleitorado do PSD para o PP.
Aliás, eu nem diria que existe desvio porquanto é sabido que o eleitorado do CDS e do PP (que não é propriamente o mesmo) tem tendência a votar no PSD quando pressente que este pode ganhar; tirando isso, não vota útil.
Somemos a isso a penetração que o PP conseguiu junto de eleitorado urbano jovem e talvez aí encontremos a explicação para o resultado do PP.

Não vi o que disse Gama, mas tirando o facto de o PS ser de Esquerda e a CDU de Direita, não é verdade que ambos desceram? E não é verdade que ambos venceram com maiorias relativas? E que essas maiorias são um bocado franciscanas?

Noto que na análise efectuado a dona passa ao lado da má criação ortodoxa do Louçã que, estando soberamente convencido que é o único dono da verdade, consegue ser o único a não ter-se dirigido a quem venceu (matematicamente, no mínimo) as eleições. Sintomático!

Ah, e também podias ter falado da anedota da noite que foi ver Maria José Nogueira Pinto a discorrer sobre a soma dos resultados da extrema-esquerda não chegarem para não sei o quê, mais a perda da maioria absoluta do PS e outra coisa qualquer se traduzirem numa vitória do PSD. Rematou a pesporrência com um sonoro "se isto não é uma vitória, então não sei o que é". E não é que a danada tem razão? Ela, de facto, não sabe o que é uma vitória!

Adoa disse...

Oh Blond, isto não há-de ser nada!
Assim como assim, são todos iguais, tanto faz ter lá uns como outros. É que eles estudaram todos pela mesma bíblia!

Venho também informar que reabri o Canções da Terra Distante!

Kuss!

António de Almeida disse...

Da Alemanha vieram precisamente as melhores notícias para os contribuintes europeus. A subida dos Liberais possibilitará a implementação de várias reformas, algo impossível de colocar em prática com o SPD, será também o fim das ilusões para qualquer federalista quanto à possibilidade de emissão de títulos de dívida pública europeia ou colocar o BCE às ordens do poder político, como gostariam políticos de esquerda como Sócrates e Zapatero, ou de direita como Sarkozy e Berlusconi. Faços votos para uma derrota do referendo na Rep. Irlanda. Em Portugal o país não virou à esquerda, a direita recuperou algum, pouco, terreno. Mas nem tudo são más notícias, subiram as acções da Brisa, Mota-Engil, nos próximos dias quem estiver atento ao Diário da República poderá consultar uma série de pessoas nomeadas para comissões de serviço em toda a extensão do longo braço do Estado...

Zana disse...

Que a tua última frase se aplique a todos os eleitos
Amén, Assim seja, Amén !

antonio - o implume disse...

Sócrates governará bem, a Mota Engil tem a mesma esperança que tu, mas é apenas coincidência...

lusitano disse...

Agora "é baralhar e voltar a dar"!!!!

Daniel Santos disse...

Agora partimos para as autarquias, onde o PSd que provar que é um partidos delas e não um partido de governo.

Ältere Leute disse...

Olá !
uma internet difícil em terras do Rio Mira arredou-me do seu cantinho durante os últimos tempos, mas agora aqui estou - sempre a ir e vir, se puder, claro !
Digo consigo AMEN, e até penso que, desta vez, o eleitorado votou "in a wise way" : deixou todos no lugar devido ! Assim eles TODOS tenham juizo e não desbaratem o que nos couber da recuperação "von unserem geschätzen Deutschland",o que não me parece de somenos importância !Bis bald !