20 de março de 2010

Parto amanhã


Devo perder o avião d eligação em Newark porque a stopover é só de 40 minutos e não consegui mudar o voo que isto aqui é um mar de gente permanentemente a chegar e a partir. Levo daqui a sensação de uma América que eu desconhecia em absoluto. Acho que esta é a América difícil de que nem o Obama se deve lembrar lá no seu poiso civilizado da política da super-potência com sede na East Coast.
Aqui é a vastidão do deserto que nos seca a pele. Aqui é a América doas hordas de gordos que se deslocam em cadeiras de rodas porque pura e simplesmente não conseguem andar.
- What size do you wear? A zero?? - Perguntam-me.
- Or sometimes a double zero. - Respondo a sorrir.
- Oh, I hate you! - Recebo de volta noutro sorriso. Enquanto penso na minha estranheza aqui face a esta gente.
Não oiço inglês. Oiço um linguajar mestiçado entre pronúncias cerradas de espanhol e chinês. Percebo-os melhor com a habituação, mas isto não é inglês.
- Wonderful English, where you from? - Oiço no espanto de quem me pergunta e que mais estranha me torna aqui. Até a língua que me é tão fácil, que me mistura neles, aqui nesta terra me distancia.
Dizem-me as medidas de copos de café to go:
- Oh, I'm European, that doesn't mean much to me. - Respondo tentando que me mostrem os copos (sabendo de antemão que vou escolher o que for small).
- Oh, I should have said pint. - Responde de volta a senhora do café, como se pint fosse compreensível para os europeus não-brit. Rio, claro.
Sim, parto amanhã para a minha Europa de regras e tamanhos de roupa e medidas pequenas. Parto com os olhos cheios de muito, o ar desértico na lembrança, o calor súbito, os contrastes...
PS - Sim, a palestra correu bem. Gostei muito de a apresentar embora os americanos nem sequer saibam a data de independência do seu país e me perguntassem, ao ver um slide de um mapa do império britânico de 1882:
- Why isn't America there? - A pergunta claramente simpática na intenção de saber.
- Well, you see, back in 1882 you were already a country on your own. - Respondo.
- Oh, right, I see.

11 comentários:

Pedro Lopes disse...

não estou longe de Vegas, um par de centenas de milhas por aqui é peanuts, olha, vou ao Bellagio, o sítio que por aí conheço que é lindo por dentro e por fora, já foste ver?, têm lá uns crepes de sonho, é à direita a seguir ao hall com as formigas em bronze, não tem nada que enganar, estou lá pelas 14:00, aparece :-)

ah, para que conste e just in case, levo companhia, que isso não te impeça de aparecer, era giro ver-te aí :-)

Ältere Leute disse...

Jesus!!! How many stories you'll bring to tell us! Did you make notes to "record" them all ?
BUON VIAGGIO ! Noi stiamo per partire per la Sicilia: dieci giorni. Se "sopravvivo" al camminare costante... ci vedremo !

zana dias disse...

O teu testemunho "in locco" vai realmente de encontro ao protótipo de Americano, que cá muitas vezes nos chega...
Thanks for sharing with us!

...Ah e vê o lado positivo:o que pouparias em roupas se aí vivesses. Só comprarias uma que dava para 2 indumentárias!

Have a nice journey back to this "zero-size-tiny-nano-country"!

antonio - o implume disse...

A tua visão da América não se afasta dos teus posts sobre o Alentejo, daqueles onde presumes com alguma candura que às suas cidades não chegam os jornais da capital...

Num fundo é a mesma visão estereotipada... tem cuidado, porque a vida pode passar por ti e tu nem a vês.

Chinook disse...

Pois que viste um mundo diferente de alguma América que já tinhas visto. Mas os USA são um país grandote e com muitas subculturas.

Mas lembro-me de um dia numa conferência em Atlanta acabar a traduzir de Inglês para Americano e Australiano, de Inglês para Brasileiro, de Inglês para vários flavours de Espanhol (leia-se Castelhano). Enfim as guerras das línguas não só no Português.

Beijos e não percas o avião

mdsol disse...

Muito bem, Blondinha, jornalista brilhante.

Bom regresso

:)))

Eu Mesma! disse...

a tua resposta foi fantastica!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Foi no Hawai que vi a maior percentagem de gordos por metro quadrado. Absolutamente incrível, mas muito revelador de uma sociedade americana que muitos portugueses pensam que só existe nos filmes.
Waiting for you.

António de Almeida disse...

Durante o pequeno almoço num cruzeiro, estava o navio a aportar em Nassau, não pude deixar de reparar nos pratos que um casal à minha frente serviram, aquilo era comida para vários, mas eles levaram para a mesa uma torre. Não liguei, mas qual não é o meu espanto quando os vejo entrar numa pizzaria já nas ruas de Nassau, passadas menos de 2 horas? Eu que sou meio distraído e nunca presto grande atenção a terceiros, até olhei bem a ver se eram os mesmos, claro que eram, uns 500 metros do navio até ali devem ter sido um exercício e pêras...

Ferreira-Pinto disse...

Guess that's what they call the "melting pot", no?

mdsol disse...

Chegaste bem? Sossega-nos, menina!

:)))