29 de dezembro de 2009

Natal '09 - Já a rememoração


Sento-me no sofá. Fiz um bule de Christmas tea (o meu bule deutsche Technologie que o Pai me trouxe da Alemanha e que não escorre nem um pingo, tão contrariamente aos bules portugueses, e o meu chá inglês de gema). São cinco da tarde de Domingo e ainda estou em pijama. A casa está vazia. A minha casa grande, opressiva na solidão de uma pessoa, parece-me calorosa e menos distante - engraçado como tantas vezes eu olho a minha casa na distância solene que ela me impõe, nas divisões que não habito, nos espaços que só uso de passagem, no frio de uma casa pouco vivida apesar da história, apesar da família que já cá morou tão feliz e depois tão desgraçada pelo destino. Hoje não. Hoje há luz e calor. Cheira a Natal na madeira que arde na lareira, nos doces todos que ainda estão na mesa posta. O meu primeiro Natal na nova vida. Tanto que o antecipei. Tanto que o preparei. Estou feliz. Tão feliz que acordei e não me vesti, eu que, como boa alemã, tenho horror à ideia de "faulenzen", à preguicite pela preguicite. Andei a cirandar pela casa toda o dia todo e a lembrar-me constantemente do Natal maravilhoso e das pessoas maravilhosas que fazem o meu universo.
O ano passado redescobri o Pai num Natal longe daqui, este ano vejo-lhe os sorrisos risos que ficaram nas fotos que lhe tirei. Sim, vejo-o feliz e isso conforta-me a alma e inunda-me dos mesmos sorrisos risos. O riso do Pai... Meu Deus, como é bom.
No dia 24, a Paula veio cá no meio dos meus preparativos. Tratou da casa grande enquanto eu, heroicamente, devo dizer, enfrentei a lareira e a acendi. Nem acredito, olhando-a que arde, que consegui acender a lareira. Dantes isso era tarefa do Pai ou do não-marido-ex. Claro que a seguir estive num stress desgraçado a mudar de roupa e a lavar o cabelo à pressa tal foi a fumarada, pronto e a Paula também me disse para abrir as janelas antes que morrêssemos sufocadas, mas não interessa: acendi a lareira sózinha.
Quando eles chegaram, reluzia tudo, a lareira crepitava viva, a mesa estava linda e eu já tinha destressado. A Fátima ainda apareceu por cá antes de nos sentarmos para a Consoada. Puxou-me para a cozinha porque tinha um presente privado. Lingerie.
- Quero que te sintas sempre poderosa porque és a melhor mulher do mundo. - Oiço.
Depois páro para lhe explicar que estou bem e feliz, que relativizo o ano que passou porque me permitiu chegar aqui, de bem comigo e com a vida. Porque, ao fim e ao cabo, acabou por ser o melhor ano da minha vida. E é nisso que penso sentada no sofá a beber o meu chá e a reviver as cenas do meu Natal.
A Zana e o Zé passaram por cá no dia de Natal. Abraços e mais sorrisos. Presentes deliciosos: cortinas que a Zana teceu no tear, azeitonas que ela e o Zé colheram, azeite. Retribuo com a geleia dos meus marmelos, fotos das férias. E o Pai feliz...
E sim, estou aqui em casa feliz da vida, nesta casa que faço regressar à vida e que acordo dos anos de frio e solidão em que, tal como eu, viveu. Tantas vezes que, infeliz e amargurada, me passou pela cabeça vender este casarão solitário. Não agora. Agora quero reacendê-lo e voltar a fazer dele uma casa, uma casa de gente feliz e portas abertas. O meu Natal foi tão especial...

11 comentários:

Chinook disse...

Pois que fico muito Feliz por teres tido tão excelente Natal.

O meu seguiu o seu curso com o espaço de felicidade que criei. Foi um bom ano apesar de ter começado muito mal.

Pelo meio algumas emoções fortes e ter encontrado em ti uma amiga sincera.

No fim o encontro com alguém que me ajuda a preencher o espaço da minha vida de uma forma muito completa.

Um ano Bom.

Vamos encarar o 2010 com outro encanto e, acima de tudo, com espaço para crescer.

Beijos minha querida Amiga

António de Almeida disse...

O meu Natal não foi nada de especial, mas os dias seguintes até que têm sido divertidos. Veremos o que nos (me) reserva o futuro, que 2010 seja melhor que 2009, no meu caso nem será muito difícil, e claro, umas Boas Festas...

Eu Mesma! disse...

ainda bem que tiveste um natal bem docinho...

Adorei o teu bule! :)

Ältere Leute disse...

Bem, eu tenho vindo aqui "espreitar", com a minha pen Zon que finalmente funciona, cá no meu borrascoso "mar do sul" ( o meu imponente "monte dos vendavais" não escapou ao Sudoeste ciclónico da noite de Natal e lá se levantaram as telhas novas... mas já estão encaixadas, embora estejamos ainda emigrados noutro quarto ). Pois,ia eu dizer, já me tardava o balanço -positivo - deste Natal tão "antecipado", e até estava a ficar inquieta.Fico contente! O resto digo depois.

Maria, Simplesmente disse...

Acabo de saber que está aqui...!
Acabo de saber que existe!
Uma amiga comum deixou-me este nome "blondewithaphd" e vim procurar o seu lugar, entrei em sua casa... vim espreitá-la, e do pouco que ainda vi... gostei.
Voltarei, mas até lá, porque 2009 está quase no fim, deixo-lhe os desejos dum Ano de 2010 muito Feliz.
Até 2010.
Maria

zana dias disse...

Olha, o Bule!!
Sim, retenho na memória o momento em que Miss Christmas Blonde (por dentro e por fora)me serviu o seu English tea! Olhei para o bule e pareceu-me japonês... afinal é alemão! (Serão os japoneses os alemães da Ásia?!)
...E a Blonde não disse que também conheci o efusivamente simpático Mr Spotty Klaus!
Merry Christmas for all of you too!

antonio - o implume disse...

A imagem perfeita da solidão... uma americana, nascida na Alemanha, bebendo chá inglês servido num bule alemão que, ao contrário dos portugueses, não pinga, em frente a uma lareira onde arde um fogo português!

Dizem que o melhor medronho é o da primeira destilação...

Feliz 2010, Alemão, sem pingos portugueses...

Ana Campos disse...

Tudo de bom.

Um feliz ano novo com tudo de melhor.

Beijinhos

Maria, Simplesmente disse...

Nem necessitamos de apostar... é ssa mesma e eu adorei.
Com mais tempo vou explorar tanto que aqui tem, pois sou... muito bisbilhoteira, mas agora não.
Boas Festas
Maria

Turmalina disse...

Eu li e reli este texto...eu ia escrever algo mas não consegui,deixei sentir somente o coração e nada mais.
Grande beijo

Pedro Lopes disse...

percebe-se pelo que escreves que o teu Natal foi um Natal quente, um quente bom, o quente do coração