8 de julho de 2009

O meu luar mágico


Porque li e vi isto, lembrei-me do encantamento em que me deixam as noites de luar. É um horror (que não tem nada de horrível), mas o luar e eu, eu e o luar e eu não sei...
Não há luares feios. Mas há luares absolutamente mágicos que vivemos uma ou outra vez na vida e pelos quais damos graças eternamente.
Luxor, 2002
O Nilo corre sereno e silencioso ao fundo dos jardins do Hilton que se espraiam num doce declive que acaba na água. No ar, o som denso e ininterrupto das cigarras que despertam com a frescura do crepúsculo. Cheira a água-doce mortiça e a hibisco. Na outra margem, os contornos pedregosos do Vale dos Reis e a solidão muda do deserto. Janto à luz de uma vela pálida. Só o luar ilumina o jardim e eu vejo a lua reflectida nas águas milenares de um azul metálico profundo e plácido. Experimento um momento de eternidade.
Toco o fundo dos tempos e o agora. É mágico e eu estou ali. Se morrer, morro no enlevo e na plenitude que aquela noite, aquele luar e aquele rio convocam. Sou feliz ali, naquela cápsula de tempo e pó de luz.

7 de julho de 2009

Outra Loura com PhD

O que eu acho da Profª. Maria Filomena Mónica, outra Loura com PhD, é que diz sempre umas verdades muito assertivas. É dela uma das frases com que mais me identifico "é preciso amar muito Portugal para o criticar", cito de memória mas era mais ou menos isto. Ora, eu, que até nem nasci nesta língua, como costumo dizer, sou uma criticante praticante e impenitente e venham-me cá perguntar se eu renunciaria à nacionalidade e eu grito: "NUNCA!"
Hoje o "i" publica uma entrevista com ela e lê-se de jacto com acenos de cabeça. Não partilho bem a posição político-ideológica da Profª. porque acho que podemos ser tendencialmente de direita e a favor da eutanásia e do aborto (eu sou as três coisas e, ademais, de uma geração pós-ditadura) mas subscrevo na íntegra que "parte da mediocridade do que se passa no Parlamento deriva da impossibilidade de nós votarmos numa pessoa."
Também nunca percebi o antagonismo figadal que lhe devotam os tais dos "queirosianos". Quer dizer..., saber até sei (são mesmo as razões ali expostas na entrevista), mas é incompreensível. Levei imenso nas orelhas por ter citado a biografia dela do Eça no meu PhD (que nada tem de Queirós literário porque o que eu gosto é Política e Jornalismo, mas mesmo assim e como me avisaram: "é um risco que assume" e assumi). Se calhar queriam, os outros, claro, ficar para sempre agarrados ao Gaspar Simões e a uma biografia "oficial" velha de décadas. Enfim...
Gosto do pensamento pedrada no charco mas constrange-me que, neste país, as vozes encarreiradas acabem, quase sempre, por se sobrepor a quem ousa a diferença, concordemos, ou não, com ela. Claro, gostei de ler a entrevista.

6 de julho de 2009

Há um ano... a Austrália... a Decisão



Sempre senti, e sem saber racionalmente porquê, um fascínio imenso pela Austrália. Não sei se pela distância, se pelo magnetismo dos Antípodas, se pelo isolamento. Só sei que li os relatos todos dos exploradores do Great Outback quando era miúda, o meu romance favorito continua a ser "The Thorn Birds" (eu sei, é uma lamechice apimbalhada, mas que hei-de fazer?), conheci Ayers Rock antes de ser Uluru, se bem que Uluru seja o primeiro, e o único momento de consolo que eu tive nas semanas antes da Mãe morrer foi as duas horas que passei no concerto dos Savage Garden (australianos, claro).
O ano passado, por esta altura, andava eu pela Austrália sem saber que um ano depois a minha vida tinha sofrido a maior das alterações. E sem saber, ademais, que foi nessa viagem que as decisões foram tomadas naquele estado de semi-(in)consciência que nos diz "Avança!" e que nós nem verbalizamos. Quem diria que, afinal, a Austrália, para onde eu uma vez até pensei emigrar, ia ter este papel decisivo na minha vida insignificante e anónima?
Acho que a solidão das horas infinitas de voo e os longos stop-overs nos aeroportos proporcionaram a calma de que o cérebro precisava para assentar num assunto que gritava em surdina e que eu relegava sempre para outro tempo e outro lugar. A Austrália foi, talvez, esse tempo e esse lugar. Não foram necessárias palavras para a decisão ser tomada. Eu sabia que a tinha tomado há muito tempo. Só precisava sentir que tinha a coragem. Ou seja, eu precisava sentir, não precisava falar comigo.
Aquele casamento nasceu morto logo depois da morte da Mãe, como se uma nova fase viesse para esconder a dor. Que engano! A dor da Mãe nunca foi escondida, e, ao invés, ganhei outra dor: a da solidão acompanhada. Mascarei-a com trabalho e carreira, escondi-a até de mim. Sabia que existia em forma omnipresente mas não a deixava tornar-se omnipotente até ao dia que percebi que era, de facto, omnipotente e que eu pautava a minha vida na fuga, tudo era feito para a fuga, para o não confronto. Na solidão australiana eu decidi. E a única coisa que me lembro ter verbalizado, no inglês em que me corre o pensamento, foi: "Girlfriend, you got some serious homework to do". Só isso. As únicas palavras que o meu cérebro produziu para me dizer que eu me ia divorciar e que nada nessa decisão poderia ser adiado.
No Sábado, a Juanita veio cá a casa e eu mostrei-lhe fotos da Austrália. Lembrei-me de há um ano e olho agora a vida diferente que me aconteceu. Penso nas coincidências maravilhosas da Vida: uma viagem, a Austrália de que sempre gostei e, afinal, por uma conjugação cósmica qualquer eu fui à Austrália para tratar de andar com a minha vida...

5 de julho de 2009

Blonde e a Breadmachine - A Batalha Final


E eis a coroa de glória!
O que demonstra bem a verdade do adágio: "quem ri por último ri melhor". Um pão de canela e erva-doce que é, no mínimo, uma ode a todos os pecados da glutonice...
(E sim, o ego de dona-de-casa da Blonde até levita de contentamento! Fez-se História na cozinha da Blonde.)

2 de julho de 2009

Manuel Pinho ou como um dia pode correr muuuuuito mal

Mea culpa, mea massima culpa! Meu pobre país que tanto me entedias, que tanto sofres com as minhas críticas. Obrigada meu país adorado pelo espectáculo político com que me tratas nesta hora!
Eu, que me farto de dizer que já nada me surpreende na clase política que habita São Bento, que afirmo a pés juntos e de mão no peito que fico entristecida por já não ter reacção, por me sentir apática e abúlica em relação à Política, à la portugaise, bien sûr, eis que me vejo forçada a engolir as barbaridades que debito cá para fora. Desculpem, mas isto nenhuma loura do regime (ou não) consegue ultrapassar! Isto é melhor que a revolta na Bounty!
Chifres?!
Hilariante! Hoje, tenho a certeza, muita gente acordou para a Política! (Será que é uma estratégia anti-abstenção? Uma pira funerária sacrificial para a a fénix renascer? Um momento de humor bem planeado? Ou apenas um dia em que as conjugações astrais estavam particularmente aziagas?)
Palitos?!

A Casa 007 da Blonde


Ora aqui está um post que nunca me passou pela cabeça escrever! Mas os últimos foram tão densos que este serve de comic relief.
Vamos por partes e escrevamos o intróito que localizará o incauto leitor nas aleivosias que se seguem.
Digamos que a casa da Blonde é a modos que... BIG, um pouquinho (coisa pouca) grande para residência de uma pessoa só, ou de uma só pessoa, tanto faz, e um Spotty. Este, por sua vez, não daria para cão-de-guarda nem que reincarnasse quinhentas vezes como Grand Danois. Aliás, caso a casita da Blonde fosse assaltada, ele seria o primeiro a convidar a gatunagem para tomar chá. A Blonde também viaja frequentemente e, já se sabe, a ocasião faz o ladrão e essas coisas quejandas. Vai daí a dita, impressionada com as maravilhas que lhe contaram de sistemas de alarme xpto, vai de instalar um.
Fabulástico! Ele é detectores de movimento, captação de imagens, panic buttons, controlo remoto, só não serve o pequeno-almoço na cama. E mais uns quantos catrapázios nas paredes e nos muros da casa a avisar a banditagem "alto lá que a malta aqui não está para brincadeiras". Ok, embrulhe que levo! E eis que a Blonde agora tem uma casa estilo 007.
Ora bem, ele há que estrear o equipamento e, ontem à noite, aqui a querida Blonde, resolveu ligar o alarme no modo semi, que é como quem diz: hall dos quartos no primeiro piso desactivado e o resto da casa e a garagem em modo "venham cá venham, qu'a gente já vos diz!"
A linda, desliga o pc às quinhentas, sai do escritório para o quarto e... amigos... aquilo é que foi um disparo! O neurónio ensurdeceu!!!
- Identifique-se imediatamente! - Oiço em estado de choque por entre o barulho do alarme e ainda a tentar perceber o que é que eu tinha feito de errado.
- Sou só eu!
- Não é essa a identificação! Vamos enviar unidade policial!
- Eu!!! Blonde Maria Serafina! - Respondo olhando para o tecto ou sei lá eu para onde de onde vinha aquela voz aterradora.
- Informação incorrecta. Dê password!
- ?! Hm... Hm... Bláblá.
- Password incorrecta!
- Ah! Hm... Esqueci-me... Bláblá2!
- Informação correcta!
Bem, com o neurónio em coma, lá explico que devo ter tocado nalgum comando errado. Peço desculpa pelo incómodo e remeto-me à minha humilhante insignificância. Reprogramo o alarme e vou para o quarto meio atónita e com as palpitações em níveis estratosféricos. Dali a bocado lembro-me que me esqueci de tomar o Centrum (já se sabe, cada qual com a sua mania). Saio do quarto... Novo disparo!
- Ó deuses, será que já vesti o pijama? - Penso no meio da aflição do barulho e a tentar correr para desligar o alarme.
- Identifique-se! Nós estamos a vê-la!
(Sim, isso imagino eu! E sim, tenho o pijama!)
- Sou eu outra vez! - Grito no meio da barulheira infernal.
- Essa não é a password!
(Amnésicos dum raio!) E eis que, desta vez, também toca o telefone. Fico tipo barata tonta indecisa entre atender o telefone, desligar o alarme ou responder à voz de III Reich que me ameaça enviar a polícia.
Não tenho um enfarte por pura sorte e imagino que o Spotty se deva estar a rebolar de riso:
- Ganda maluca, a minha Dona! Ganda rave, man!
Bem, ao menos tenho a certeza de que assaltante que aqui venha vai ter problemas de tensão arterial elevada... Aguardo a medo cenas do próximo e excitante capítulo pouco aconselhado a cardíacos.

1 de julho de 2009

Dias Loureiro Arguido

É-me indiferente que o senhor em questão seja ou não seja arguido no caso da SLN. O que me choca, se é que estas coisas ainda têm a capacidade para me chocar, é a ligeireza com que as pessoas dizem, a propósito das suas profissões, dos cargos que ocupam, das suas inerentes responsabilidades: "não sei", "não sabia", "só agora tomo conhecimento", "ignorava". Posso parecer extremista mas não temos todos de ter um mínimo de brio no nosso trabalho, não deveremos todos justificar o salário, os benefícios, as compensações financeiras que auferimos do desempenho das nossas profissões ou carreiras?
O meu ponto é: esta pessoa tem, ao longo da vida, desempenhado cargos de responsabilidade enormíssima, sobre os seus ombros se depositou a confiança de muita gente e depois é quase com desprezo que se afirma que não se sabe o que se andou a fazer? Isto não dá uma imagem de amadorismo e displicência? É que se não dá, eu devo ser uma pessoa muito dura de entendimento ou, pior, de uma exigência sem limites de razoabilidade.
Não, acho que não me choca, entrista-me, o que é diferente, entrista-me, mais uma vez, ser confrontada com o facto que, de tanto se repetir corre o risco de se tornar um silogismo, uma lei da Física, as pessoas com responsabilidades decisórias neste país são as mais alheadas do bem público e as mais incompetentes.
Quero estar errada.